Misture e Mande

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Mistura e Manda

Nº 61 - 9/8/2004

Samba da Vela homenageado na Assembléia Legislativa de SP

A Comunidade Samba da Vela, que reúne há quatro anos músicos e poetas de São Paulo e de todo o Brasil em animadas rodas de samba, recebeu homenagem especial da Assembléia Legislativa (ALESP) na sexta, 6 de agosto, proposta pelo deputado Vicente Cândido. Beth Carvalho, Oswaldinho da Cuíca e a Velha Guarda da Nenê da Vila Matilde e da Camisa Verde e Branco participaram da homenagem, transformando a ALESP, ao menos por algumas horas, num autêntico Templo do Samba. Após discursos de autoridades políticas e deputados, procedeu-se à instalação da tradicional roda de samba, que só termina quando a chama da vela se apaga.

- A comunidade Samba da Vela vem desenvolvendo um importantíssimo trabalho de preservação da identidade cultural do povo brasileiro, através da música e da poesia. Esses artistas merecem todo o reconhecimento e incentivo — afirmou o deputado Vicente Cândido.

Criada em julho de 2000, no bar Ziriguidum, pelos sambistas Chapinha, Magno, Maurílio e Paqüera, o Samba da Vela foi conquistando público maior a cada semana. Atualmente, acontece toda segunda-feira na Casa de Cultura de Santo Amaro. Num clima informal, em volta de uma mesa e sob a luz de uma vela (rosa, azul ou branca), compositores e poetas apresentam suas novas criações e revisitam a linhagem nobre do samba de Cartola, Geraldo Pereira, Nelson Cavaquinho, Beth Carvalho, Zeca Pagodinho e outras bambas. Os tamborins, violões e cavaquinhos só param quando a vela se apaga. Chapinha, um dos fundadores, resume o espírito do batuque: "Existem vários gêneros musicais. Mas música só existem duas: a boa e a ruim".

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Bigodes temporários

Algumas personalidades da música brasileira são inseparáveis de seus bigodes: Moraes Moreira, Ary Barroso, Dorival Caymmi, João de Barro, Agepê, Jacob do Bandolim, Sílvio Caldas... Há o caso famoso de Chico Buarque, já abordado aqui nos Mistura e Manda nº 1 e nº 7, de alguém que manteve o adereço facial por anos a fio, até desistir de vez dele.

Outros, porém, o cultivaram por pouquíssimo tempo. É o caso de Caetano Veloso, que num belo dia de agosto de 1986 resolveu não apará-lo ao se barbear. Coincidiu que, naquela semana, ele concedeu uma longa entrevista de capa à revista Domingo, do Jornal do Brasil (Rio de Janeiro)(onde afirmava que sua vida se dividia em "anos-sim" e "anos-não", sendo 86 da primeira categoria), além de gravar o quinto programa da série Chico e Caetano (TV Globo). Não fosse isso, talvez nem houvesse hoje mais referências ao bigode de Caetano, que poucos dias depois o raspou. Antes disso, só aparecera publicamente barbudo na capa do LP de 1971 gravado em Londres.

Outro bigode muito temporário foi o de Tom Jobim, no final de 1974, pouco depois dos shows que fez em São Paulo e no Rio para lançar o LP Elis e Tom.

Já o bigode de Roberto Carlos durou um pouco mais. Em 1968, o Rei esteve em Londres, onde adquiriu algumas roupas psicodélicas e óculos redondos. Para compor o visual, deixou crescer um bigode, com o qual circulou em abril no lançamento do filme de Roberto Farias que estrelou, Em Ritmo de Aventura, e em programas de TV, como o seu Roberto Carlos-68 e no eterno Hebe Camargo. Apareceu ainda na capa da revista Intervalo nº 274, que descrevia sua noiva Nice como "ciumenta" (afirmação desmentida categoricamente por RC no número seguinte). No dia do casamento de Roberto e Nice na Bolívia, em 10 de maio, o bigode já tinha dançado.

(Fabio Gomes)

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A lição de Roberto Marinho

Animados com o sucesso que as novelas da TV Globo começavam a alcançar no início dos anos 1970, seus diretores Walter Clark, José Ulisses Alvarez Arce, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, Joe Wallach, José Otávio de Castro Neves, Otacílio Pereira e Luís Eduardo Borgerth resolveram que era hora da emissora ter sua própria gravadora. Até ali, os discos de novela eram lançados pela Philips. O acordo feito com André Midani previa a permissão do uso do nome da trama em troca de 5% da venda dos LPs.

Das reuniões dos sete, saíram algumas empresas: a gravadora Som Livre, para lançar os discos, a editora musical Sigla, para registrar as músicas, e a Cantagalo, que controlava as outras duas. Wallach lembrou que Roberto Marinho, dono da TV, precisava ser incluído. Todos concordaram em oferecer a ele 25% da Cantagalo, sendo os outros 75% divididos entre os sete.

Quem não concordou foi Roberto Marinho, como informou aos sócios seu representante, Jorge Rodrigues:

- O dr. Roberto não entra em negócio em que ele não tenha a maioria.

A nova proposta, de 51% para Roberto Marinho e 49% para os outros, foi aceita. Em seu livro de memórias O Campeão de Audiência, Walter Clark reconhece que não havia como fugir disso: "a parte dele era fundamental, porque afinal as novelas eram dele".

(F. G.)

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