Misture e Mande

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Mistura e Manda

Nº 62 - 16/8/2004

Novidades no Brasileirinho

No sábado, 14, colocamos no ar a nova versão da página Atividades Culturais Brasileirinho, na qual é possível assinalar especificamente as palestras e oficinas sobre as quais o leitor quer mais informações.

(Fabio Gomes)

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Clube do Choro no estúdio

O Clube do Choro de Porto Alegre já deu início às gravações de seu segundo CD. O grupo tem se preparado da seguinte forma: ensaia três músicas, gravando-as quando sente que já estão "no ponto". Depois, começa a ensaiar outras três, e assim por diante. O presidente do Clube, Runi Viegas Corrêa, ressalta que esse método está deixando um clima de "ao vivo" no que é gravado. Quanto ao repertório, por enquanto é segredo.

(F. G.)

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Ary Barroso sem bigode

Citamos Ary Barroso no Mistura e Manda nº 61 como personalidade da música brasileira inseparável de seu bigode. Nem sempre foi assim, lógico. Ary só passou a usar bigode em 1929, além de ter ficado alguns dias sem ele em 1955 por causa de uma aposta, como conta Sérgio Cabral em No Tempo de Ari Barroso. Ferrenho torcedor do Flamengo, o autor de "Aquarela do Brasil" discutia a favor de seu clube contra o compositor Haroldo Barbosa, adepto do Fluminense, a respeito do Fla-Flu do Campeonato Carioca que seria disputado dali a alguns dias. A discussão ocorreu no bar Vilariño, diante de dezenas de testemunhas que ouviram claramente quando os dois torcedores acertaram o seguinte: se o Flamengo vencesse, Ary rasparia o bigode de Haroldo; mas, se o Fluminense ganhasse, Haroldo é que tiraria o bigode de Ary.

No domingo, o Fluminense surpreendeu, vencendo o favorito Flamengo por 2 a 1. Na segunda, a partir das 3 horas da tarde, muita gente chegava ao Vilariño para ver Ary perder o bigode. Porém, o compositor não aparecia. Às 6 horas, alguém descobriu que ele se escondera na casa das cantoras Linda e Dircinha Batista. Formou-se um corso de automóveis para a residência. Flagrado, Ary resistiu o quanto pôde: argumentou que em poucos dias iniciaria uma temporada ao lado do cantor Ernani Filho na boate Plaza e não poderia estar sem o bigode, uma marca pessoal. Desculpa rejeitada, tentou o último recurso: disse que sua esposa não o aceitaria de cara raspada. Haroldo telefonou para Yvonne, que respondeu: "Casei com Ary, e não com o bigode dele...". Sem outra chance, o rubro-negro aproveitou para fazer um apelo: "Quero que o meu sacrifício fique como uma lição para os jogadores do Flamengo".

O visual de Ary sem bigode foi destaque nos principais jornais do Rio de Janeiro, chegando a merecer uma nota na revista americana Time. E, pelo jeito, o apelo aos jogadores funcionou: o Fla sagrou-se tricampeão carioca naquele ano. A vitória inspirou o samba "Flamengo Tricampeão" (Haroldo Lobo - Ari Cordovil). Gravada por Jorge Veiga, a música não podia deixar de fazer menção ao "sacrifício": "Flamengo já parou de perder por aí/ Eu vi o Haroldo Barbosa/ Fazer o bigode do Ary".

(F. G.)

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Ben Jor recomendado

Pessoal!

Tá muito bom esse último CD do Jorge Ben Jor, Reactivus Amor Est (Turba Philosophorum), depois de 8 anos sem disco de inéditas. Vale a pena!

(Marcello Campos)

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Villa-Lobos: a ordem dos fatores altera o produto

Iniciar um concerto ou recital com uma música de Heitor Villa-Lobos é quase temerário. Claro que é ótimo começar com uma peça de alta qualidade, mas é muito provável que ninguém consiga prestar muita atenção nas duas ou três composições seguintes. A cabeça do ouvinte ainda estará ocupada pela melodia do Villa, lançando uma área de sombra no que venha a seguir, causando um desprestígio (involuntário) ao trabalho de compositores e intérpretes. O ideal é reservar Villa para o encerramento, e/ou para número extra, se houver.

(F. G.)

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