Misture e Mande

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Mistura e Manda

Nº 64 - 30/8/2004

Novidades no Brasileirinho

Colocamos no ar no sábado, 28, as Dicas do Intercom - uma página com informações úteis sobre Porto Alegre para os participantes do 27º Congresso da Intercom (Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação). O evento reúne de 30 de agosto a 3 de setembro na PUC-RS jornalistas, professores, pesquisadores e estudantes de todo o Brasil para debater Comunicação, Acontecimento e Memória.

(Fabio Gomes)

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Aviso

Em função da cobertura do Intercom, não teremos a atualização das Dicas na quinta, 2. Tudo volta ao normal no fim de semana.

(F. G.)

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Uma câmera na mão e jongo na cabeça

Os juritis (jongueiros velhos) da Associação Jongueira do Tamandaré (Guaratinguetá, SP) têm procurado levar ao conhecimento dos bem-te-vis (os jovens da comunidade) o conhecimento do jongo. Tradicionalmente, apenas os mais velhos das comunidades o praticavam, em cerimônias fechadas, às quais os jovens não tinham acesso. Resultado: com o tempo, o jongo começou a desaparecer, pois os mais velhos faleciam, levando a informação, e os jovens não tinham esse conhecimento. Antes que o jongo desaparecesse de vez, iniciativas como a de Mestre Darci do Jongo, da Serrinha (comunidade próxima a Madureira, Rio de Janeiro) promoveram o ingresso dos jovens - como agora fazem os juritis da comunidade de Tamandaré.

Para concretizar sua idéia, os juritis acertaram com educadores da Associação Cultural Cachuera! (São Paulo) a realização de oficinas voltadas para o lazer, a memória e a cultura. Em uma dessas oficinas, em junho, a ONG Kinoforum incentivou os bem-te-vis a gravarem três vídeos. Agora Jongo Vivo! (de André Luis de Oliveira Morgado, Damares Aparecida Miranda, Lauro Luiz do Amaral Moreira, Hebert José de Oliveira Santos, Max Lucian da Silva Carvalho e Rodrigo F. Martins), Jongo do Amanhã (de João Carlos da Cunha, Maria Regina de Almeida, Silvia Helena da Silva, Tayne Lusiane, José Alves e Tiago Galvão Pereira) e A Lenda de Maria Augusta (de Adriano Rodrigo S. Silva, Elio Rodrigues dos Santos, Lucas Julien de Carvalho, Paulo Henrique Marcelino da Silva, Richard A. Carlos e Ricky) participam do 15º Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo (veja endereços e horários nas Dicas).

(F. G.)

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Choro no Mercado

Inicia na quarta, 8, o Choro no Mercado - um novo espaço para o tradicional gênero brasileiro no Mercado Público Central de Porto Alegre. A abertura do projeto será em grande estilo: às 19h30, Plauto Cruz (flauta) com Paulo Pinheiro (piano), seguindo-se, às 20h30, o Clube do Choro de Porto Alegre.

A previsão dos organizadores é que a segunda edição ocorra em 13 de outubro. A partir de novembro, o Choro no Mercado deve acontecer na primeira quarta do mês.

(F. G.)

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Bossa Nova no Congresso

Os deputados federais dedicaram a tarde de quinta, 26, para homenagear a bossa nova numa sessão solene na Câmara dos Deputados (Brasília). Não sei de nenhum fato relativo à BN ocorrido num 26 de agosto, mas mesmo que houvesse algum, a homenagem parece não ter propósito (os espanhóis diriam melhor: la homenaje flota sin ancla) em meio ao "esforço concentrado" que Suas Excelências houveram por bem fazer em plena campanha eleitoral. Após vários dias de "esforço", apenas uma medida provisória foi votada em plenário.

Me parece que quem melhor definiu o nada-a-ver da homenagem foi a repórter Juliana Alvim, da Rádio CBN:

- Um banquinho, um violão e nenhuma votação.

(F. G.)

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Brazilian Olympic Band

O Brasil participa dos Jogos Olímpicos desde 1920, mas sua presença como assunto de música brasileira me parece ser nula. Aliás, afora o futebol, registra-se mínima presença do esporte nas letras de nossos compositores.

Na Olimpíada de 1932, disputada em Los Angeles (EUA) de 30 de julho a 14 de agosto, seguiu junto com nossa delegação a Brazilian Olympic Band, organizada pelo saxofonista Romeu Silva, líder do famoso jazz-band Sul-Americano nos anos 20. Foi uma viagem atribulada. Como o governo brasileiro alegou falta de recursos (em função da crise iniciada em 1929), pensou-se no seguinte para financiar a viagem da equipe olímpica: atletas e dirigentes iriam no navio cargueiro Itaquecê, com o compromisso de vender 50 mil sacas de café nos portos em que parassem pelo caminho. Muito pouco se vendeu nos 27 dias que durou a travessia. Mesmo que vendessem muito, isso não representaria um valor expressivo, porque quem teve essa brilhante idéia esqueceu que o preço do produto no mercado mundial estava em queda - por causa da mesma crise de 1929... Como além disso houve supersafra de café, viviam-se a partir de novembro de 1931 os dias em o governo federal mandava queimar os estoques.

Romeu Silva conheceu na Califórnia vários músicos americanos que convidaria depois a integrar seu conjunto no Brasil. Um deles foi o saxofonista Booker Pittman, que mais tarde se tornaria padrasto da cantora Eliana Pittman. Um dos componentes da Olympic Band, o violonista Henrique Brito (ex-Bando de Tangarás), permaneceu um ano nos Estados Unidos, onde desenvolveu um sistema de amplificação do som do violão. Foi o introdutor do violão elétrico no Brasil, em 1933, embora não se saiba ao certo se ele chegou a inventar o instrumento.

(F. G.)

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