Misture e Mande

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Mistura e Manda

Nº 65 - 6/9/2004

Política no espaço público

Um dos trabalhos apresentados no Núcleo de Pesquisa de Folkcomunicação no Intercom, AbAiXo a DiTaDuRa da MíDia!, mostra o outro lado da moeda da idéia de Muniz Sodré acerca do esvaziamento político do espaço público. Com a atuação política desenvolvendo-se cada vez mais através dos meios de comunicação, o espaço público é utilizado para a expressão de opiniões e idéias de grupos sociais que não têm acesso àqueles meios. As formas de expressão mais usuais são a pichação e o grafite.

O tema foi exposto na quinta, 2, pela professora da Feevale Maria Berenice da Costa Machado. Os estudantes Angélica Romani, João Felipe Blois e Taís Vieira Pereira também atuaram nesta pesquisa.

(Fabio Gomes)

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Chega de rótulos

A necessidade que algumas pessoas sentem de "rotularem" as outras foi lamentada por Viviane Juguero ao participar do programa Sem Fronteiras, de Glênio Reis (Rádio Gaúcha, Porto Alegre), no sábado, 4. Ela contou que ouve muitos questionamentos do tipo: "Mas vem cá, tu é atriz, escritora, cantora, compositora...", ditos de uma forma em que fica evidente o desconforto da pessoa com a múltipla abordagem artística de Viviane.

- Eu sou uma artista que quer se comunicar com as pessoas. Eu não me considero uma violonista, mas se tocar violão me ajuda a expressar o que quero dizer, é um recurso que eu vou usar.

Não se preocupe, Viviane: só os medíocres rotulam as outras pessoas.

(F. G.)

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Como provar a não-autoria?

Algumas vezes um compositor ou letrista precisa batalhar muito para provar que é autor de determinada música. Com o poeta piauiense Torquato Neto, ocorreu uma variação curiosa: ele buscou o reconhecimento de que não era co-autor de "Soy Loco por Tí, América".

A música foi feita por Gilberto Gil e Capinam a pedido de Caetano Veloso após a morte de Che Guevara, em 1967, e incluída no LP Caetano Veloso (1968). Por algum motivo, o nome de Torquato surgiu no selo do disco como parceiro. Durante anos, ele e depois sua viúva, Ana Maria Silva de Araújo Duarte, solicitaram à editora que retificasse a informação, sem sucesso. A questão só foi corrigida na década de 90, quando Gil retomou os direitos de edição de toda sua obra.

Se isso ainda tivesse se refletido no recebimento de direitos autorais, tudo bem. Mas a família de Torquato nunca recebeu nada por "Soy Loco..." - nem por músicas de que ele efetivamente é parceiro e tiveram várias regravações, como "Zabelê" (parceria com Gil) e "Pra Dizer Adeus" (parceria com Edu Lobo).

(F. G.)

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