Misture e Mande

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Mistura e Manda

Nº 69 - 4/10/2004

Acabou o Bebendo do Samba

A quinta e última edição do Bebendo do Samba aconteceu na terça, 28, na Casa de Cultura Mário Quintana (Porto Alegre). O projeto nasceu para levar ao público novos sambas e vinha sendo sucesso de público. A sala Luís Cosme quase sempre lotava, mesmo que não houvesse muita divulgação. Mas, ironicamente, o Bebendo do Samba acabou pela omissão dos compositores, que não vinham levando músicas novas para serem cantadas no projeto.

(Fabio Gomes)

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Pedidos musicais de voto

Muitos cantores, compositores e instrumentistas já concorreram em eleições, mas só sei de duas músicas sobre o assunto. Uma delas era "Vote em Mim", gravada por Rita Lee em 1982. Extra-oficialmente, comenta-se que essa música fez com que a roqueira tivesse uma votação suficiente para se eleger vereadora em São Paulo. Como ela não era realmente candidata, a canção sendo uma brincadeira, a Justiça Eleitoral jamais divulgou a votação de Rita. Hoje, com a urna eletrônica, não haveria como o eleitor votar em quem não tem candidatura registrada.

O outro exemplo envolvia uma candidatura real. Também se chamava "Vote em Mim" o samba de Bruno Gomes e Ferreira Gomes que Moreira da Silva gravou em 1954. Um legítimo jingle, destinava-se a apoiar a candidatura de Moreira pelo PRT (Partido Republicano Trabalhista) a vereador do Rio de Janeiro. Embora o cantor tenha sido ágil, registrando o samba em julho, pouco depois de ter a candidatura homologada, a gravadora Todamérica não colaborou: lançou o disco apenas em outubro, mês da eleição... Concorrendo por um partido de pouca expressão, o cantor obteve apenas 400 votos.

(F. G.)

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Bom público em palestra sobre Chico Buarque

A palestra sobre os 60 anos de Chico Buarque que realizei no Teatro Philips da Manlec Mega Store (Porto Alegre), na quinta, 30, registrou um dos maiores públicos da série dos Mega Eventos Manlec de que tenho participado. Um público, é bom que se diga, predominantemente jovem e bastante interessado em conhecer mais a respeito do compositor.

Como sempre faço, procurei, ao lado dos aspectos mais conhecidos de sua vida e obra (Censura, a série de músicas com sujeito feminino, o festival d'"A Banda"...), falar de coisas que não são muito comentadas, como a maior inclinação para a literatura do que para a música que Chico manifestava da adolescência até os primeiros shows de bossa nova no Teatro Paramount, em São Paulo, em 1964. Inclinação que, dando frutos aqui e ali (Fazenda Modelo, Chapeuzinho Amarelo) retornou com força nos anos 90 (Estorvo, Benjamim, Budapeste) e contribui para o intervalo cada vez maior entre um disco e outro.

Em função de minha participação no projeto Tea+R (comentada no Mistura e Manda anterior), não estarei participando dos Mega Eventos Manlec em outubro. E em novembro? Amanhã, ninguém sabe, como diria o Chico. Acompanhe pela Agenda Cultural Brasileirinho.

(F. G.)

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