Misture e Mande

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Mistura e Manda

Nº 74 - 8/11/2004

Novidades no Brasileirinho

Colocamos no ar neste domingo uma página com Dicas sobre o Fórum Social Mundial, que acontece em Porto Alegre (RS) de 26 a 31 de janeiro de 2005.

Desde terça, está disponível um artigo do violonista Moysés Lopes, 9 Horas de Choro em Florianópolis contando como foi a roda em que seu grupo, a Camerata Brasileira, terçou cordas na capital catarinense com Rodrigo & Rogério Piva, netos do sambista gaúcho Túlio Piva.

(Fabio Gomes)

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Fogueira premiada

A música "Fogueira", de Karine Cunha, classificou-se em 3º lugar no I Festival MPB-UPF, promovido pela Universidade de Passo Fundo (RS), no domingo, 24 de outubro.

A própria Karine defendeu a música, acompanhada por Marcus Bonilla no vocal e violão e pela percussionista Alexsandra Amaral. Detalhe: Alexsandra é mestre de bateria da escola de samba Fidalgos e Aristocratas, de Porto Alegre.

Para quem ainda não ouviu "Fogueira", repito minhas palavras do Mistura e Manda n º 56 sobre esta composição: "canções como "Fogueira" remetem a um Brasil interiorano do qual nem sempre lembramos mas que continua existindo".

(F. G.)

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Noel cantou o horário de verão

O horário de verão deste ano começou na terça, 2. O governo o vem adotando anualmente desde 1985. Protestam uns, alegam desconforto biológico uns outros, outros uns apontam a pouca economia resultante etc., mas a tradição é mantida.

O que ninguém mais tem feito é cantá-lo. Em 1931, quando pela primeira vez o Brasil recorreu ao horário de verão, Noel Rosa compôs e gravou dois sambas ironizando o fato. Destinadas ao carnaval de 1932, as composições não chegaram a ser sucesso.

Um dos sambas, "Pulo da Hora", também ficou conhecido pelo seu primeiro verso: "Que Horas São?". Já o outro, intitulado "Por Causa da Hora", era identificado no selo do disco como "samba do horário". Se sua última estrofe era francamente gozadora ("Eu que sempre dormi durante o dia/ Ganhei mais uma hora pra descanso/ Agradeço ao avanço/ De uma hora no ponteiro./ Viva o dia brasileiro!"), dois versos do refrão remetiam ao surrealismo que a mudança de horário poderia causar: "Olho, ninguém me responde/ Chamo, não vejo ninguém".

(F. G.)

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Cumprimentos pelo 2º ano (3)

Agradecemos os cumprimentos que recebemos esta semana do compositor Felipe Azevedo pelo nosso 2º aniversário.

(F. G.)

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Reciclagem musical (4): Paralamas

No LP Bora Bora (1989), d'Os Paralamas do Sucesso, a música "Impressão" é interpretada pelo vocalista Herbert Vianna quase como canto falado, com melodia reduzida ao extremo e forte marcação repetitiva da bateria (de João Barone), comentada pelos teclados (de João Fera - esse é fera!) e pela percussão (que aqui no meu disco não tá creditada). Na pausa instrumental, somos surpreendidos por um plácido trecho melódico introduzido por um violoncelo secundado pelo teclado (a surpresa é maior porque os Paralamas usavam pouco cordas nos arranjos na época, explorando esse recurso mais a partir do LP Os Grãos). Poucos compassos depois, o trecho tem sua placidez rompida por um acorde emitido duas vezes por guitarra, baixo (de Bi Ribeiro) e bateria que prepara o retorno da situação inicial (canto-falado-com-forte-marcação etc.).

Pois bem: esse acorde que rompeu a placidez é a base de um dos temas de "Caleidoscópio", exposto pela guitarra na introdução, com forte (forte? fortíssimo!) apoio dos metais, e retomado no final, na gravação que abre a coletânea Arquivo (1990).

Créditos: "Impressão" tem música de Bi e Barone e letra de Herbert; "Caleidoscópio" é assinada só por Herbert. Este, no caso, é que seria o reciclador. Mas, enfim, ficou tudo em casa. Os Paralamas do Sucesso demonstram uma união rara nos dias atuais, que emocionou o país quando do acidente aéreo com Herbert em 2001.

Leia mais sobre este acorde no Mistura e Manda nº 84.

(F. G.)

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