Misture e Mande

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Mistura e Manda

Nº 78 - 6/12/2004

Reunião Fórum da Música Brasileira em Porto Alegre

A classe musical tem se reunido com o ministro da Cultura, Gilberto Gil, em busca de políticas públicas que solucionem questões do setor. Vários fóruns estaduais estão sendo criados. Em uma reunião do fórum do Rio de Janeiro com o Ministério, descartou-se a proposta de criar uma Agência Nacional de Música. Do Ministério, veio a idéia de uma Câmara Nacional de Música. A posição de Gil no momento é ouvir as propostas da classe. Além do Rio e de São Paulo, onde já estão estruturados fóruns que já realizaram vários encontros, os outros estados também estão sendo chamados a integrar o processo.

No Rio Grande do Sul, o primeiro encontro visando criar o Fórum RS MB (Fórum Gaúcho da Música Brasileira) acontece na terça, 7, na Sala Álvaro Moreyra (Av. Erico Verissimo, 307, Menino Deus - 51-3221-6622 - ramal 208), às 19h. O encontro está aberto a músicos de todos os gêneros - do erudito ao regional, do samba ao hip hop, do urbano ao pop, do instrumental ao canto coral etc. Estarão presentes representantes do Forum RJ, do Forum SP, do MinC e de toda a classe musical do Rio Grande do Sul, bem como das pessoas e entidades interessadas no assunto. Entre os nomes que já se engajaram no movimento em Porto Alegre, estão Geraldo Flach, Pedrinho Figueiredo e Álvaro Santi.

(Fabio Gomes)

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Prêmio NelSONS homenageia Ana Fonteles

A cerimônia de entrega do 4º Prêmio NelSONS da Música Cearense (lembre-se, você pode votar até esta segunda, 6, no site www.nelsons.com.br) presta uma homenagem à cantora piauiense Ana Fonteles (1959-2004). Nascida em Parnaíba, morou em Fortaleza a partir de meados dos anos 70 até 1995, quando optou por viver nos Estados Unidos. Na capital cearense, junto com seus irmãos Zezé, Tim e Jabuti, também músicos, Ana integrou-se à vida cultural da cidade, então concentrada na praia de Iracema e nas noitadas do Cais Bar e do Estoril.

No começo dos anos 80, ela atuou no movimento Massafeira Livre, gravando em dupla com Ednardo e participando de discos de artistas como Petrúcio Maia, Stélio Valle, Calé Alencar, o mano Jabuti Fonteles, a dupla compositores cearenses Alano Freitas & Francis Valle, e também do livro de canções idealizado no Piauí sob a inspiraçãode Torquato Neto, "Geléia Gerou".

Seu primeiro disco solo, o independente Ana Fonteles, foi lançado em 1990. Gravado no Rio de Janeiro, teve participações de Sivuca (arranjos, regências e sanfona), Jorjão (baixo elétrico), Gilson Peranzetta (arranjo, regência, piano e teclados) e o grupo Boca Livre (vocais), entre outros. No repertório, mesclavam-se músicas de seus irmãos - "Quintal" (Jabuti - Zezé Fonteles) e "Papagaio Falante" (Jabuti - Aroldo Araújo - Amaro Penna - Álcio Barroso) - com outras de autores consagrados - "Talvez Seja Real" (Geraldo Azevedo - Fausto Nilo) ou mesmo desconhecidos do grande público - "Um Tal de Condor" (Ana Carla).

Ana liberou em 1994 duas faixas deste álbum, "Noites do Rio" (Caio Sílvio - Ricardo Alcântara) e "Pau dos Montes" (Amaro Penna - Eugênio Leandro), para o CD coletivo Compositores e Intérpretes do Ceará, lançado por um grupo que tentava organizar as atividades dos artistas da música em Fortaleza, o NUCIC (Núcleo de Compositores e Intérpretes Cearenses). Também tomaram parte neste CD parceiros e amigos de Ana, como Adauto Oliveira, Amaro Penna, André Lopez, Chico Pio, Cristina Francescutti, Dílson Pinheiro, Eugênio Leandro, Josie Daniel, Luis Fidélis, Marcvs Britto, Parahyba e a mana Zezé Fonteles.

Em 1995 Ana mudou-se para Nova York, conciliando a atividade musical com o trabalho numa agência de turismo. Não deixou, porém, de participar da movimentação musical cearense: sempre passava as férias em Fortaleza e gravava então várias participações em discos de amigos. A mais recente dessas participações foi no álbum Outra Esquina, de Felipe Cordeiro (2000), no qual ela interpreta ao lado de David Duarte, Edmar Gonçalves e Karine Alexandrino a canção "Elemental", da dupla (Francis Vale - Felipe Cordeiro). Ana Fonteles faleceu em 25 de julho de 2004, em Teresina, vitimada por um câncer no pâncreas. Seu irmão Tim Fonteles está coordenando o projeto de lançamento um CD inédito com gravações de Ana, já em fase de masterização.

(F. G.)

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Belô Velloso em alta nos Estados Unidos

A cantora e compositora Belô Velloso voltou ao Brasil no começo da semana passada, após fazer 30 shows em 28 cidades americanas nos últimos dois meses. A empresa Columbia Artists, que produziu a turnê, calcula que, do público total de 54 mil pessoas que ouviram Belô, 93% era de americanos. Em função disso, a empresa já a convidou para fazer em 2005 um CD exclusivo para o mercado americano, todo em português. Belô está pensando no assunto.

(F. G.)

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Baby e os terreiros do "Brasil Pandeiro"

Na recente reunião dos Novos Baianos para gravar o DVD alusivo aos 35 anos do grupo, Baby do Brazil não cantou o verso "Iluminai os terreiros" do samba "Brasil Pandeiro" (Assis Valente). Quem revelou o fato foi Paulinho Boca de Cantor em show realizado em Porto Alegre em 14 de novembro de 2004. Paulinho justificou o acontecido pela conversão da cantora à religião evangélica.

Posso assegurar à cantora anteriormente conhecida como Baby Consuelo que ela pode cantar o verso tranqüilamente. Os "terreiros" citados na letra nada têm a ver com candomblé. Assis Valente referia-se aos locais de ensaio das escolas de samba, conhecidos por muitas décadas como terreiros. Inclusive consagrou-se a expressão "samba de terreiro" para os sambas feitos por compositores ligados a escolas e que na maioria dos casos eram cantados só na comunidade, sem chegar à avenida (afinal, não eram sambas-enredo) ou mesmo ao disco.

A partir de meados dos anos 1960, com o aumento do interesse da classe média pelo universo do Carnaval, as escolas procuraram qualificar o espaço de ensaio, calçando as sedes que até ali eram de chão batido. É por isso que hoje você não ouve falar mais em terreiro e sim na quadra da escola de samba - daí o equívoco, plenamente compreensível, de Baby.

(F. G.)

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