Misture e Mande

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Mistura e Manda

Nº 79 - 13/12/2004

Canja de Izaías do Bandolim no Choro no Cofre

O bandolinista paulista Izaías Bueno de Almeida tocou cinco músicas com integrantes da Camerata Brasileira (Rafael Ferrari - bandolim, Luís Barcelos - violão de 7 e Ânderson Balbueno - pandeiro), durante a roda de choro deste sábado, 11, que integrava a Maratona de Choro promovida pelo Santander Cultural (Porto Alegre).

Das cinco, a melhor disparada foi "Murmurando" (Fon-Fon), em que o mestre improvisou com toda a categoria. Também se destacaram clássicos de Jacob do Bandolim: "Doce de Coco" e "Noites Cariocas". Em todas, Ferrari procurou tocar seu bandolim um pouco como banjo, para não embolar com o solista. Já na última, "Arranca Toco" (Meira), Izaías tocou com tanta velocidade que chegou a dar uma canseira na gurizada...

Izaías veio pela primeira vez a Porto Alegre, a convite do organizador da Oficina de Choro do Santander, o violonista Luiz Machado (do Grupo Reminiscências). Sua agenda na cidade se completou no domingo, 12, com apresentação no átrio do Santander, em que foi acompanhado por músicos locais (novamente Ânderson e Barcelos, mais Luiz Machado no violão de 6 e João Vicente no violão de 7).

(Fabio Gomes)

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Homenagem a Patativa do Assaré é o destaque no Prêmio NelSONS

O CD duplo Caixa Patativa ganhou cinco troféus (Melhor Disco de Música Popular Brasileira, Melhor Disco de Música Tradicional/Regional, Melhor Disco de Coletânea e Melhor Disco de 2003 e Melhor Produtor para Calé Alencar) no 4º Prêmio NelSONS, que apontou os melhores do ano na música cearense. Os prêmios foram entregues na terça, 7, no Centro Cultural Banco do Nordeste (Fortaleza).

Também se destacaram, conquistando quatro estatuetas cada, o cantor e compositor David Duarte (Melhor Intérprete Masculino, Melhor Compositor de Música Popular Brasil, Melhor Compositor de 2003 e Melhor Música de 2003 - "À Toa") e o instrumentista, produtor e arranjador Adelson Viana (Melhor Acordeonista, Melhor Instrumentista de 2003, Melhor Compositor de Música Instrumental e Melhor Arranjador de Teclados e Acordeon).

Os demais eleitos pelo voto dos internautas do site www.nelsons.com.br foram:

(F. G.)

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Discos recebidos

Agradecemos o recebimento dos CDs Facho de Luz (Niterói Discos), de Marcio Proença, e Augusto Martins Canta Djavan (Dabliú), que estaremos comentando oportunamente.

(F. G.)

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Ciumeira no Botequim

O poeta Vinicius de Moraes era muito ciumento em relação a seus parceiros musicais. No final dos anos 1950, ele procurava evitar a todo custo que Tom Jobim conversasse mais com Ronaldo Bôscoli, temendo uma "traição"... Mais tarde, quando seu parceiro mais constante era Toquinho, Vinicius alertou ao jovem violonista:

- Parceria é como casamento, só que sem sexo.

Era difícil, porém, ao poeta evitar que Toquinho compusesse com outros parceiros. Até porque, durante parte dos anos 1970, Vinicius tinha contrato com a Philips, enquanto Toquinho permanecia na RGE, onde lançou um LP solo, Boca da Noite (1974), além do disco Botequim (1973), em que canta com Marlene as músicas que escreveu para duas peças de Gianfrancesco Guarnieri, em parceria com o autor: Castro Alves Pede Passagem (1971) e Botequim (1973). A primeira se valia do pano de fundo da campanha abolicionista promovida pelo poeta baiano no século XIX para alfinetar a ditadura; já na segunda, retratava-se a omissão e a cautela que o regime militar provocava na população (tudo com muito sutileza).

Nas duas peças e no disco, a questão do ciúme autoral esteve muito presente. Guarnieri, no texto da contracapa do LP, relatava o ciúme que sentira quando Toquinho escreveu em poucos minutos a letra de "Canção do Medo" e mais ainda quando resumira em poucos versos o que Guarnieri não conseguia dizer na canção que encerra o disco: "Bobeou, Não Vai Entender". Na última frase, Toquinho fala da "traição": "Agora eu peço perdão ao Vinicius de Moraes/ Por essa traição com um cara que é demais/ Um bom parceiro, poeta fora de série,/ Um ator tão badalado: Gianfrancesco Guarnieri."

Já na peça Castro Alves Pede Passagem, Toquinho tentou prevenir-se da ciumeira convidando Vinicius para fazer a letra da "Modinha" - que o Poetinha fez à maneira do próprio Castro Alves, com versos como: "Mulher, abre a tua janela/ Aqui vela o teu trovador/ Que em prantos soluça/ Os seus últimos cantos/ Ao nosso amor." A um pedido de Toquinho a Guarnieri, esta música foi escolhida para abrir a peça. Mais tarde, em depoimento a seu irmão, João Carlos Pecci, para o livro Toquinho - 30 Anos de Música (Maltese, 1996), o violonista revelou que a estratégia dera certo:

- Guarnieri ficou contente e o pouco ciúme (de Vinicius) que restou se diluiu em algumas doses de uísque...

(F. G.)

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