Misture e Mande

Arquivo

Mistura e Manda

Nº 82 - 3/1/2005

Balanço de 2004

Tivemos um ano fantástico, em que vimos nossa média de visitas diárias passar de 26 para 76. Mensalmente, têm acessado o Brasileirinho mais de 8 mil pessoas de 23 países da América, Europa e Ásia. Pela primeira vez, fomos lidos por internautas da Áustria, Bélgica, Canadá, Guiana, Holanda, Hungria e República Dominicana. Obrigado pela preferência!

2004 ficará em nossa história por termos sido finalistas do Prêmio Rodrigo Mello Franco (Iphan/MinC) como melhor ação feita no Rio Grande do Sul de divulgação da cultura brasileira. Também foi o ano em que consolidamos uma oferta de cursos e palestras, na Fundação dos Administradores do Rio Grande do Sul, com o projeto Tea+R, e iniciamos uma série de apresentações de artistas porto-alegrenses que cultivam a música brasileira, na Noite do Brasileirinho do Kant Bar.

(Fabio Gomes)

***

Bloqueios de Elis

O possível veto que Tom Jobim teria feito a Elis Regina na gravação do LP Pobre Menina Rica (CBS, 1964) foi um dos temas da entrevista de 1993 do maestro ao programa Roda-Viva (TV Cultura), reapresentada na segunda, 27. Um dos entrevistadores citou uma frase que, segundo Ruy Castro, Tom teria dito na ocasião: "Essa gaúcha ainda está cheirando a churrasco". Tom desconversou, alegando gostar de churrasco...

Na verdade, quem "vetou" Elis foi ela mesma, pois não conseguiu cantar durante o teste. Ao longo da vida, Elis passou por várias situações de bloqueio, sempre associadas a grandes passos na carreira. Quando foi fazer esse teste, em 1964, Elis estava morando há apenas dois dias no Rio de Janeiro e viu-se diante de um projeto que reunia pesos pesados da música brasileira, como Tom, Vinicius de Moraes e Carlos Lyra. Também foi assim em 1952, quando, com 7 anos, foi até a Rádio Farroupilha (Porto Alegre) participar do programa Clube do Guri e não conseguiu cantar nem falar. Ela só recebeu uma nova oportunidade 4 anos mais tarde e aí não só cantou como em pouco tempo passou de secretária do programa a contratada para o elenco fixo da emissora.

O último bloqueio Elis conseguiu superar em tempo. Foi em 19 de julho de 1979, ao participar do Festival de Montreux (Suíça). Ela não chegou a ficar sem voz, mas o nervosismo a dominou durante o início do show, como fica claro em seu disco Montreux Jazz Festival (lançado em 1982). Felizmente, ela recuperou-se durante a apresentação e encerrou o espetáculo ovacionada.

(F. G.)

***

Cyregina

Todas as integrantes originais do Quarteto em Cy tinham o nome começado em "Cy". As quatro (Cyva, Cybele, Cynara e Cylene) eram irmãs, nascidas em Ibirataia (BA), e certamente seus pais gostavam de nomes assim. O prefixo incomum fez com que Vinicius de Moraes sugerisse o nome do grupo quando elas passaram a atuar no Rio de Janeiro, em 1963. Elas já haviam cantado juntas na TV Itapuã (Salvador) antes de 1959, quando Cyva mudou-se para o Rio, mas o grupo não tinha nome. Em Salvador, era como se fosse apenas uma reunião das duplas Cynara & Cylene e Cyva & Cybele, que cantavam na noite soteropolitana; mas, consolidando-se o quarteto no Rio, realmente precisavam de uma identificação.

Quando Cylene saiu do grupo em 1966, uma dúvida acometeu suas irmãs: o prefixo que elas herdaram da família deveria ser adotado pela nova integrante, Regina? Na época, elas acharam que sim, de forma que Regina passou a se chamar Cyregina. Outras cantoras que entraram mais tarde já tinham "Cy" no nome: Cynthía e Cymiramís. Elas substituíram Cynara e Cybele em 1968, quando o Quarteto mudou-se para os Estados Unidos, onde atuou dois anos até acabar.

Já a partir do reinício do grupo, em 1972, quando Cyva voltou ao Brasil, o critério para entrar no quarteto passou a ser apenas qualidade musical, sem que fosse necessário a cantora ter nome começado com "Cy". Sorte das novas integrantes Dorinha e Sônia. Dorinha Tapajós já é falecida, enquanto Sônia continua no grupo, junto com as pioneiras Cyva, Cybele e Cynara.

(F. G.)

Copyright © 2004. É proibida a reprodução total ou parcial do conteúdo do Brasileirinho para fins comerciais.