Brasileirinho - PrincipalMisture e Mande

Arquivo

Mistura e Manda

Nº 89 - 21/2/2005

Dez Noites do Brasileirinho

O show de Daisy Folly & Cristina Leipnitz no Kant Bar (Porto Alegre), na segunda, 14, marcou o encerramento do projeto Noite do Brasileirinho. Em dez segundas, tivemos a presença de artistas de várias gerações que representam o que de melhor se está fazendo na música brasileira em Porto Alegre - Clube do Choro, Macambira, Dudu Sperb & Toneco da Costa, Camerata Brasileira, Flor de Ébano, Tiago Piccoli e Luíza Caspary & Ianes Gil Coelho.

A todos estes artistas, ao público que se fez presente, à imprensa e aos que colaboraram na produção, na divulgação, na parte técnica e no etc. e tal, o nosso MUITO OBRIGADO!

Quem foi pode recordar (e quem não foi pode ter uma idéia d)o que rolou no Kant através do material que colocamos na página do projeto, com release dos grupos e links para fotos dos shows.

(Fabio Gomes)

***

Por que Pixinguinha?

Será que um dia alguém chamou Pixinguinha de "Alfredo"? Imagina-se que sim, afinal, seu nome de batismo era Alfredo da Rocha Vianna Filho. Mas a impressão que dá é que ele sempre foi Pixinguinha.

A própria família só o tratava por "Pinzindim", mesmo depois da consolidação do nome "Pixinguinha". Seria assim que uma avó africana o chamava, disse ele em depoimento ao Museu da Imagem e do Som. Pixinga acrescentou que Almirante descobrira que "Pinzindim" significaria menino bom em um dialeto africano (qual?) - a versão ficou consagrada no samba-enredo "O Mundo Melhor de Pixinguinha" (Evaldo Gouveia - Jair Amorim - Velha), que a Portela cantou no desfile de 1974. A "Pinzindim" teria se somado outro apelido, "Bexiguinha", como ele afirmou ser chamado quando teve "bexiga" (ou seja, varíola). Sinceramente, ao ver fotos de Pixinguinha não consigo identificar as marcas que a varíola deixa no rosto.

O jornalista Sérgio Cabral, no livro Pixinguinha - Vida e Obra (Lumiar, 1997), questiona esta explicação. Informa que irmãs de Pixinga, após o falecimento do músico, negaram que a avó o chamasse assim, e muito menos falasse enrolado (outra coisa que se ouve muito). Uma prima dele, Eurídice, mais conhecida como Santa, é que o "batizou" Pinzindim. Já a questão do dialeto africano foi resolvida pelo compositor e escritor Nei Lopes. Numa língua falada em Moçambique, a xi-ronga (ou landim), Nei localizou a palavra psi-di, significando não menino bom, e sim comilão ou glutão. Fecha perfeitamente com outro apelido de infância do autor de "Carinhoso": Carne Assada. Além de ser o nome de seu prato predileto, foi também o título de um choro seu gravado pelo Choro Carioca em 1913 (ou 14).

(F. G.)

***

Pixinguinha - um apelido, várias versões

O nome "Pixinguinha" já foi escrito das mais variadas formas possíveis. A gravadora Odeon insistia em apontar seu conjunto como Grupo do Pechinguinha em discos lançados em 1917, 1919 e 1922. Se O Rio Jornal, em 1919, não conseguia acertar nem o nome de uma valsa ("Evocação", mais tarde "Rosa", foi chamada de "Invocação"...), que dirá o nome do autor - Pichinguinha. Já o Jornal do Brasil destacava em 1915 o "mestre flautista Pixingui". Mais de uma década depois, em 1926, a revista Careta ainda o tratava por Pinxinguim. Mas a versão, digamos, mais criativa foi cometida pela revista O Malho em outubro de 1915, quando falou do "afamado Peixiquinha".

(F. G.)

Copyright © 2005. É proibida a reprodução total ou parcial do conteúdo do Brasileirinho para fins comerciais.