Brasileirinho - PrincipalMisture e Mande

Arquivo

Mistura e Manda

Nº 92 - 14/3/2005

Novidades no Brasileirinho

Entrou no ar na segunda, 7, nosso artigo A Música Livre de Hermeto Paschoal, comentário sobre recente show do mago do som em Porto Alegre.

(Fabio Gomes)

***

Alquimias musicais de Jorge Ben Jor

Falando no mago Hermeto, vem à mente outro alquimista sonoro: Jorge Ben Jor. Não só por seu famoso disco dedicado totalmente à antiga ciência (A Tábua de Esmeraldas, 1974). Compor-tocar-cantar para Jorge parece ser uma alquimia permanente. Senão, vejamos o exemplo de 4 músicas que ele incluiu no CD 23 (1993).

Três das músicas foram lançadas no mesmo ano por Gal Costa no CD O Sorriso do Gato de Alice (recomendo! Aliás, 23 também): "Eu Vou lhe Avisar", "Alkahool" e "Bumbo da Mangueira". Esta foi a única que no disco de Jorge manteve o mesmo título - as outras passaram a ser, respectivamente, "Goleiro (Eu Vou lhe Avisar)" e "Alcohol".

No disco da baiana, "Goleiro" contou com a participação do próprio Jorge ao violão. A convite de Gal, o carioca retomava assim um antigo costume de participar das gravações de suas músicas por outros artistas, que fazia com freqüência na virada das décadas de 1960/70 (sua presença é facilmente reconhecível em discos de Gal, Caetano Veloso, Os Mutantes e Originais do Samba) - além de voltar a tocar violão em estúdio, o que não fazia desde 1975!!! Depois disso, só voltou ao velho instrumento no CD duplo Acústico MTV (2002). Esta gravação começa com Jorge falando: "É funk então!", passando Gal a cantar os versos. A terceira estrofe termina com "Trivial, alguém esqueceu um guarda-chuva aqui". Depois de repetir todas as estrofes anteriores, o último verso já é "alguém esqueceu uma bola de cristal". Já na gravação de Jorge, os mesmos versos são, na primeira vez, "alguém esqueceu a bola de cristal" e, na segunda, "novamente esqueceram a bola de cristal". Na parte falada do final, inclusive, Jorge cita a viagem de Gal com o produtor Arto Lindsay ("aquele americano-pernambucano") a Nova York para gravar "Goleiro".

"Bumbo da Mangueira" também segue a mesma estrutura nas duas versões. Mas a última estrofe não-repetida em Gal inicia com: "Benjor avisou pra ela não sambar sem sutiã...", ao passo em que em seu disco o próprio Benjor canta: "Eu já avisei pra ela não sambar sem sutiã...". Na sua gravação, aliás, Jorge mostra seu insuspeitado lado de partideiro, improvisando à vera e transformando essa homenagem à Estação Primeira num samba de partido-alto.

Embora ninguém em sã consciência fosse afirmar que "Alkahool" e "Alcohol" são músicas diferentes, ouvir uma depois da outra evidencia uma série de sutis alterações. A gravação de Gal começa com a estrofe "Por que o céu é água marinha, por que o mar é esmeralda..." e, depois da segunda ("Por que você não vem me dar um beijo..."), já entra o refrão ("Água de beber, água de benzer, água de tomar/ Alkahool só para desinfetar..."). Gal segue cantando o refrão a cada duas estrofes. Depois de fazer isso três vezes, recita as estrofes que começam com os versos "Aquele homem, aquele santo homem..." e "Subir, descer, entrar, sair...", e volta a cantar o início da composição. Benjor, além de iniciar com o refrão, repete-o a cada quatro estrofes. Há inclusive um verso a mais no refrão - ("O mago mandou avisar") -, mas só no começo e no fim da gravação. Ah, as estrofes recitadas por Gal são cantadas por Jorge.

A quarta música, "Cowboy Jorge", saiu originalmente no LP Benjor (1989). Em 23, Jorge acelerou o ritmo - a gravação original é mais lenta -, incluiu metais suingantes e criou novos versos: "Cowboy Jorge...", "Ogum, ogã, Ogum...", que colocou no início e no final da música, e "Axé, axé babá...", que reservou para o final.

(F. G.)

***

Karine a mil

A cantora e compositora Karine Cunha anda a mil. Na semana que passou, fez duas apresentações de seu novo show, Yá-Lé ("mulher favorita", em iorubá), terça, 8, em Novo Hamburgo e sexta, 11, em Porto Alegre. Já no sábado, estreou a peça infantil O Rei Leão, na qual ela fez a preparação vocal do elenco, com maioria de de atores não-profisssionais. Tudo isso em meio aos preparativos para o lançamento de seu primeiro CD, que deve acontecer em junho.

(F. G.)

***

Elis, 60 anos

Na quinta, 17, Elis Regina faria 60 anos. Embora façam 23 anos que nos deixou, ela parece que "está mais viva do que nunca", como falou Nelson Motta, na entrevista que nos concedeu em 2002. Três exemplos:

1 - Sua popularidade, longe de declinar, vem aumentando consideravelmente entre jovens que nem eram nascidos quando ela morreu.

2 - Um cantor ou cantora que hoje resolva interpretar qualquer música que Elis gravou sabe que a comparação é inevitável.

3 - Dois dos compositores que ela mais gravou, Milton Nascimento e Ivan Lins, afirmaram várias vezes que continuam compondo para ela. Milton, inclusive, numa entrevista à TV Cultura disse que sonhou diariamente com Elis durante anos seguidos, a partir daquele fatídico 19 de janeiro.

(F. G.)

Copyright © 2005. É proibida a reprodução total ou parcial do conteúdo do Brasileirinho para fins comerciais.