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Mistura e Manda

Nº 93 - 21/3/2005

Elis, 60 anos (2)

Elis Regina recebeu no decorrer da semana do seu 60º aniversário homenagens à altura de sua cidade natal (Porto Alegre) e do veículo onde iniciou a carreira (o rádio). A Rádio Gaúcha, emissora onde Elis assinou seu primeiro contrato como profissional, em 1959, abriu as comemorações com uma edição especial do Gaúcha Entrevista já na segunda, 14, com as presenças dos radialistas Glênio Reis e Ari Rego. Na quarta, 16, foi a vez do jornalista Juarez Fonseca retornar ao programa com Glênio. Lô Borges, que foi lá na quinta, 17, para divulgar seu show no Abbey Road, também aproveitou para falar da única vez em que falou com Elis - encontraram-se por acaso no estúdio da EMI, no dia em que ela gravou "Trem Azul". Glênio Reis culminou as homenagens com uma edição especial do Sem Fronteiras, no sábado, 19, com apresentação de músicas inéditas homenageando a cantora maior, compostas especialmente para o programa por Paulo de Freitas Mendonça e Raul Quiroga, entre outros, além de depoimento gravado de Jerônimo Jardim e as presenças de Ari Rego, Guilherme Braga e Sérgio Napp. Napp aproveitou para anunciar que foi obtido patrocínio para a criação do Acervo Elis Regina na Casa de Cultura Mário Quintana. O memorial deve ser inaugurado em outubro.

Destaco ainda o programa da TVE Frente a Frente, na quinta, 17, com Ari Rego contando o início da carreira de Elis no Clube do Guri da Rádio Farroupilha em 1957. Na emissora de rádio da Fundação Cultural Piratini, a FM Cultura, coube a mim a agradabilíssima tarefa de falar da carreira de Elis e de sua permanência na mente das novas gerações, no programa Estação Cultura, também na quinta, 17.

(Fabio Gomes)

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Jongo do Quilombo São José recebe prêmio de Direitos Humanos

O Jongo do Quilombo São José recebe nesta segunda, 21, às 14 horas, a Medalha Estadual de Direitos Humanos Australgésio de Athayde, concedida pelo governo do estado do Rio de Janeiro. Trata-se da mais alta honraria dos Direitos Humanos do Estado do Rio.

O Jongo do Quilombo foi escolhido para receber a medalha pela importância de seu trabalho social local de agricultura, educação e turismo e de preservação e divulgação dos seus patrimônios culturais (jongo, umbanda e calango) realizados pela Associação de Moradores do Quilombo São José, em Valença (RJ). O quilombo, existente há 150 anos, reúne atualmente uma comunidade de 200 negros, que preservam suas ricas tradições. Esta comunidade não possuía luz elétrica até um ano atrás.

As tradições culturais do Jongo do Quilombo podem ser conhecidas através de um CD-livro lançado pelo SESC Rio - Som. Para adquiri-lo, entre em contato pelo fone 21-3852-0043 (Associação Brasil Mestiço, Rio de Janeiro). A renda dos CDs-livro é revertida para os projetos sociais do Quilombo São José.

(F. G.)

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Mudanças na Camerata Brasileira

Ânderson Balbueno, Rafael Mallmith e Luís Barcelos acertaram sua saída da Camerata Brasileira no início deste mês. Os três pretendem deixar Porto Alegre em breve, fixando residência no Rio de Janeiro. Como as transferências devem ocorrer em datas diferentes, é pouco provável que eles formem um trio na Cidade Maravilhosa - mas a idéia também não está descartada. Afinal, tocando juntos há mais de dois anos, eles têm um excelente entrosamento, o que ficou cabalmente demonstrado na roda de choro que os três fizeram no Café do Cofre (Santander Cultural, Porto Alegre) no sábado, 19.

O trio já tem presença confirmada nas comemorações do Dia Nacional do Choro (Mercado Público), em 22 de abril, participando do show coletivo e também integrando o júri do Concurso de Choro de Porto Alegre. Aliás, o prazo de inscrições foi prorrogado até o dia 31.

A atual formação da Camerata Brasileira é a seguinte: Moysés Lopes (violão), Rafael Ferrari (bandolim), Rodrigo Siervo (saxofone) e Demetrius Câmara (percussão).

(F. G.)

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Criado Clube do Choro de Florianópolis

Florianópolis é a mais nova capital brasileira a ganhar um Clube do Choro. As apresentações oficiais do Clube ficam a cargo do grupo composto por Wagner Segura (violão 7), Luiz Sebastião Juttel (violão), Rogério Piva (bandolim), Chico Camargo (cavaquinho), Tayrone Mandelli (sax e flauta) e Eduardo Costa (pandeiro). Wagner também é compositor e arranjador, além de ser o diretor-presidente do Centro Musical Wagner Segura. Outro grupo que participa do clube é o Trio Butiá: Weslley Risso (guitarra acústica), Alexandre Vicente (baixo) e Victor Camargo (bateria). A proposta musical vai de Tom Jobim e Hermeto Pascoal, a Astor Piazzolla, Wayne Shorter e Gonzalo Rubalcaba.

O Clube tem o apoio do Instituto Aldo Krieger, Fundação Franklin Cascaes, Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC) e Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

O presidente do Clube do Choro é um colaborador de longa data do Brasileirinho: João Randolfo Pontes, autor do texto Jorge Cardoso Trio no SESC Brasília.

(F. G.)

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Manifesto Arte contra a Barbaridade

Movimentos para sacudir a inércia

O Manifesto Arte contra a Barbaridade, a exemplo do Manifesto Arte contra a Barbárie assinado na cidade de São Paulo, tem por objetivo discutir e apresentar alternativas a questões ligadas à política cultural.

Os Grupos permanentes de Teatro e Dança somados a Artistas independentes na cidade de Porto Alegre, erguem sua voz em protesto:

É urgente a criação de mecanismos regulares que assegurem a pesquisa, reflexão, transmissão, circulação de espetáculos, bem como a estruturação de espaços culturais que abarquem as necessidades reais da população. Entende-se aqui como necessidade, a construção de uma cultura participativa, orgânica, transgressora dos valores éticos e estéticos decorrentes de uma colonização histórica que determina relações de dominação até hoje. Não se pode mais ignorar o descompasso entre as necessidades criadas pelos investidores culturais ditadas pelo interesse do capital privado e as necessidades básicas da maior parte da população.

Diante disto, nos organizamos, afirmando que, se cultura é cultivo, há a necessidade primordial de terra – espaços criativos que possibilitam o aprofundamento das relações humanas, o enraizamento, a busca da origem, frutificando reflexões críticas e a expressão do imaginário dos cidadãos. O Movimento aponta para as seguintes ações:

Este manifesto reafirma nosso compromisso ético com a continuidade de uma arte não distanciada da realidade e pluralidade expressiva do Brasil, representante de uma cultura verdadeira e libertadora.

Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, Cia Terpsí Teatro de Dança, Depósito de Teatro, Falos e Stercus, Cia Teatro di Stravaganzza, Teatro Íntimo - Núcleo de Experimentos, Oigalê CAT, Ameixa Fúcsia, Corpo Estranho, Teatro Ofídico, Muovere Cia de Dança, Grupo dos Cinco, Grupo Mangericão, Cia Firuliche, Grupo Enganadores, Grupo Povo da Rua, Cia Gente Falante Teatro de Bonecos, Teatro Lumbra, Usina do Trabalho do Ator, Grupo Artéria e Zezão da Terreira

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