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Mistura e Manda

Nº 97 - 18/4/2005

Novidades no Brasileirinho

Colocamos no ar no domingo, 17, quatro desenhos de Juliana Cupini, retratando Castro Alves, Gilberto Gil, Milton Nascimento e Djavan. Já na sexta, 15, dividimos com nossos leitores o texto de Vera Barbosa, Maria Bethânia em um Tempo que não Passa, sobre o espetáculo Tempo, Tempo, Tempo, Tempo com que a baiana homenageia Vinicius de Moraes e que está em turnê pelo Brasil. O texto de Vera foi publicado originalmente no site ZiriGuidum.

(Fabio Gomes)

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Sobre o Dia Nacional do Choro

Sancionada e publicada no Diário Oficial de 5 de setembro de 2000, a Lei Federal 10.000/2000 estatui:

"Art. 1º É instituído o 'Dia Nacional do Choro', a ser comemorado anualmente no dia 23 de abril, data natalícia de Alfredo da Rocha Viana Júnior, Pixinguinha.

Art. 2º Esta lei entra em vigor na data de sua publicação."

O projeto de lei é de autoria do senador Artur da Távola, e foi originado por iniciativa do bandolinista Hamilton de Holanda e de seus alunos na Escola de Choro Rafael Rabello, em Brasília.

(Moysés Lopes, Camerata Brasileira)

N.R: Reproduzimos o texto exato da lei, embora nele o nome de Pixinguinha esteja incorreto. Na certidão de batismo, ele foi registrado como Alfredo da Rocha Viana (um 'n' só) Filho; já em seu registro de nascimento, consta apenas Alfredo da Rocha Vianna - ou seja, em nenhum dos dois ele era Júnior.

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O II Festival da Velha Guarda

Embora a comemoração oficial do Dia Nacional do Choro tenha começado só em 2001, após a lei acima, na prática os dois Festivais da Velha Guarda, acontecidos em São Paulo na década de 1950, devem com justiça ser apontados como seus precursores.

Após o primeiro Festival, em 1954, durante o Quarto Centenário de São Paulo, impunha-se a realização do segundo em abril de 1955. Novamente foi uma promoção da Rádio Record organizada pelo radialista Almirante, que estava envolvido com os preparativos já em janeiro. Tanto que, contratado pela Rádio Nacional (Rio de Janeiro), comunicou aos novos patrões que só começaria a trabalhar após o evento. O compositor J. Cascata ficou responsável por convocar os artistas cariocas, que foram a São Paulo das mais variadas formas (trem, automóvel, avião e em um ônibus fretado especialmente pela Record). Max Gold, da Revista do Rádio, ficou responsável pela delegação de jornalistas, que incluiu o cartunista-compositor Nássara (Última Hora) e Mário Cabral (Tribuna da Imprensa), entre outros.

Foram três dias de muuuuuuuuito choro. Pixinguinha, o Pessoal da Velha Guarda (Bide da Flauta não foi dispensado do serviço no Superior Tribunal Militar para viajar e foi substituído por Patapinho), o compositor Bororó, os cantores Paulo Tapajós, Gilberto Alves, Augusto Calheiros, Elisinha Coelho, os instrumentistas Sebastião Cirino, Carolina Cardoso de Menezes, Dilermando Reis, Nélson Souto e Radamés Gnattali apresentaram-se em vários dias seguidos. Sérgio Cabral informa no livro No Tempo de Almirante (Francisco Alves, 1990) que os shows foram na seguinte ordem: primeiro dia, Largo da Concórdia (Brás); no segundo, Teatro Colombo; e no terceiro, Clube dos Artistas (o Clubinho). Já no livro Pixinguinha - Vida e Obra (Lumiar, 1997), o mesmo autor informa que a seqüência correta teria sido: Rádio Record (1º dia); Clubinho (2º dia); Teatro Colombo (3º dia); além de um grande espetáculo no parque do Ibirapuera no encerramento. Seja como for, a animação foi a mesma do ano anterior. Para se ter uma idéia, a festa no Clubinho foi até as seis da manhã. De lá, os músicos foram para o bar ao lado do hotel onde estavam hospedados os cariocas (o Andes, na rua do Gasômetro, também no Brás), onde a festa continuou até as oito. Um dos destaques da semana foi a demonstração de sapateado a cargo de Donga e João da Baiana. (O teatro, ou melhor, Cine-Teatro Colombo também ficava no Brás, perto do Largo da Concórdia. A qualidade de acústica era considerada semelhante ao Scala de Milão. Várias companhias de ópera se apresentaram lá, além de artistas populares como Inezita Barroso, Amácio Mazzaropi e Adoniram Barbosa. O prédio hoje não existe mais.)

Houve desdobramentos do festival ao qual o grande público não teve acesso, como a festa na casa do diretor da Record, Paulo Machado de Carvalho, à qual compareceram o cartunista Lan, o humorista Barão de Itararé, o pintor Di Cavalcanti, o jornalista Lúcio Rangel e as cantoras Linda e Dircinha Batista. Na ocasião, Almirante cantou a pedido da jornalista Mag (do Diário de Notícias). O radialista vinha cantando esporadicamente, como fizera em janeiro no programa Na Batida do Samba, de Sérgio "Stanislaw Ponte Preta" Porto. Sem gravar profissionalmente desde 1943 (salvo um disco isolado em 1950), ninguém imaginava que ele seria convidado ainda em 55 pela Sinter a voltar aos estúdios para fazer seu único LP solo, Almirante, além de participar de outros dois, A Velha Guarda e O Carnaval da Velha Guarda - todos com direção musical de Pixinguinha.

Por que não houve o III Festival em 1956? Muito provavelmente porque Almirante saíra da Record no final de 55.

(F. G.)

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Ismael participou dos Festivais da Velha Guarda?

O sambista Ismael Silva participou dos dois discos coletivos citados acima, A Velha Guarda e O Carnaval da Velha Guarda, bem como do LP intitulado Festival da Velha Guarda (Sinter, 1956). Talvez por isso, alguns autores mencionam que ele teria se apresentado em ao menos um dos Festivais da Velha Guarda (o de 1955). Costuma-se atribuir a este fato seu retorno ao cenário artístico nos anos 50.

Não localizei nenhuma evidência da presença de Ismael em São Paulo em nenhum dos dois festivais. Sua biógrafa Maria Thereza Mello Soares, no livro São Ismael do Estácio - O Sambista que Foi Rei (Funarte, 1985), assim fala da ligação de Ismael com o festival: "O espetáculo, exibido com sucesso na capital paulista e muito comentado pela imprensa, despertou o interesse dos estudiosos da música popular brasileira, que escreveram vários artigos e biografias exaltando intérpretes e compositores de samba, alguns deles valorizando particularmente Ismael Silva - fazendo justiça e enaltecendo sua participação em nossa música popular."

Ou seja, foi a partir do interesse em geral por músicos considerados da Velha Guarda que Ismael recebeu o convite para estrelar o show O Samba Nasce do Coração, produzido em 1955 por Zilco Ribeiro para a boate Casablanca, e também para cantar algumas faixas nos LPs citados - além de gravar dois discos solo, O Samba na Voz do Sambista (Sinter, 1955) e Ismael Canta Ismael (Mocambo, 1956).

(F. G.)

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Belotur escolhe comissão do carnaval 2006

Estamos em meados de abril. Parece muito cedo para falar do carnaval do ano que vem? Belo Horizonte não acha. Na terça, 12, a LIAC (Liga Independente das Agremiações Carnavalescas) e lideranças das escolas de samba, blocos caricatos, carnavalescos e afro, bandas carnavalescas, bailes populares e corso carnavalesco elegeram a comissão que vai tratar do assunto.

Integram a comissão os diretores da Belotur Tadeu Martins (Eventos) e Marco Aurélio Penzin (Projetos); o gerente de eventos da Regional Norte (onde se localiza a Via 240, local do desfile) Marcelo Gonçalves Fonteboa; o presidente da LIAC, Carlos Eugênio Demétrio; e representando as escolas de samba, Mestre Affonso (colaborador do Brasileirinho), Carlos Alberto Damasceno (Canto da Alvorada) e Wanderlei Antônio dos Santos (Unidos do Onça); pelos blocos caricatos, Sonia Maria Pereira (Aflitos do Anchieta) e Itamar Magioli Maciel (Satã e seus Asseclas); pelos blocos carnavalescos, Simeão Firmino Domingos (Piratas do Araguaia); pelos blocos afro - Rosângela Goulart (Aruê das Gerais); e pelas bandas carnavalescas, Alcivando Lúcio Peres da Cunha (Santo Bando). A primeira reunião da comissão acontecerá na terça, 19.

Mais novidades vêm por aí. Penzin sugeriu a formação do Conselho Construtivo do Carnaval, para receber idéias, sugestões, críticas de todos os segmentos relacionados com as atividades carnavalescas da cidade.

(F. G.)

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Coral BDMG na Estrada Real

O Coral BDMG vai percorrer a Estrada Real em Minas Gerais, de abril a outubro. Em cada uma das 12 cidades visitadas (Catas Altas, Seminário do Caraça, Conceição do Mato Dentro, Diamantina, Juiz de Fora, Matias Barbosa, Nova Lima, Prados, Santa Bárbara, São Brás do Suaçuí, São Lourenço e Serro), o coral, sob regência do maestro Arnon Sávio Reis de Oliveira, fará concertos de músicas sacras compostas no século XVIII e início do século XIX nas cidades históricas mineiras.

Os concertos serão precedidos de apresentação explicativa das peças (elaboração, compositor e sua inserção na cultura musical e na história de sua época). Destacam-se os compositores setecentistas mineiros Manoel Dias de Oliveira, Joaquim José Emerico Lobo de Mesquita, Marcos Coelho Neto e Antônio Lopes Serino. Piano, teclado e orquestra vão se alternar no acompanhamento ao coral.

O lançamento do projeto acontecerá na Segunda Musical do Teatro da Assembléia Legislativa de Minas Gerais (Belo Horizonte), na segunda, 18, às 19h (grátis).

(F. G.)

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Grupo sem discussão

Nesta semana, deixamos durante alguns dias um link na página principal convidando os leitores a integrarem nosso grupo de discussão. Algumas das promessas do provedor, no entanto, não foram cumpridas, tais como permitir que a pessoa participasse com seu próprio e-mail (só poderia entrar se criasse uma nova conta). Sem falar que os arquivos foram tirados do ar sem qualquer explicação durante algumas horas da sexta, 15. Em função disso, optamos por não seguir com o grupo. Os leitores que haviam se inscrito já foram avisados, de forma que cremos que não houve maiores prejuízos para ninguém.

(F. G.)

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