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BRASILEIRINHO, 2 ANOS

Por Fabio Gomes

 

Para assinalar o 2º aniversário do Brasileirinho - A Sua Página de Música Brasileira, em 17 de outubro de 2004, apresentamos aos leitores o texto que, enviado junto à inscrição, originou a indicação do site como finalista do Prêmio Rodrigo Melo Franco 2004 (Iphan/Ministério da Cultura). Atualizamos o texto, escrito originalmente em junho de 2004.

O corre-corre diário, muitas vezes, não nos deixa perceber claramente as coisas que nos acontecem. Num dado momento, quando temos (ou forçamos) uma pausa para analisar uma determinada realização nossa, constatamos que é como se tivéssemos nos preparado para ela a vida toda. Assim, o Brasileirinho é conseqüência direta de minha formação.

Nascido em Porto Alegre em 1971, fui criado a partir dos 5 anos numa cidade do interior gaúcho, Bento Gonçalves, onde ouvia os grandes nomes da música popular brasileira (a maioria no auge de sua capacidade criativa) pelo rádio, principalmente nas emissoras da capital: Guaíba, Farroupilha e Gaúcha. Nesta, brilhava o radialista Glênio Reis com seu Gaúcha Dá Samba e um Pouco de Tudo. Glênio realmente cumpria o que o título do programa prometia, tocando artistas de todas as épocas e de várias tendências. Eram freqüentes seus especiais contando a vida de compositores como Noel Rosa, Custódio Mesquita, Ataulfo Alves e outros.

A Guaíba, nos dias de Carnaval, suspendia sua programação normal e executava sambas e marchas que haviam sido sucessos carnavalescos a partir dos anos 1930, numa seleção de Fernando Veroneze - de quem, mais adiante, vim a ouvir o Noturno Guaíba, com sucessos populares brasileiros e latino-americanos das décadas de 1920 a 1950, com pouco texto.

Também havia, em cadeia nacional de emissoras, o Projeto Minerva, onde o veterano Paulo Tapajós transmitia o Domingo Musical, com proposta semelhante ao do Noturno Guaíba, com mais locução e sem a parte latino-americana.

Desta forma, eu tinha acesso fácil não apenas ao melhor da produção dos anos 70-80, como também à memória das décadas anteriores, podendo ver com clareza como a evolução só podia acontecer a partir de uma base sólida anterior. Como também sempre li muito, era lógico que entre os vários temas que me interessavam estivesse a música brasileira, por meio de autores como Ruy Castro, Sérgio Cabral, Tárik de Souza, Almirante e José Ramos Tinhorão. Também era natural que, decidido a cursar Jornalismo, eu me propusesse a trabalhar com esse tema.

MPB Especial

Comecei o curso de Jornalismo na Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) em 1990, mesmo ano em que, em Bento Gonçalves, ingressei na Rádio Revista (hoje Rádio Bento Gonçalves), da rede Serrana, produzindo e apresentando nos sábados de julho de 1991 a janeiro de 1992 o programa MPB Especial - eu desconhecia que, nos anos 70, Fernando Faro produzira um programa com este nome para a TV Cultura de São Paulo. Na época, focado mais na variedade, eu rodava músicas de diversos gêneros, do samba ao rock, passando por alguns sertanejos e uma que outra lambada, além de destacar o repertório regionalista gaúcho. Para ganhar a colaboração dos operadores de áudio, desacostumados a programas como o meu, com roteiro escrito e intensa troca de discos o tempo inteiro, intitulei o último programa do mês como LP em Destaque (o CD ainda não era o formato dominante...). Ao menos neste dia o operador sabia que só iria tocar um disco, comentado por mim num formato que mais adiante a MTV usaria no programa Faixa a Faixa.

Adotei o mesmo modelo no programa Serrana Especial de 31 de outubro de 1992, em que apresentei o LP Paralamas, a primeira gravação em espanhol d'Os Paralamas do Sucesso, então inédita no Brasil. Como eu comentei com um colega da rádio que adquirira o disco numa recente viagem ao Uruguai, a direção da rede pediu-me que cedesse cópia do material para a Rádio Serrana FM. Concordei, desde que eu apresentasse o programa... Desta forma, fiz meu único programa até hoje produzido para uma emissora FM.

UFRGS

Permaneci mais um ano na rede Serrana, fazendo um radiojornal rural. Em 1994, voltei a Porto Alegre, afastando-me da Unisinos e retomando o curso de Jornalismo a partir de 1996 na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Nesse período, optei por priorizar a conclusão do curso, programando-me para buscar trabalho na área depois disso. No penúltimo semestre, produzi e apresentei quatro programas Por Volta do Meio-Dia, veiculados pela Rádio da Universidade no final de 2000 - todos eles hoje estão no Brasileirinho: os artigos Tom e Chico, Elis Vive e Villa-Lobos, e a entrevista com as criadoras do espetáculo Rádio Esmeralda, Adriana Marques e Simone Rasslan..

Também relacionado com música foi o tema que escolhi para meu trabalho de conclusão de curso, em 2001 - as canções religiosas de Roberto Carlos. O trabalho, intitulado De Joelhos aos Vossos Pés, sofreu alguns percalços para ser aceito no ambiente acadêmico - uma professora chegou a afirmar que música popular não era Comunicação...

Brasileirinho, da idéia de programa de rádio ao site

O afastamento voluntário do mercado, aparentemente negativo, na realidade deu-me condições excepcionais para acompanhar melhor a mudança radical do panorama (voltando à idéia do parágrafo inicial: fora do corre-corre diário, pude ver mais claramente as modificações). A qualidade da programação musical veiculada pela grande mídia caiu vertiginosamente, o espaço para a memória cultural tornou-se praticamente nulo e instaurou-se o culto à "celebridade". Ficou claro para mim que era necessário resistir.

Primeiramente, decidi que só deveria abordar em meu trabalho a música brasileira de raiz. A multiplicidade de gêneros com que eu comandava o MPB Especial não se enquadrava nessa proposta - na minha cabeça, quem cumpria esse papel de ser a raiz era o samba. Assim, comecei a pensar em 1999 num projeto de programa de rádio, que teria o nome de Clube do Samba, em homenagem a um clássico de João Nogueira. A onda de "pagode" (assim mesmo, entre aspas) da ocasião, confundido por grande parcela do público com o samba, levou-me a pensar em outra alternativa.

Lendo mais sobre o tema, optei por trabalhar com o choro, surgindo assim no começo de 2001 a idéia do Brasileirinho, que seria um programa de rádio voltado exclusivamente para esse estilo. Considerei, porém, o risco de trabalhar com um repertório muito restrito, que já levara várias iniciativas semelhantes ao fracasso em semanas, e ampliei para um programa de choro e samba. Os dois gêneros têm muito em comum e, o melhor, esse formato me livrava de ter que aceitar cobranças por não rodar o tal "pagode".

No começo de 2002, gravei um CD piloto do programa, para ser levado às emissoras de rádio, e registrei o domínio www.brasileirinho.mus.br. A preocupação desde cedo de ter uma página na internet foi porque eu não queria que as informações que fossem levantadas durante a produção de cada edição do programa se perdessem quando ela chegasse ao final, tendo um lugar para ficarem permanentemente disponíveis - além de poder atingir um público que não teria como ouvir o programa, em outros Estados, por exemplo. Esta idéia foi providencial, pois, não tendo havido interesse por parte das doze emissoras que procurei, canalizei a minha proposta de resistência da qualidade musical para o site Brasileirinho, que estreou na rede em 17 de outubro de 2002 e desde então tem sido visitado por internautas de todos os Estados brasileiros e, do exterior, da América Latina, América do Norte, Europa e Ásia.

Mais adiante, em junho de 2003, iniciei o envio semanal, para assinantes, de dois informativos, as Dicas do Brasileirinho (roteiro de espetáculos) e o Mistura e Manda (notícias e curiosidades sobre figuras da música brasileira), com o objetivo de atingir o maior público possível dentro de um veículo que ainda não é acessível à maioria do povo brasileiro.

Apoios e parcerias

Pensando na reduzida acessibilidade citada anteriormente, procurei ampliar a visibilidade da marca Brasileirinho, associando-a a iniciativas de qualidade que valorizem a cultura nacional. Tenho apoiado eventos, como o 9º Congresso Nacional de Jovens Lideranças Empresariais; o lançamento do DVD do Movimento Fala Brasil, encabeçado pelo jornal Fala Brasil!; e a Roda do Dia Nacional do Choro de 2003. Cheguei a produzir um evento, o show de Plauto Cruz e Clube do Choro de Porto Alegre comemorativo do primeiro aniversário do Brasileirinho, optando depois por continuar com apoios e parcerias.

Mantenho parcerias com o Clube do Choro de Porto Alegre, tendo desenvolvido seu material para Internet e divulgando suas apresentações; com as empresas de turismo Belotur (Belo Horizonte - MG) e Escritório Porto Alegre Turismo (da capital gaúcha), que distribuem os folhetos do site; com o Jornal Vaia (Porto Alegre), onde comecei a publicar a coluna Mistura e Manda em junho de 2004; e com o programa Samba da Minha Terra, da Rádio América (São Paulo), onde dou notícias da movimentação sambística no sul. Apoiei ainda o projeto Bebendo do Samba, que se propôs a revelar novos sambistas porto-alegrenses, para o qual desenvolvi também o material de Internet (os promotores, porém, optaram por não dar continuidade à iniciativa).

Ações educativas

Uma conseqüência lógica da minha atividade no Brasileirinho é a realização do curso Panorama Histórico da Música Brasileira e de palestras, que me gratificam muito e por meio dos quais me mantenho em contato direto com estudantes, em sua maioria jovens que não estão recebendo da sociedade atual as mesmas condições de formação que eu tive, embora só tenham se passado cerca de vinte anos do quadro que descrevi no começo desse texto. Já estive com esses eventos na Universidade de Passo Fundo, na Feevale (Novo Hamburgo), na Litterata, na Cia. de Arte Café e na Mega Store Manlec (as três em Porto Alegre). Recente convênio com a Fundação dos Administradores do Rio Grande do Sul (FA.RS) viabilizou a realização na sede da entidade dos encontros do projeto Tea+R Música Brasileira e Tea+R Artes Visuais.

Repercussão na imprensa

Desde que o jornal Fala Brasil!, em dezembro de 2002, saudou em suas páginas a criação do Brasileirinho, já são inúmeras as citações que o site mereceu da imprensa de Porto Alegre. Agradeço aos jornais Zero Hora, Correio do Povo e O Sul, às rádios Gaúcha, Bandeirantes AM e Cultura FM e às TVs Com e Guaíba. Além disso, em todas as ocasiões que realizo ações educativas em universidades, sou entrevistado pelos alunos para os veículos-laboratório e para os canais de rádio e TV mantidos pelas instituições de ensino superior, tanto internas quanto acessíveis pela TV a cabo.

Vários sites repercutem matérias e atividades do Brasileirinho, como a Agenda do Samba-Choro, o grupo de discussão Imprensa Livre, o site da Universidade de Passo Fundo, o Coletiva.net, o site do programa Câmera 2, o Yahoo! Brasil e o Brasilian Music Treasure Hunt. Entre os blogs que nos mencionam, estão o Virtual Surreality, Canto em Qualquer Canto e Contexto da Descoberta, além da lista de discussão Elis Regina - Redescobrindo a Eterna Estrela.

O artigo Sambaquis do Samba, na Penha?, de Alberto Taveira, veiculado pelo site Vivercidades, cita meu texto O Samba n'Os Sertões.

Eventualmente, outros veículos reproduzem textos meus. Isto ocorreu com a nota Zeca Pagodinho arrasa no Acústico, do Mistura e Manda 24, incorporado ao informativo A Arca de Noé # 19, editado pelo site O Dilúvio, e a entrevista que fiz com o presidente do Clube do Choro de Miami, reproduzida no site Esquina da Música. A Agência de Notícias das Favelas destacou minha nota Festas afro-brasileiras em Belo Horizonte, do Mistura e Manda 48, enviando-o em 13 de maio de 2004 para veículos de imprensa de todo o país.

Reconhecimento dos artistas

Muitos artistas, diretamente ou por meio de seus agentes, entram em contato com o Brasileirinho, mandando material informativo, comentando notícias ou simplesmente agradecendo terem sido citados na página. A manifestação nesse sentido que mais me emocionou foi a do flautista Altamiro Carrilho, relatando que tem apresentado meu artigo sobre um recital dele junto com seu release, inclusive no exterior, além de recomendar à sua rede de relacionamentos que visite o Brasileirinho. Também devo incluir na lista a cantora Adriana Deffenti, a atriz Viviane Juguero, a produtora Carmen Salles e seu artista, o pianista Ricardo Carmargos, o fotógrafo Agnaldo Rocha, o assessor de imprensa do artista Mark Gladston, Bruno Furletti, o manager Marcelo Pianetti e seu artista Lô Borges, e o músico José Wilson Malheiros.

Outros artistas colocam links para artigos que fiz sobre eles em seus sites, como o flautista Kim Ribeiro, a cantora Letícia Oliveira, a cantora-compositora Karine Cunha e o instrumentista Johnson Machado.

Retorno do público

Com certeza este item é o que me traz mais satisfação pessoal, pois todo esse trabalho de divulgação não tem sentido se não atingir o público. Os números dos relatórios de acesso, atestando que a média de visitas tem superado 80 por dia desde agosto de 2004, comprovam que realmente muitos chegam até as mensagens que quero passar. Mas só através de e-mails como este da leitora Gabriela Bekman Portela, de Boa Vista (RR), se pode comprovar que a mensagem realmente fez a diferença.

No final de abril, Gabriela entrou em contato pelo Fale Conosco, querendo saber da história do choro "Brasileirinho", de Waldir Azevedo, para publicar no jornal da escola onde estuda. Para responder a ela, escrevi o artigo Brasileirinho, o Choro, que em seguida foi colocado no site, porque julguei que mais gente pudesse ter a mesma curiosidade. Passado algum tempo, consultei-a para saber se o jornal já saíra. Eis sua resposta, datada de 25 de julho de 2004:

"Fabio Gomes,

Eu me desculpo por não ter usado as suas informações para o jornal, pois eu me atrasei para a entrega, mas tenha certeza que você me fez ser uma amante da música BRASILEIRA.

Gabriela Bekman Portela"

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