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ADRIANA PARTIMPIM: ENCANTADOR DO COMEÇO AO FIM

Por Dani Lima e Vera Barbosa

Fazer um disco para crianças, sem subestimá-las, não é tarefa fácil. Montar um show desse mesmo disco e fazer com que os pequenos se interessem e fiquem atentos a todos os detalhes parece mais difícil ainda. Mas Adriana Calcanhoto conseguiu. Ela brilhou - e os olhos da garotada também.

Na apresentação de 28 de agosto de 2005, no CIE Music Hall (São Paulo), Calcanhoto desceu ao palco pendurada em elásticos, segurando bexigas e cantando "Saiba" (Arnaldo Antunes), uma das músicas de seu CD Adriana Partimpim. Sua chegada já evidenciava o que seria o show: cheio de cores e magia.

Adriana Calcanhoto por Dani Lima

Com direção de Hamilton Vaz Pereira e Leonardo Netto, o espetáculo surpreendeu pela criatividade. O cenário foi especialmente colorido (repleto de girafas, elefantes e cãezinhos de pano) e a intérprete e sua banda - Dé Palmeira (baixo), Guilherme Kastrup (percussão), Ricardo Palmeira (guitarra) e Marcos Cunha (teclados) - usavam, além dos instrumentos musicais convencionais, caixas de música, prato e colher, saco plástico, lixa, garrafa pet e até água para fazer a sonoplastia. O resultado foi perfeito e mostrou a crianças e adultos que é possível ser criativo com pouco dinheiro. E, mais que isso, que usar a imaginação é fundamental.

A cada canção, Calcanhoto apareceu com um novo adorno. Ela conversou com a platéia e contou histórias de seus gatos Lig-Lé e Caboclinho, provocando euforia e fazendo com que o público - tanto infantil quanto adulto - se divertisse.

Além das canções do CD - "Lição de Baião" (Jadir de Castro - Daniel Marechal), "Oito Anos" (Paula Toller - Dunga), em que Paula Toller usou as perguntas que seu filho fez para compor a canção, "Lig-lig-lé" (Oswaldo Santiago - Paulo Barbosa), "Canção da Falsa Tartaruga" (do livro Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carrol, com tradução de Augusto de Campos e música de Cid Campo), "Formiga Bossa Nova" (sobre poema de Alexandre O'Neill, "Velha Fábula em Bossa Nova"), "Ciranda da Bailarina" (Edu Lobo -Chico Buarque), "Ser de Sagitário" (Péricles Cavalcanti) e "Borboleta" (Domenico Lancellotti) -, Calcanhoto apresentou os clássicos "Acalanto" (Dorival Caymmi) e "O Poeta Aprendiz" (Toquinho - Vinicius). Ela também musicou poemas de Ferreira Gullar, "Ron ron do Gatinho", "Gato pensa?" e "O gato e a pulga", todos extraídos do livro Um Gato chamado Gatinho, e apresentou a inédita "Quando Nara Ri", composta em parceria com Kassin. O público vibrou com o hit "Fico Assim Sem Você" (Caca Moraes - Abdullah) e cantou junto toda a letra da canção.

Calcanhoto hipnotizou a platéia, que manteve os olhos brilhando enquanto fitava o palco. Durante todo o show, era possível ver as crianças fascinadas. Enquanto as emissoras de TV massificam e fazem de videogames e brinquedos eletrônicos o maior atrativo para o público infanto-juvenil, Calcanhoto utiliza a poesia para tocar o coração de crianças e adultos, permitindo a todos, por algumas horas, sonhar com um mundo mais feliz. Puro encantamento!

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