Brasileirinho - Principal

Voltar ao Menu - Artigos

 

NOVE HORAS DE CHORO EM FLORIANÓPOLIS

Por Moysés Lopes

 

O violonista da Camerata Brasileira fala da roda em que tocou com os netos de Túlio Piva durante turnê em Santa Catarina

Por um capricho do cotidiano, Santa Catarina foi palco de estréia do lançamento do CD Deixa Assim..., com o qual a Camerata Brasileira debutou no mercado fonográfico. Esta pequena temporada, em agosto de 2004, passou por Blumenau, Jaraguá do Sul e Florianópolis, e revelou-se uma pequena caixinha de surpresas. A primeira delas: tínhamos um show marcado em Jaraguá do Sul para o dia 12. Como o próximo show seria só no dia 16, o pessoal da produção nos perguntou se poderíamos fazer alguns programas na mídia em Blumenau, no dia 13. Respondemos que sim, mas aí o pessoal de Jaraguá ligou e disse que tinham se enganado na data, e que o show seria no dia 19... Com isto, tivemos que ir para Santa Catarina para os programas do dia 13, e depois ficaríamos sem fazer nada até o dia 16.

Contradizendo a má fama da sexta-feira 13, ao retornarmos das entrevistas em Blumenau, planejamos um breve momento em um dos maravilhosos recantos da Lagoa da Conceição, o Café dos Araçás. Enquanto éramos amplamente contagiados pelo espírito açoriano de ser e ouvíamos deliciosos acordes do violão de Cristiano Kotlinski, outra surpresa: Rafael Ferrari (bandolinista da Camerata) identificou entre os presentes um gaúcho que traz no sobrenome a herança da boemia gaúcha: Rogério Piva (neto de Túlio Piva). Feitos os contatos costumeiros e a famosa troca de cartões, rumamos felizes para uma tranqüila noite de descanso.

Mas as surpresas da caixinha pareciam não ter fim: no sábado, 14, ao estarmos todos preparados para uma sisuda tarde de ensaios, o telefone nos interrompe a concentração: Era Rogério Piva, convidando-nos para um bate-papo (ou um bate-cordas?) em sua casa, na companhia de Cristiano Kotlinski e Rodrigo Piva, seu irmão (que acaba de lançar uma pérola em forma de CD, chamada Menina de Floripa). Antes que eu pudesse dar aos demais integrantes da Camerata a triste notícia de que não iríamos mais ensaiar, já estavam todos sentados no carro, e assim nos dirigimos à casa dos Piva.

Lá, somou-se à roda o 7 cordas Luiz Sebastião - herdeiro legítimo de uma linhagem de feras - e a boa música aconteceu solta e desinibida das quatro da tarde até à uma hora da manhã. O virtuosismo de Rogério Piva parecia não ter fim, e qualquer instrumento que caísse em suas mãos era imediatamente tratado com a delicadeza e a sabedoria própria de quem sabe o que faz.

Ouvir as canções de Rodrigo Piva em interpretações solo foi um momento mágico, imbuído dos aromas e da essência da ilha. Por fim, os choros para violão solista de Cristiano Kotlinski encheram o ambiente de graça, complexidade, arrojo e tradição.

Até ali, mesmo antes de fazermos qualquer das apresentações agendadas, a temporada já se mostrara muito próspera, um verdadeiro sucesso, daqueles que se carrega na alma, para o resto da existência.

Ah, sim: sem dúvida os shows do dia 16, 17 e 19 (Blumenau, Floripa e Jaraguá) foram muito bons. Quis ressaltar o contato com essa galera, que considero uma experiência fantástica.

Copyright © 2004. É proibida a reprodução total ou parcial do conteúdo do Brasileirinho para fins comerciais