Brasileirinho - Principal

Voltar ao Menu - Artigos

CARNAVAL DE BELO HORIZONTE
PRECISA RENASCER DAS CINZAS

Por Mestre Affonso

Enquanto várias cidades à nossa volta começam a enxergar o carnaval como forma de turismo e captação de recursos, Belo Horizonte sonha com o profissionalismo, mas se perde no amadorismo de um carnaval mal produzido. Neste ano a prefeitura resolveu transformar as verbas em premiação. Isto é, nenhuma das dezoito agremiações que “vão” desfilar receberá sequer um centavo de ajuda de custo. Fui um dos primeiros a sugerir esta medida, porque penso que nenhuma agremiação carnavalesca deve depender única e exclusivamente do poder. Mas meu projeto era outro, eu queria que a premiação fosse significativa e não a miséria que instituíram. Por aqui não temos critério, ou o poder é paternalista, ou então age como feitor da cultura popular. Vou citar alguns exemplos para que vocês sintam o que estamos vivendo e como é conduzido o nosso carnaval pelos homens do poder:

Belotur

Penso que o maior erro foi a não profissionalização total do carnaval. Não posso negar que houve luta e boa vontade, principalmente por parte de Dr. Tadeu Martins, diretor de operações; do Dr. Ronaldo Vasconcelos, vice-prefeito; e do Dr. Fernando Pimentel, prefeito de Belo Horizonte. Houve crescimento estrutural, mas as escolas e blocos regrediram por falta de um melhor planejamento. Ninguém faz omelete sem quebrar ovos e esses ovos teriam que ser quebrados pela Belotur.

Comissão do Carnaval 2006

Dessa comissão posso falar de cadeira porque dela participei durante alguns meses, até ser retirado sem uma explicação plausível. Apertei demais, critiquei demais, não aceitei o jugo de quem nada entende de carnaval. Tenho documentos que provam que essa comissão só existiu no papel: não teve autonomia, não decidiu nada que tivesse real importância, e até a sua formação foi política, dando prioridade para uma entidade que sequer existia legalmente. Numa comissão formada por 12 componentes, 07 (sete) eram da LIAC, que ainda levava uma secretária para redigir sua própria ata. Para se ter idéia do nível dos participantes, na comissão foram sugeridas as seguintes pérolas: Acabar com a Ala das Baianas nas escolas de samba, acabar com a Ala das Crianças, esquecer o passado, proibir que o desfilante participasse de mais de uma agremiação. É bom dizer também, que durante os meses que participei da Comissão do Carnaval, em nenhuma reunião estiveram presentes todos os seus componentes. A coisa foi tão feia que depois de um certo tempo, até as atas das reuniões deixaram de nos fornecer. O que era dito em uma reunião era negado na outra, até o dia em que resolveram que tudo viria pronto e que nós só assinaríamos as deliberações tomadas por não sei quem. Foi aí que briguei e acabei sendo excluído.

LIAC

Na história do carnaval belo-horizontino, e talvez mundial, essa é a maior aberração de todos os tempos. A Liga Independente das Agremiações Carnavalescas de Minas de Minas Gerais é duvidosa até no nome. Ela jamais foi independente porque sempre dependeu da ajuda da Belotur e de um deputado, inclusive fazendo suas reuniões no gabinete do mesmo. Quanto a representar as “Agremiações Carnavalescas de Minas Gerais”; se até meados de janeiro de 2006 ela sequer tinha UM filiado entre as escolas de samba de Belo Horizonte, imaginem sua atuação em Minas Gerais. Mas o que mais me assusta nessa história é que durante três anos (2003/2004/2005), a liga foi aceita pela Belotur como representante dos blocos e escolas de samba. Isso atuando na ilegalidade, porque sequer tinha registro em cartório. O registro só veio em 15/07/2005. Mas nos anos citados a liga ditou normas, teve camarote na avenida, mandou jurados para o interior, enfim, deitou e rolou em cima do que nunca representou. Eu desafio que me provem algum beneficio que a LIAC trouxe para o carnaval. Até hoje não consegui entender o motivo de tanto prestígio dessa liga, principalmente quando ela atuava ilegalmente.

CD das Escolas de Samba e Blocos Caricatos de BH

Eu ainda estava na Comissão do Carnaval 2006, quando sugeriram o CD. Fui radicalmente contra porque, nos moldes que me apresentaram, sabia no que iria dar... Tirando as falhas técnicas do CD, sua distribuição foi feita muito tarde, 16/02/2006, tirando completamente a possibilidade de venda, para investimento nos blocos e escolas de samba, como tinha sido alardeado pelos que o idealizaram. Tenho três hipóteses para a feitura desse CD: serviu para ajudar financeiramente a rapaziada da produção; servirá para entendermos que ainda somos primários em matéria de gravações de samba-enredo; e também servirá para ficar nas prateleiras da vaidade dos que o idealizaram e realizaram. Os 74 mil reais que nele foram gastos poderiam ter servido como premiação, o que ajudaria no engrandecimento do nosso carnaval. Interessante também é que o Sindicato dos Músicos e a Ordem dos Músicos não se manifestaram quanto aos procedimentos profissionais que obrigatoriamente deveriam constar da feitura desse CD. Na ficha técnica constam nomes, mas não constam os instrumentos a que se referem esses nomes. Temos também que dizer que desconhecemos a licitação feita para a produção, assim como desconhecemos a prestação de contas do projeto. O que sabemos é que grandes músicos do samba ficaram de fora, porque não quiseram aceitar o cachê de 300 reais, para a gravação de dez sambas.

Conclusão

O carnaval de Belo Horizonte pode ser grande, desde que sejam grandes as doses de humildade e profissionalismo nele aplicadas. Ainda não temos capacidade para suportar 10 (dez) escolas de samba, teremos que rever a situação dos blocos caricatos; teremos que rever totalmente a produção do espetáculo. Se formos pensar em sambódromo deverá ser como projeto futuro. O que precisamos é fazer renascer das cinzas (principalmente as agremiações) o que já foi o segundo carnaval do país.

Copyright © 2006. É proibida a reprodução total ou parcial do conteúdo do Brasileirinho para fins comerciais.