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CUSTÓDIO MESQUITA: NADA ALÉM

Por Marcelo Xavier

Custódio Mesquita foi um dos primeiros compositores brasileiros a conseguir a proeza de aproximar o formalismo do clássico com o gosto popular. Para quem o conheceu, ele era bem-nascido, alto, bonito, olhar cálido, vestuário impecável e movimentos bem cuidados - um verdadeiro dândi. Trajava-se com apuro, quase sempre com ternos brancos de linho S-120 (o mais elegante da época), olhos e cabelos castanhos, cuidadosamente despenteados, para ganhar ares de poeta romântico. Onde quer que estivesse, o destaque era sempre ele. Se fosse para uma reles fotografia de elenco de teatro de revista, bastava anunciar que ele sairia na foto para que, dos bastidores, surgissem dezenas de coristas ululantes, correndo para disputar espaço. Afinal, não queriam perder a chance de sair ao lado de um homem considerado tão bonito e famoso. Já ele adorava a companhia das mulheres: ele adorava ser o centro das atrações e não precisava de muito para tanto.

Apesar de ter nascido numa família rica, cedo a boemia o atraiu para o gosto popular. Influenciado por seus pais, também desenvolveu o interesse pela composição clássica. Do amálgama desses dois estilos bem distintos, ele forjou e disseminou um estilo invulgar até então na música popular - e no samba - e que definiria o estilo de muitos outros compositores que viriam depois. Ao todo, escreveu cento e onze canções, muitas delas lembradas ainda hoje. Foi autor de teatro, galã compulsório, ator, regente, exímio pianista, diretor artístico de gravadora e artista de rádio: Custódio de Mesquita Pinheiro ou, simplesmente, Custódio Mesquita (1910-1945). Músico e compositor, ele viveu a fase áurea da MPB e concebeu uma obra que corre por fora das canções de figuras de proa da Velha Guarda, como Ary Barroso, Noel Rosa ou Lamartine Babo.

Mesmo assim, ele foi contemporâneo dos três. E tanto quanto eles, Custódio também tinha vocação para o sucesso. Porém, não foi um obcecado por marchas carnavalescas (embora o seu primeiro grande sucesso tenha sido uma marcha), não era um compositor nacionalista (embora venerasse o regime de Getúlio Vargas) e não era um sambista nato (apesar de ter sido boêmio incorrigível e até tenha ensaiado uma parceria com o Poeta da Vila). No teatro, compôs músicas para revistas (designação do teatro musicado no começo do século XX) que ficavam vários meses em cartaz e cujas cantigas sempre caíam na boca do povo.

Compositor, surgiu em 1934, com uma marcha dos tempos da vovó: "Se a Lua Contasse". Gravada em outubro de 1933, a marcha se tornaria famosa por fazer sucesso até na Argentina e também por tornar sucesso uma cantora que estava em começo de carreira: Aurora Miranda. Irmã de Carmen Miranda, Aurora teve a sorte de conseguir êxito absoluto logo numa de suas primeiras gravações. Foi tão grata a Custódio que, entre 1934 e 1936, ela seria a maior divulgadora de suas músicas, gravando, ao todo, dezenove composições. Ainda em 1934, ele obteria o sucesso por ser registrado na voz de Sílvio Caldas - o Caboclinho Querido - e por acompanhar a Pequena Notável em suas apresentações. Em pouco tempo, Custódio tinha a música aos seus pés. Sempre chamava a atenção em suas estratégicas aparições no mitológico Café Nice, e era até temido por sua altivez.

Seu começo, porém, foi tortuoso. Indolente, por ser indisciplinado nos estudos, sua mãe o meteu no grupo de escoteiros do Fluminense, onde aprendeu a tocar tambor, o que despertou mais tarde sua paixão também por percussão, que dominaria com mestria. De fato, os estudos não atraíam muito o futuro compositor. Um dia, sua mãe, dona Camila, flagrou o menino - então com modestos dezesseis anos - tocando piano no cinema Eldorado, bem ao lado do antigo Nice. Resultado: o "pianista" levou uma bela surra ao chegar em casa, mas de nada adiantou. Mesmo sem o aval da família, desistiu de estudar, causando profunda tristeza em sua mãe e em seu irmão Albino, que era contra a opção de Custódio, que escolhia a música como profissão. O único que talvez defendesse a opção de Mesquita, porém, já havia partido: seu pai, Raul Cândido, que deixou no menino a memória afetiva do tempo em que executava valsas românticas no piano da casa, na rua Ipiranga, 26, nas Laranjeiras, onde o guri nasceu, num longínquo 25 de abril de 1910.

"Só diplomado"

Com o tempo, eles perceberam que o destino do rapaz era mesmo a música. A negativa de sua mãe e de seu irmão, junto com seu orgulho, o empurraram definitivamente para a carreira de compositor. Porém, mesmo dotado de extremo talento, Custódio insistia em tocar de ouvido, fazendo pouco caso de partituras. Segundo Nestor de Holanda, em suas Memórias do Café Nice, ele só foi mudar de idéia diante da recusa dos músicos, professores da Sinfônica do Teatro Municipal, que alegaram não tocar em orquestra dirigida por um pianista que tocava "de ouvido". O primeiro violino apenas disse:

- Só aceitamos regente diplomado.

Custódio se resignou. Só voltaria a pisar no Municipal trazendo debaixo do braço o tal diploma. Havia prestado concurso no Instituto Nacional de Música. Biógrafos do compositor entendem que esse episódio renderia frutos. Reconhecido pelo classudo Conservatório de Música, ao mesmo tempo em que gozava de prestígio com o pessoal do "andar de baixo", os músicos populares que, junto com a maestrina Chiquinha Gonzaga, haviam fundado a Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (SBAT) para defenderem seus direitos, Custódio serviria de elemento comum entre esses dois conjuntos. Em qualquer um dos grupos, Mesquita era recebido como um igual - desde os compositores "de ouvido" até os músicos "de partitura". E ele tinha o diferencial que faltava: era um dos primeiros a ter a qualidade de um solista no Municipal e, ao mesmo tempo, poder dar canjas à vontade, em qualquer cabaré da Lapa, não sem desenvoltura.

Sua primeira canção surge aos vinte anos. Apareceu - não sem certa discrição - no Carnaval de 1932. A primeira gravação teria o aval de ninguém menos que Sílvio Caldas, o Caboclinho Querido, com "Dormindo na Rua" e "Tenho um Segredo", dois fox-trotes, estilo que seria recorrente em toda a sua obra. O seu primeiro parceiro musical era um rapaz magro, franzino, que teve uma carreira breve como compositor, porém inesquecível: Noel Rosa. O Poeta da Vila tinha uma letra, e estava à procura de uma melodia para musicá-la. Assim nasceu "Prazer em Conhecê-lo", única parceria com Noel. Não seria o primeiro sucesso, que viria com uma marcha carnavalesca, que lançaria Aurora Miranda como cantora: "Se a Lua Contasse", o maior sucesso da festa de Momo de 1934:

Se a lua contasse
Tudo o que vê
De mim e de você
Muito teria que contar
Contaria
Que nos viu brigando
E viu você
Chorando
E me pedindo pra voltar

- Custódio foi muito gentil comigo - disse Aurora Miranda, certa vez. - Até hoje lhe sou grata, pois o sucesso de "Se a Lua Contasse" também valeu muito para mim.

Ambos viveriam grandes momentos com "Se a Lua Contasse". O prestígio chegou rápido e Custódio tornou-se conhecido em todo o Brasil e até no exterior. Ramon Navarro, um velho artista da Hollywood dos tempos áureos de Douglas Fairbanks e Rodolfo Valentino e o primeiro a aportar no Rio de Janeiro, fez questão de decorar a letra e cantá-la no Cinema Palácio, na Cinelândia, com o próprio autor ao piano.

O sucesso lhe deu ganas de compor cada vez mais. Em qualquer lugar, lá vinha a inspiração. Na verdade, o seu problema era a falta de tempo. Boêmio, não trabalhava à noite. Passava o tempo nas mesas de bar da Lapa ou no Nice. Custódio saía à tardinha e só voltava para casa de manhã. Poderia ser chamado modernamente de sociopata: era um jovem imberbe e bondoso, porém não tinha tanto desvelo consigo. Levava uma vida desregrada, alimentava-se mal, e nunca chegava em casa antes das 6 da manhã. Arrumava sempre uma desculpa para segurar seus amigos até o raiar do sol, pois dizia não suportar a solidão. Após sua morte, seus amigos descobriram que o compositor era epiléptico, mas tinha medo de contar, porque a doença poderia segregá-lo. Tomava uma pílula misteriosa (talvez Luminal), para evitar crises da doença, fato que criou o boato de que ele usasse drogas.

Carmen Miranda

Ele emendava o trabalho no rádio, que ia até à meia-noite. A vida noturna logo o conduziria ao teatro. Em um ano apenas, Mesquita já podia ouvir suas canções na voz dos maiores intérpretes de então: Carmen Miranda, João Petra de Barros (primeiro intérprete de "Feitiço da Vila"), Mário Reis, Francisco Alves. Tanto o escol dos cantores quanto a popularidade das músicas lhe investia de um pétreo respeito. Foi com esse respeito que, em 1933, Custódio passou a fazer parte da SBAT, como sócio-administrativo, ocupando depois o cargo de subsecretário da entidade, além de dirigir o departamento de compositores. Ele também foi diretor artístico da Victor (depois RCA), em 1936, época em que Orlando Silva despontaria como a maior revelação.

Mesquita chegou ao teatro pelas mãos de Mário Lago. Escreveu e musicou cerca de trinta peças, sozinho ou com Lago, além de ter atuado como ator em várias companhias. Entre elas: Sambista da Cinelândia, Rumo ao Catete, Mamãe eu Quero, Entra na Bicha, Se a Lua Contasse, Fim de Mundo, Tico-tico no Fubá, Figa de Guiné, Grã-Finos do Morro, Pó de Mico, As Armas, Filhas de Eva (a de maior sucesso, entre todas) e Gandaia. Custódio também tinha interesse em compor revistas para crianças. Foi assim que nasceu Pássaro Azul.

O autor teatral Custódio Mesquita varreu todo o Brasil. Em Carlota Joaquina, ele entrou na peça como ator, principalmente para atrair o público feminino, fantasiado de D. Pedro I. A crítica gostou menos de sua atuação como ator e mais da sua capacidade de promover faniquitos entre as moças. Mário Lago contou, em suas memórias, que ele e Custódio sempre reservavam um camarote nas peças por eles musicadas a uma fã do teatro, Dona.Balbina, mãe do menino-prodígio Orlando Silva, pois sabiam que ela sempre levava o filho consigo e o cantor acabava por escolher algum tema novo para gravar.

Canções e parceiros

Foi no teatro que seus grandes sucessos nasceram, além da parceria imortal com Mário Lago e Sady Cabral. Com Mário, ele começou em 1935 e chegou ao auge na voz de Orlando Silva. O cantor estava no seu ápice, interpretando "Enquanto Houver Saudade" (arranjada por Ary Barroso e com a qual o compositor descobriu o inegável talento do "Cantor das Multidões") e "Nada Além", em 1941, possivelmente seu maior sucesso:

Nada além
Nada além de uma ilusão
Chega bem
É demais
Para o meu coração
Acreditando em tudo
Que o amor sorrindo sempre diz
Eu vou vivendo
Na ilusão
De ser feliz

Em Na Rolança do Tempo, Lago conta como foi a primeira vez que conheceu Mesquita:

"Nos primeiros momentos em que me apresentaram ao Custódio Mesquita, a impressão não foi das mais agradáveis. Aconteceu no bar Nacional, na Galeria Cruzeiro. (...) De repente, o secretário de Francisco Alves aproximou-se da mesa. O cantor, já célebre nessa época, mandava pedir ao Custódio que desse um pulo até sua casa para mostrar as novidades acabadas de sair do forno. Estava preparando um disco e gostaria de incluir alguma coisa do autor de 'Se a Lua Contasse'...

- O Chico sabe muito bem onde eu moro. Se ele está querendo músicas, é só me procurar na Ipiranga, 32. A distância é a mesma, diga isso para ele.

O pobrezinho do secretário do Francisco Alves saiu que dava pena, quase ao ponto de pedir desculpas por haver nascido, enquanto o Custódio comentava, mal contendo a irritação:

- Viu só, seu Mário, como essa gente está ficando abusada? Era só o que faltava, eu... eu sair de minha casa pra ir mostrar música a um cantor. Eu sou o Custódio Mesquita, pombas!"

Com Sady Cabral, Custódio faria sucessos como "Velho Realejo" (segundo a dupla, uma autêntica valsa à brasileira) e "Mulher". Consta que Sady queria dedicar o fox "Mulher" a uma namorada, mas foi rechaçado por Custódio, que entendeu ser a homenagem um arroubo passageiro - daí a explicação para o título "genérico": "Assim, você pode homenagear a todas as mulheres que são e serão suas musas", respondeu Mesquita, com um olho esperto. Na década de 70, Nara Leão gravaria "Mulher", num revival do compositor:

O teu amor
Tem um gosto amargo
E eu fico sempre a chorar essa dor
Por teu amor
Por teu amor,
Mulher...

Outro parceiro constante do trabalho de Mesquita foi Evaldo Rui. Filho de Vila Isabel e irmão do radialista (e também compositor) Haroldo Barbosa, Evaldo tinha trinta anos quando conheceu Custódio. A partir de então, fariam grandes sambas, entre eles "Saia do Caminho" e "Como os Rios que Correm para o Mar", de 1944. Apesar de fazer sucesso como compositor após a morte de Custódio, a carreira de Rui foi breve: se suicidaria em setembro de 1954.

A grande habilidade de Custódio, porém, era palmilhar a fronteira entre o erudito e o burlesco, o "elegante" e o popular. Tinha a noção das regras da arte fina do clássico e as mesuras do gosto da rua, do samba e do maxixe, tinha carteira para freqüentar a Lapa e insígnia de maestro. Sendo respeitado de ambos os lados, podia demonstrar sua habilidade para uns e outros. Refinado, Custódio Mesquita namorava a música americana - tanto que adotou o fox-trote (ou fox-trot) como um estilo constante. Além do ritmo, ele harmonizava suas composições de forma inusitada ou excessiva, muitas vezes criando problemas para os cantores, que estavam mais acostumados com a simplicidade do samba. Não é difícil perceber a influência americanizada de "Mulher" e "Nada Além" que, batizadas de "fox-canção", apesar de "complicadas", caíram no gosto do público.

De longe, elas evocam um pouco do estilo de Gershwin ou Cole Porter, e poderiam ser cantadas por Bing Crosby ou Al Jolson, na mesma desenvoltura com que Dick Farney cantava "Tenderly". Muitos especialistas entendem que a "audácia" de Mesquita poderia coroá-lo como um dos precursores da Bossa Nova, se o histórico ostracismo da Velha Guarda não o tornasse tão lembrado por ser tão esquecido pelas novas gerações. Mesmo para as antigas, lhes escapa a fina tapeçaria de suas composições. "Feitiçaria", de 1945, gravada por um Sílvio Caldas que imprimiu à canção um ar sisudo, nas mãos de Johnny Alf (que, como outro desbravador, percebeu algo de "novo" na melodia) teve o seu lado "jazzístico" mais salientado. Outra curiosidade na obra de Custódio é a intertextualidade: "Caixinha de Música", outro sucesso na voz do Caboclinho, tem uma introdução instrumental inspirada no compositor russo Anatole Liadov.

O tempo transformava Custódio Mesquita em lenda viva. Os mais chegados tinham nele uma figura ululante. Os mais distantes, porém, o tinham como arrogante, talvez por não entender como uma pessoa tão fulgurante tivesse momentos de timidez. Notívago como Noel Rosa, ele era um cronista das madrugadas e se dava com todos os habitantes da noite que pudesse travar conhecimento. Podia ser visto falando com mendigos, jornalistas, intelectuais, músicos de todos os tipos (desde que notívagos também). Numa dessas noites, Custódio foi abordado por um mendigo que vivia na rua com sua família. Teve compaixão do homem e deu a ele seu relógio de ouro. Advertido por Mário Lago de que o homem seria preso ao tentar vender o objeto, Custódio telefonou para todas as delegacias do centro da então Capital Federal e avisou que, no caso de encontrarem um mendigo tentando vender um relógio de ouro, nada fizessem contra o pobre homem, porque ele não era ladrão...

Contudo, a sua popularidade aumentava à medida que sua saúde começava a definhar, já farta de tantas noites insones. Trabalhava muito e dormia pouco e sofria com as conseqüências de uma tuberculose contraída em 1936 e subestimada desde então. Apesar dos abalos na saúde, o compositor seguia com as célebres noitadas com amigos até o sol raiar. Nem a vida familiar, contraída com o matrimônio com Alda Garrido e posteriormente com Helene Moukhine em 1942, e o nascimento de seu filho, Custódio Antônio, eram capazes de prendê-lo em casa. Em 1944, ele havia sido o maior compositor do ano e gravara sete canções no primeiro semestre de 1945. Fora eleitor-conselheiro da SBAT e recebeu convites para se apresentar no México. Sua rotina só foi alterada quando, acometido por uma hepatite, passou mal e foi obrigado a ficar em repouso.

Despedida

Na ocasião, Mesquita chegou a escrever músicas nos espaços em branco de um jornal velho, pois não lhe davam papel para escrever, temendo que se esgotasse compondo. Seu apetite musical continuava. As suas duas últimas melodias, escritas naquele jornal, foram perdidas. Sua derradeira composição, registrada e gravada, foi feita para uma revista de Freire Júnior. O título era "Despedida". O próprio Freire Júnior o recomendou para a vaga de conselheiro da SBAT. Seu maior sonho, porém, não se realizou. Qual não foi o espanto de todos quando Custódio faleceu de repente, seis dias antes de assumir o novo cargo. No dia 13 de março de 1945, com apenas 34 anos, Custódio saía da vida para entrar na história. Causa mortis: insuficiência hepática. Na instante de encomendar o corpo, o próprio padre indagou: "Mas como pôde o Custódio morrer assim, tão bestamente?"

O tempo correu célere, e levou Custódio Mesquita, que estava no auge como compositor e arranjador. Tinha pouco mais de trinta anos, mas parecia ter mais. Foi mais um dos compositores que foram consumidos pela boemia quando muito ainda podiam mostrar, como Noel e Sinhô. Era tudo, tanto a fazer, e tão pouco tempo. Custódio tinha noção do tempo que inexoravelmente escorria. Em uma de suas canções, Mesquita diz:

O tempo passa
E a gente chora
Porque não aproveitou
Depois a gente quer
Aproveitar o tempo
Mas o tempo não dá tempo
Porque o tempo já passou...

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