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DUDU SPERB: SAMBAS, CHOROS & AFINS

Por Fabio Gomes

 

Dudu Sperb lotou o foyer do Theatro São Pedro (Porto Alegre) no dia 6 de dezembro de 2002 com seu espetáculo Sambas, Choros & Afins. Acompanhado por Cau Karam (violão e cavaquinho) e De Santana (percussão), apresentou um repertório com clássicos da música brasileira compostos nos últimos 70 anos.

O grande momento do fim de tarde foi “Adeus Batucada” (Sinval Silva). Esta música foi lançada por Carmen Miranda em 1935. A Pequena Notável, em sua interpretação, qual uma prima-dona, prolongava artificialmente os “aa” tônicos do estribilho (“Aaaadeus”, madrugaaaada”, “batucaaada”), deixando assim uma armadilha para os futuros intérpretes do samba. Mesmo o autor, Sinval Silva, ou um grande cantor como Ney Matogrosso não superaram o “buraco” que Carmen criou. Pois bem: Dudu conseguiu! E em grande estilo, cantando hiperbem, com Cau num grande desempenho ao violão e De Santana tocando surdo como se fosse bombo legüero.

Também se destacaram “Coração Leviano” (Paulinho da Viola), em que o início de voz e violão era quase atonal, com a entrada do tamborim dando uma nova dinâmica ao samba, e “Doce de Coco” (Jacob do Bandolim – Hermínio Bello de Carvalho). Muito aplaudidas foram “Amor até o Fim” (Gilberto Gil), dedicada a Elis Regina, “uma das maiores cantoras do mundo”, segundo Dudu (o Brasileirinho concorda), e “Só Tinha de Ser com Você” (Tom Jobim – Aloysio de Oliveira).

Bons efeitos ocorreram através da mudança de andamento no meio da música, como em “Último Desejo” (Noel Rosa), em que De Santana iniciou marcando o ritmo com o chocalho de arroz, passando para o surdo, emprestando um clima algo carnavalesco ao samba-canção, e em “Vai Passar” (Francis Hime - Chico Buarque), em que Dudu iniciou cantando e se acompanhando ao pandeiro, tendo o tamborim de De Santana e o violão de Cau na parceria; em dado momento, Dudu baixou o tom de voz e De Santana assumiu a marcação no surdo, por vezes lembrando um agogô, noutras novamente o bombo legüero.

Dudu tem um timbre de voz agradável, alternando sua interpretação entre o dolente e o doce. Uma característica sua é a tendência a ligar as notas, por vezes emendando versos e versos (tudo bem, Roberto Carlos também faz isso). Mas noto que Dudu, em trechos de algumas músicas, poderia ganhar uma força expressiva maior com uma divisão rítmica mais acentuada (como no final de “Amor Até o Fim”). Cau Karam apresentou um violão firme, bom na parte melódica e nas baixarias (calma, é apenas ênfase nas notas graves!), mas demonstrando alguma dificuldade no acompanhamento dos trechos mais rápidos. De Santana esteve sempre correto.

A lamentar, apenas o pedido da direção do teatro, que solicitou ao cantor um espetáculo mais curto (sic) por causa da atração posterior – a saber, o Nenhum de Nós, que se apresentaria no palco principal do São Pedro (e não no foyer) quase uma hora e meia depois do final da apresentação de que falamos. Com isso, a platéia perdeu a oportunidade de conhecer o lado compositor de Dudu, que pretendia estrear sua canção “Cúpido” em Sambas, Choros & Afins.

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