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É O VIOLÃO DO BRASIL - Gabriel Improta

Por Luciano Ribeiro

 

 

O primeiro disco de Gabriel Improta é mais do que um novo álbum de um violonista virtuoso. É CD de um compositor que, aos 28 anos, já se apresenta maduro suficiente para buscar seu lugar entre os melhores de sua geração - o que não é pouco. Qualquer dúvida, experimente ouvir o "Baião de LA" e veja se Guinga não o assinaria com orgulho. Se por acaso achar que é exagero, recorra ao "Choro para McCoy", e perceba se as harmonias intrincadas não poderiam ter saído das mãos de Hermeto Pascoal. E o que dizer da linda "Valsa de Janeiro" (parceria com o violonista e produtor do disco Marco Pereira), senão ser ela uma emocionante melodia digna dos grandes compositores?

Gabriel é isso aí, um excelente autor, que conseguiu condensar no seu disco de estréia a rica escola de violão brasileira, que passa pelos choros, polcas e maxixes de Villa-Lobos, as improvisações de bom gosto de Hélio Delmiro, o sentimentalismo de Dilermando Reis, os caminhos tortuosos de Garoto, a boemia de Baden... O violonista pede licença ao pai, o grande pianista jazzista Tomás Improta, para seguir seu caminho. E bebe na fonte da tradição mas espalha a poeira para mostrar um novo choro, com a cara da juventude que só começou a ser inventiva depois de calejar os dedos nos bares da Lapa.

Eram e são horas de reverência a Pixinguinha, Callado, Jacob do Bandolim, mas tudo relido de forma criativa e autoral. Gabriel tem dois grupos de música brasileira, toca com Zé Paulo Becker, Yamandú Costa, Caio Marcio, gente que está dando régua e compasso ao choro, estilo tipicamente carioca criado no fim do século 19. E segue um caminho original.

Neste álbum o jovem está acompanhado, como não poderia deixar de ser, da nata. Robertinho Silva incendeia "Corrupião", de Edu Lobo, com sua percussão incessante. Roberto Marques cria belas linhas de trombone em "Mais Pagode do que Jazz". O baixista Ney Conceição ampara a belíssima "Variação Sobre o Prelúdio da Balada de La Doncella Enamorada do El Decameron Negro", arranjo de Gabriel sobre a música de Leo Brouwer. Tomás Improta e Carlos Malta aproximam o Brasil dos EUA no "Choro para McCoy", e o baterista Duduka da Fonseca mantém acesa sua usina percussiva em "Delmiro e Aninha" (cujo subtítulo "É o Violão do Brasil" dá nome ao CD), parceria do violonista com ninguém menos que Aldir Blanc. No fim, Gabriel evoca Tom e Vinicius em "O Morro Não Tem Vez", pede bênção aos mestres, e fecha um disco que surpreende pela qualidade da improvisação e, especialmente, pela capacidade de criar canções que, sem qualquer exagero, nascem com pinta de standards.

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