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O EMOCIONADO GUINGA

Por Fabio Gomes

 

Emoção é a palavra que define a participação do violonista Guinga no tradicional concerto da Orquestra de Câmara Theatro São Pedro em 3 de novembro de 2002. Em alguns números, sentia-se sua voz um pouco presa, contendo-se para não chorar. Mas ele se segurou – ao menos no palco, porque, como o maestro Antônio Carlos Borges Cunha comentou durante a apresentação, no ensaio ele não conseguiu terminar algumas músicas. Cunha creditou o fato à sensibilidade do artista.

Geralmente o convidado se apresenta sozinho com a orquestra ou vem com sua banda, mas desta vez os acompanhantes eram músicos porto-alegrenses da melhor qualidade: Ricardo Baumgarten (baixo), Ricardo Arenhaldt (bateria e percussão) e Jorginho do Trumpete (adivinhem...). Também de Porto Alegre eram os cantores convidados: Gelson Oliveira (que fez vocalise em “Blanchiana”, de Guinga, aberta por uma citação da “Bachianas Brasileiras nº 5” de Heitor Villa-Lobos) e Lúcia Helena. Lúcia cantou “Choro pro Zé” (Guinga – Aldir Blanc) (bela música, com lindas escalas ascendentes proporcionando grandes momentos para a intérprete) acompanhada apenas pelo violão de Guinga e por Jorginho do Trumpete e, em seguida, com os três músicos mais a orquestra, “Bolero de Satã” (Guinga – Paulo César Pinheiro), a canção que, gravada por Elis Regina em 1979, deu início à carreira do Guinga compositor. No bis, “Bolero...” foi antecedida por “Catavento e Girassol” (Guinga – Aldir Blanc), cantada pelo próprio Guinga, já bem mais solto, o que também ocorreu com Jorginho do Trumpete, que nas primeiras intervenções ficara um pouco contido, brilhando mais a partir de “Choro pro Zé”. Arenhaldt deu um clima suave à sua bateria, utilizando baquetas desfibradas ou com abafador.

O concerto iniciou com uma peça do repertório de concerto, de Ernest Bloch, com a qual estreou em Porto Alegre a musicista americana Angela Powers Melo, que neste número foi o primeiro violoncelo. No restante do programa, ocupou esta posição, com o brilho habitual, Milene Aliverti.

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