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KLÉBI NORI: FERTILIDADE EM NOSSO JARDIM

Por Vera Barbosa

Uma flor rara, de nome não menos peculiar: Klébi Nori. Paulistana, compositora e intérprete, traz na voz a força e a sensualidade do universo feminino. Dona de um timbre inconfundível, canta sua vida e seu cotidiano sem clichês e meias-verdades. Fala de sua realidade com poesia e dor, alegria e incerteza, amor e urbanidade, lirismo e temor. A complexidade da compositora está evidenciada em seu quarto CD, Inverno do seu Jardim, pela DNZ Music/Atração.

Klébi Maria Nori começou a compor aos 15 anos e despontou nos palcos aos 24. De lá pra cá, amadureceu seu trabalho, ampliou o repertório e encanta a cada novo disco. Compositora que não estagna, quer sempre mais e, conseqüentemente, inova com grandes composições.

Ao ouvi-la pela primeira vez, pode-se ter a certeza de que é única em seu talento e estilo. Klébi veio completar o time das grandes mulheres da Música Popular Brasileira. Ao lado (nem atrás nem à frente, pois caminha junto) de pétalas como Dolores Duran, Joyce, Fátima Guedes, Zélia Duncan, Adriana Calcanhoto, Ana Carolina e demais compositoras de gabarito, Klébi é um brinde à boa música.

Aos 34 anos, em 1995, lançou seu primeiro CD, Klébi (Dabliú). Dois anos depois, gravou o CD Ilusão das Pedras (Velas), com produção e arranjos de João Marcello Bôscoli e Max de Castro. Em 1999, veio o CD Escolhas (Velas), no qual ela assina 12 das 13 faixas.

Em seus discos, há parcerias com Luli e Lucina, José Antonio Almeida, Silvana Stievano e Ney Marques. Algumas de suas canções foram regravadas por Zélia Duncan ("Que cara tem?"), Mônica Tomasi ("Primeiro"), Silvana Stievano ("Calendário Lunar"), Carlos Navas ("Ligeiro"), Lady Zu ("A mesma viagem") e Vânia Bastos ("Calendário lunar"), entre outros intérpretes. Seu lado poeta também resultou em seu primeiro livro, Os Castanhos, pela Editora Maltese, em 1994.

Outras Palavras

Inverno do seu Jardim tem, além da poesia característica de Klébi, o testemunho da cidadã que enxerga o dia-a-dia e quer transformá-lo; alguém que sente e vive intensamente o amor e a dor. Os contrastes, tão presentes no cotidiano das grandes cidades, são o ponto de partida de seu novo trabalho.

São treze faixas inéditas, das quais onze são composições suas, duas em parceria com o produtor José Antonio Almeida. Os arranjos misturam - sem exageros - acordes de MPB com elementos eletrônicos que destacam, ainda mais, suas interpretações. As invenções sonoras não desajustam a poesia de Klébi, apenas ilustram seu poder criativo, sua sensibilidade e a percepção da realidade que a cerca.

O disco traz participações especiais de Roger Moreira (Ultraje a Rigor) na faixa "Tempo em Comum" e de Oswaldinho do Acordeon em "Família Vende Tudo". Surpreende pela variedade de ritmos e arranjos, leituras incomuns e interpretações densas. Em "Fábula da Carroça", surgem como percussão frigideiras. A música foi feita para o carroceiro Barrabás, que carrega cerca de 400 kg de sucatas pelas ruas de São Paulo e que, como milhões de paulistanos, é personagem oculto na história da cidade.

Outra boa surpresa está em "Não Somos Todos Irmãos", cujos arranjos trazem guitarras e berimbau. Composta para o artista plástico Arcângelo Ianelli, que teve algumas de suas esculturas destruídas em um parque da capital de São Paulo, a canção denuncia o vandalismo.

Em Inverno do seu Jardim, Klébi traduz suas particularidades, assim como as da metrópole. Canta a cidade e suas mais variadas nuances: seu viver, suas dores, os amores desfeitos e a agitação paulistana são traduzidos com vigor e talento. Klébi narra o que a faz refletir e viver, intensamente, sem mascarar a realidade.

A música de Klébi é uma reflexão, na qual ela utiliza elementos da poesia e da realidade para tocar o coração e a consciência das pessoas. O que, de certa forma, alivia a melancolia de um artista.

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