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KLEITON + KLEDIR + ORQUESTRA UNISINOS + CORAL = SUCESSO

Por Cláudia Ramos

 

Vocês podem perguntar para si mesmos que tipo de espetáculo sinfônico lotaria numa quarta-feira à noite o Salão de Atos da UFRGS. Entretanto, foi exatamente isso que ocorreu no dia 27 de novembro de 2002, às 21 horas. O grande segredo do espetáculo era nada mais nada menos que a dupla gaúcha de maior sucesso a nível nacional, os irmãos Kleiton & Kledir. Encerrando a temporada de 2002 de dois projetos, o Sempre às Terças (houve uma apresentação na noite anterior na Unisinos, em São Leopoldo) e o Projeto Cultural UFRGS e Unisinos, o concerto da Orquestra Unisinos contou com a dupla em um espetáculo realmente inesquecível.

Sob a regência do maestro João Paulo Sefrin, o show teve ainda a participação especial dos músicos e cantores Zé Flávio e Pery Souza (que, junto com Kleiton e Kledir, integraram o grupo Almôndegas nos anos 70), além do Coral da Unisinos. Como destaque, temperando as músicas e solando, Jorginho do Trumpete, o qual mostrou sua perfeita e virtuosa relação com seu instrumento de sopro.

A orquestra, o coral e os dois cantores populares interpretaram o sucesso tradicionalista “Vento Negro” (Fogaça) e fizeram uma adaptação à língua portuguesa de uma música de Paul Simon, “Corpo e Alma” (no original, “Bridge Over Troubled Water”).

A entrada era franca e o público, na grande maioria estudantes universitários, empolgou-se de tal maneira, que fazia, às vezes, os músicos imaginarem-se no ginásio Gigantinho ou no estádio Olímpico. Eufóricos, os espectadores dançavam e cantavam as melodias mais conhecidas de Kleiton & Kledir, como “Fonte da Saudade”, “Paixão”, “Canção da Meia-Noite”, “Nem Pensar”, “Vira Virou” e “Deu pra ti”. Aceitaram com humor as novas músicas como “Aquilo”, “História de Amor”, “Capaz” e “Auto-retrato”. Mas a parte mais emocionante do espetáculo foi quando Kleiton cantou sua nova música “Kledizer”, uma homenagem especial a seu irmão Kledir. Não houve quem não se emocionasse com a dedicatória.

Outra parte empolgante do show partiu novamente de Kleiton, quando, em meio à música “Tô que tô”, desceu do palco tocando seu violino e começou a circular entre a platéia, dando um verdadeiro show de musicalidade. Enquanto isso, fazia “serenatas” particulares ao público que o assistia, poses para fotos, dedicatória para crianças presentes e seduzia as fãs bonitas.

Os projetos Sempre às Terças e UFRGS-Unisinos já haviam feito essa mixagem entre o popular e o erudito, segundo o maestro Sefrin, que acredita que essa união aproxima o público em geral da orquestra e desmistifica a imagem de música de elite. “É muito importante esse tipo de espetáculo e ele tornou esse encerramento de temporada memorável”, declara o maestro. O regente também destacou o relacionamento aberto ao diálogo de Kleiton & Kledir.

Alguns deslizes em relação à organização do espetáculo foram abafados pelo show em si. Os cantores cometeram pequenos erros: de afinação, da parte de Kledir; e de entrada em uma música com o coro, de Kleiton. A orquestra esteve impecável e o coro, majestoso. A iluminação deu um espetáculo à parte, numa criação de Rafael Gué Martini. O som de Silvinho não deu nenhum problema sério. O único caso notado gravemente na estética do espetáculo foi uma máquina de fumaça que ficava sempre lançando bruma num mesmo lado. Ao fim do show, algumas pessoas do público ironizaram, dizendo ser uma “Maria Fumaça”, numa referência ao grande sucesso da dupla.

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