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LETÍCIA – SÓ ALEGRIA

Por Fabio Gomes

 

Letícia é uma pessoa feliz. Um belo dia, resolveu cantar e compor para que os outros, ouvindo-a, tornem-se felizes também. Foi o que aconteceu, por exemplo, com todos os que compareceram ao sarau no Solar dos Câmara, em Porto Alegre, no fim da tarde de 11 de dezembro de 2002. Momento histórico: o primeiro espetáculo de Letícia, solo, com banda completa: Só Alegria.

Na missão que se autodesignou (espalhar a felicidade), Letícia desde cedo teve o apoio da família. Que, aliás, estava em peso na apresentação: seu pai, o maestro Estêvão de Oliveira, acompanhou-a nos teclados (soando como piano) em “O Bêbado e a Equilibrista” (João Bosco – Aldir Blanc); seu irmão, Lucas de Oliveira, tocou um violão esperto na balada “Meu Erro” (Herbert Vianna); seu tio, Telmo Luiz, cantou e tocou violão em “Teu Olhar” (uma parceria dele com Letícia). Pontos altos da tarde.

As composições de Letícia cantadas nesse dia giram, aliás, em torno da felicidade: “Lá-lá-lá-lá” (parceria com Jônatas) fala de alguém feliz mesmo após o término de um amor; “Quando a Chuva Terminar” (Letícia – Eduardo Prestes – Edson Valter) trata de um romance que está dando muito certo; a já citada “Teu Olhar” esclarece ao vivente que ele pode ser feliz, basta querer; e “Babalanceia” (classificada entre as finalistas do Coca-Cola Mixer) descreve o Brasil como uma grande festa, com cavaquinho, violão, cachaça e chimarrão. Além destas, Letícia mostrou uma canção que fez em parceria com sua companheira de The Hard Working Band, Andréa Cavalheiro.

Para completar o repertório, ela buscou “mensagens bacanas para se levar para o resto da vida”. Maravilhas como “É Hoje”, de Didi e Mestrinho, samba-enredo da União da Ilha em 1982, “Chove Chuva” (Jorge Ben), “O Segundo Sol” (Nando Reis), “Como uma Onda” (Lulu Santos – Nelson Motta) (esta com um arranjo MUITO bom) e “Final Feliz” (Jorge Vercilo).

Marcante foi a interpretação do sucesso de Ed Motta, “Fora da Lei”, em que Juliano Barreto cantou com Letícia. Os vocalises ondulantes, que os dois prolongavam indefinidamente por compassos e mais compassos cheios de suíngue, são algo para não se esquecer.

Letícia tem uma interpretação pessoal bem definida. Ela por vezes surpreende numa rápida subida de vários tons, com uma volta ao tom anterior – ou qualquer outro, por que não? – com a maior naturalidade, que ainda pode acrescida de algum scat. Também chama a atenção sua capacidade de fazer um vibrato contido (à maneira de Samuel Rosa), sem necessidade de nova emissão da nota. A cantora travou “duelos” de vocalise com o sax (como Sandra de Sá fazia), conseguindo um resultado muito expressivo com o recurso em “Primavera” (Cassiano – Tim Maia). Em outras intervenções do sax, contudo, por várias vezes a voz suave de Letícia foi abafada.

Predomina nas músicas uma forte sonoridade pop, garantida pela banda composta por Jéferson Marx (guitarra), Daniel Azevedo (baixo de 5 cordas), Marcelo Ribeiro (saxofone), Mano Gomes (bateria), Leandro Lago (percussão) e Maurinho (teclados).

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