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LIZA MARIA

Por Fabio Gomes

 

A violonista Liza Maria, 22 anos, atualmente morando em Florianópolis, esteve recentemente realizando duas apresentações em sua cidade natal, Porto Alegre. A primeira, que assisti, foi no Espaço Cultural Litterata, no dia 1 de agosto de 2003. A segunda aconteceu no Zelig, em 5 de agosto.

Liza tem um repertório composto de músicas próprias e de peças de grandes autores da música brasileira, como Dorival Caymmi, Edu Lobo, Milton Nascimento, entre outros. Baden Powell também é um dos compositores que Liza interpreta, mas sua ligação com o autor de “Berimbau” não é apenas no repertório. Como Baden, Liza executa com muita liberdade as músicas. O próprio jeito dela tocar, na primeira parte do recital, lembrava muito Baden (Tiago Piccoli também achou). Lembrava, vejam bem, principalmente por dois motivos: 1º, Baden era inimitável; 2º, Liza não quer imitar ninguém, só quer mostrar que toca muito bem (parafraseando Noel Rosa).

As músicas da primeira parte foram todas executadas como releituras, com boa dose de improviso - muitas vezes o tema principal entrava quase como uma citação (por exemplo, em “Águas de Março”, de Tom Jobim). A partir de “Samba do Grande Amor” (Chico Buarque) até o final da apresentação, Liza se ateve um pouco mais às linhas melódicas originais.

A Liza Maria compositora revelou-se na última peça executada, um tema intitulado “Yamandú” – sim, uma homenagem ao grande violonista Yamandú Costa. Uma peça bem virtuosística, ao estilo “Baden” da parte inicial do recital.

Por várias vezes uma música prevista no roteiro chamava outra, e mais outra, resultando em junções interessantes como “Wave” (Tom Jobim)/“Estrada do Sol” (Tom Jobim – Dolores Duran)/“Trilhos Urbanos” (Caetano Veloso). Ou “Asa Branca” (Luiz Gonzaga – Humberto Teixeira) dialogando com “Domingo no Parque” (Gilberto Gil) e “Roda Viva” (Chico Buarque).

Certamente foi por isso que, ao final, quando Liza já estava saindo do Litterata, alguém lhe perguntou se ela tocaria as mesmas músicas no Zelig. Resposta da moça:

- É o mesmo repertório, mas é outro show.

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