Brasileirinho - Principal

Voltar ao Menu - Artigos

 

LOURDES RODRIGUES E FRANK SOLARI

Por Fabio Gomes

 

A vida da gente hoje é muito corrida e projetos como o Encontros são uma boa ocasião para os artistas trocarem experiências. Foi assim, não exatamente com essas palavras, que o guitarrista Frank Solari, em 31 de outubro de 2002, saudou a iniciativa que a Coordenação de Música da Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre promoveu nas quintas-feiras desse mês no Teatro Renascença. Concordo com Frank.

Das cinco duplas reunidas pela primeira vez (esperemos que não pela única), a que a mais atiçava a minha curiosidade era justamente a formada por Frank e pela cantora Lourdes Rodrigues. Que caminhos musicais trilhariam em comum o guitarrista cultor do rock instrumental e a Dama da Canção?

A resposta veio já na abertura do espetáculo. Lourdes e Frank iniciaram com "Eu Sei que Vou te Amar" (Tom Jobim - Vinicius de Moraes). Em seguida, Frank fez sua parte solo, executando, com acompanhamento de bases pré-gravadas, temas de seus dois primeiros discos e já dando uma amostra do terceiro, a sair em breve (no qual terá a participação especial de Pepeu Gomes). De repente, uma surpresa: o guitarrista toca o choro "Rabo de Foguete" (Ricardo Silveira), com base pré-gravada, e, na seqüência, o dificílimo "Espinha de Bacalhau" (Severino Araújo). Este, num desafio feito a si próprio, Frank tocou sem acompanhamento algum - o que, se dá maior liberdade de improviso, também tira a segurança proporcionada pela marcação da percussão gravada. O desafio foi vencido brilhantemente.

Na volta de Lourdes ao palco, Frank acompanhou o trio da cantora (Zê- guitarra, Alexandre - baixo e Carlito - bateria) em "Sozinho" (Peninha). Lourdes seguiu com o trio, apresentando clássicos de Lupicínio Rodrigues, Chico Buarque, João Bosco e Aldir Blanc, Gonzaguinha e Ary Barroso. Sempre afinada e colocando muito bem a voz, Lourdes é incansável no incentivo aos compositores brasileiros - em suas palavras, "nossa música, nossa terra, nossa gente". Um bom motivo para que ela convocasse o baixista Alexandre para cantar seu grande sucesso, "Negra Ângela", consagrado na voz de Neguinho da Beija-Flor.

Lourdes, Frank e o trio encerraram com "Brasileirinho" (Waldir Azevedo). Excelente escolha, convenhamos. Os quatro músicos já iniciaram o choro com boa dose de improviso, seguindo mais a melodia original ao acompanhar Lourdes. No momento do solo, Frank improvisou pra valer, com Zê, Alexandre e Carlito mantendo um andamento bem rítmico para o clássico. Só cabia ao público que quase lotou o Renascença pedir mais um. E o pedido foi atendido em alto estilo: "As Rosas Não Falam" (Cartola).

Frank falava na importância da integração entre os artistas, proporcionada pelo Encontros. Da mesma importância, acrescento, é a integração entre públicos. Explico. O mercado cada vez mais aposta na segmentação. O público de Frank Solari não é o mesmo público de Lourdes Rodrigues, e é natural que seja assim. O Encontros conseguiu reuni-los (os públicos) lado a lado, nas confortáveis poltronas do Renascença, numa convivência que podemos definir como democrática.

Lourdes Rodrigues segue as comemorações de seus 50 anos de carreira. Informamos nas Dicas de 28/10/02 que ela receberia o Prêmio Lupicínio Rodrigues durante este show, mas a entrega foi adiada. Já Frank Solari prepara o lançamento do novo disco, enquanto alinhava um projeto de choro. E o Encontros? No momento, não há previsão de novas edições. Ficaremos no aguardo, desde já decretando como históricas essas cinco noites da primavera porto-alegrense.

Copyright © 2003. É proibida a reprodução total ou parcial do conteúdo do Brasileirinho para fins comerciais