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PAULINHO BOCA (E VOZ) DE CANTOR

Por Fabio Gomes

 

 

Se a boca do cidadão é realmente de cantor ou não, não tenho como dizer - ela não parece muito diferente das bocas dos não-cantores que andam por aí. Mas a voz, com certeza, é de cantor MESMO.

Me refiro à apresentação de Paulinho Boca de Cantor no Santander Cultural (Porto Alegre), em 14 de novembro de 2004, dentro da programação da 50ª Feira do Livro de Porto Alegre, que teve a Bahia como estado convidado. Em quase todas as músicas, Paulinho canta projetando bem a voz, conciliando o grande volume com uma emissão muito agradável. E isso não significa que Paulinho esteja cantando a plenos pulmões, como seu ídolo Vicente Celestino (que ele homenageou, interpretando de seu repertório "Senhor da Floresta", uma seresta de René Bittencourt). Isto ficou claro já de saída, em "Faixa de Cetim" (Ary Barroso). Paulinho fez uma introdução atonal, passou para o sambão e ralentou um pouco ao final.

A carreira de Paulinho foi bem descrita na música "Cantor Popular", uma parceria sua com Moraes Moreira e Guilherme Maia: o começo como crooner de conjuntos de baile, depois a histórica fase dos Novos Baianos e sua carreira solo após o fim do grupo, em 1979.

Naturalmente, entre as músicas mais aplaudidas do fim de tarde estavam as do repertório dos Novos Baianos: "Swing de Campo Grande" (Moraes Moreira - Paulinho Boca de Cantor - Galvão), com bom solo de teclado por Júlio Vicente, que incluiu vários floreios à linha melódica original; o sambão "Brasil Pandeiro" (Assis Valente), puxado pelo teclado e pelo pandeiro de Paulinho (que conseguiu um belo efeito ligando as notas das segundas partes - cantando, né, não no pandeiro!); o megasucesso "Preta Pretinha" (Moraes Moreira - Galvão), cheia de mudanças de andamento (como tinha que ser), em que se destacou o violão de Sidnei Valle, o teclado reservando-se mais para a harmonia; e "Dê um Rolê" (Moraes Moreira - Galvão), aplaudida já no anúncio e em que o trio se mostrou bem integrado.

O público apreciou ainda as músicas de Paulo Leminski que Paulinho interpretou: "Valeu" e "Se Houver Céu" (nesta, numa das repetições do título, o cantor surpreendia, subindo uma oitava, voltando no verso seguinte ao tom original).

Apenas em "Falsa Baiana" (Geraldo Pereira) pode ter faltado um pouco de ensaio: os músicos tocaram o samba com andamento super-acelerado, o que levou Paulinho a tropeçar no início, mas recuperou o embalo em seguida e chegou a frasear muito bem do meio para o final.

Difícil dizer qual o melhor momento, arrisco um empate técnico entre "Preta Pretinha" e a seleção de samba-de-roda do bis, em que o violão esteve soberbo. O teclado fez apenas uma base, enquanto Paulinho puxava a participação do público nas palmas. Muito bom!

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