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PEÇAS DE PESSOAS: FRUTO MADURO

Por Fabio Gomes

 

O CD de estréia de Adriana Deffenti, Peças de Pessoas (Barulhinho), é um fruto maduro. A cantora reuniu nele um repertório com o qual vem trabalhando há um bom tempo - basta dizer que TODAS as músicas do disco, bem como as do espetáculo de lançamento (realizado em 17 de dezembro de 2002 no Theatro São Pedro, em Porto Alegre), faziam parte do show de Adriana dentro do projeto Blue Jazz, em 15 de junho de 2001 (no foyer do mesmo TSP). Algumas das canções dos dois espetáculos (“Sapatos em Copacabana”, de Vitor Ramil, “Pô, Amar é Importante”, de Hermelino Neder e “Samba Tango”, de Otávio Santos, as 3 no CD, além de “Berlim, Bom Fim”, hino dos anos 80 escrito por Hique Gomes e Nei Lisboa), Adriana interpreta desde 1999, pelo menos.

Não vá alguém pensar que se trata de acomodação de Adriana. A manutenção do repertório sugere, antes, um cuidado de ourives. É visível (ou melhor, audível!) que Adriana está cantando cada vez melhor - usando bem o vibrato e valorizando as pausas, por exemplo. Em “Berlim, Bom Fim”, em dado momento uma vocalização lírica (Adriana é mezzo-soprano) é finalizada num grito, coerente com o clima punk da música. Já em “Cha Cha Cha Moderno”, sua forma de cantar chega a lembrar a do autor da canção, Nei Lisboa. Também cenicamente notam-se diferenças. A cantora que pouco se movimentava no palco em 1999 deu lugar a uma artista mais completa, que incorpora expressão facial, dança, Libras (linguagem brasileira de sinais) e toque de castanholas para reforço da mensagem, resultado provavelmente de sua participação em projetos de teatro e de circo. Adriana revela-se também compositora com “Menina do Jornal” (ela apresentou no show outra música sua, em parceria com Otávio Santos, que a acompanhou ao teclado).

Algumas músicas estão de roupa nova. A introdução à la Toquinho que Marcelo Corsetti fazia para “Pô, Amar é Importante” foi substituída por um riff de guitarra distorcida, aliás, do mesmo Corsetti. Muito boa a sacada de transformar “Querendo Chorar”, canção regionalista de Teixeirinha, em samba (faixa-bônus das mil primeiras cópias do disco). Como surpresa, ainda, uma versão bem acústica de “Going to California” (Jimi Page - Robert Plant, do Led Zeppelin).

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