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Plauto Cruz: Choro Alegre
Porto-alegrenses podem ouvir toda semana
um dos melhores flautistas do País – de graça


cd3 A estreia de minha coluna no Prosa em Verso, na terça passada, falando dos Retrofoguetes, repercutiu bem mais do que eu podia imaginar. Recebi ótimos comentários, o primeiro sendo do colega colunista GenteFina, me cumprimentando por ter entrevistado Altamiro Carrilho. Sempre digo que Altamiro é um dos dois maiores flautistas do Brasil. O outro é o gaúcho Plauto Cruz.

Altamiro e Plauto já dividiram o palco num show do projeto O Choro é Livre que marcou época em Porto Alegre. Em 11 de novembro de 1984, os dois tocariam no foyer do Theatro São Pedro, cuja capacidade é para… 90 pessoas. O local naturalmente se revelou pequeno e o encontro histórico foi transferido para o palco principal do Theatro (700 lugares). No livro Som do Sul (2002), Henrique Mann escreveu no capítulo dedicado a Plauto: “Uma multidão acorreu ao evento que reunia dois monstros sagrados da flauta brasileira. Lotação esgotada por um público múltiplo em faixa etária e classe social. Muita gente teve que voltar para casa sem conseguir entrar no Theatro São Pedro.”

Aquele show de 1984 eu não vi, nem morava em Porto Alegre. Atualmente, ouço Plauto todas as quintas no bar Odeon. Ele só não toca quanto tem algum show fora da cidade, ou por motivo de saúde. Assim foi no começo do ano: sofreu um infarto em janeiro, porém se recuperou incrivelmente rápido para alguém de 80 anos e antes do Carnaval já estava de volta, tocando ao lado da pianista Dionara Schneider, do saxofonista Mário Thaddeu e do cantor Celestino Santana, o Tino, o intérprete oficial da única música de Plauto que tem letra (escrita pelo próprio flautista): o samba-canção “Força Atraente”, composto nos anos 1950 e ainda inédito.

De fato, boa parte de sua obra ainda não foi gravada. Talvez pelas poucas oportunidades que Plauto teve para fazê-lo. Chegou a atuar como instrumentista em mais de 40 discos – acompanhando artistas como Lupicínio Rodrigues, Kleiton & Kledir, Ângela Maria e Silvio Caldas – porém, os discos que assinou se resumem a oito: O Choro é Livre (1977), Nós, os Chorões (coletivo, 1980), O Fino da Flauta (1981), Engenho e Arte (com Mário Barros, 1995), Em Novos Tempos de Seresta (1998), Choros e Canções (1999) e O Mago da Flauta (2002). Há mais um CD, gravado ano passado. Enquanto este lançamento não acontece, ouçamos o choro “Ginga no Samba”, do CD O Mago da Flauta. Curte o som!

Serviço
PLAUTO CRUZ
choro, bossa nova e MPB
Bar Odeon (Rua Andrade Neves, 81, Centro, Porto Alegre)
Fone: 51-3224-5752
Quintas, 21h. Grátis

(Fabio Gomes)
(Publicado originalmente na coluna Curtissom,
do site Prosa em Verso - 30.03.10)

 

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