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ZÉLIA DUNCAN - A ARTE DE PRÉ-PÓS TUDO

Por Carlos Costa Cabalini

A faixa-título que abre o disco Pré-pós tudo bossa band já mostra, de cara, uma Zélia Duncan "diferente". O nome, por si só, demonstra a inquietude de uma artista que parece não querer ser "rotulada". A música, composta em parceria com Lenine, resume bem o clima do disco: um bom jogo de palavras e a crítica sobre a sociedade onde "Todo mundo quer ser bacana". O que menos importa aqui é o conceito ou uma estética. Zélia consegue dialogar diretamente com o momento em que vivemos sem soar contemporânea demais e, o melhor, sem artificialidades.

Zélia Duncan já vinha de uma "safra" de discos bons como Acesso (1998) e Sortimento (2001), mas nada se compara com o último, Pré-pós tudo bossa band, lançado em 2005. Não que seja um trabalho completamente diferente do que vinha fazendo, ela até segue, mais ou menos, a mesma linha. Porém, as músicas estão mais maduras e fica claro que a estrada fez bem à cantora.

Zélia acertou em cheio nas parcerias. Continuou com as colaborações de Christiaan Oyens ("Distração"), Lucina ("Eu não Sou eu") e Itamar Assumpção. Este aparece em quatro músicas: "Vi, não vivi" com Christiaan Oyens, música que mais se aproxima dos outros discos de Zélia; "Tudo ou Nada" e "Milágrimas" com Alice Ruiz e "Dor Elegante" com Paulo Leminski. A cantora também inovou compondo com Paulinho Moska a ótima "Carne e Osso" e "Não": a primeira trata com bastante bom humor "O direito ainda que profano/ Do mundo ser sempre mais humano", enquanto a segunda traz um poema em que Zélia canta com facilidade, como se estivesse recitando. Com Martin'alia, ela divide a autoria de "Benditas". Pedro Luiz é parceiro em "Braços Cruzados", canção que reforça a necessidade de "Alguém de carne e osso/ Alguém que se possa confiar um pouco". Beto Vilares aparece como arranjador em várias faixas e apresenta "Redentor", sua parceria com a cantora é um dos pontos altos do disco. A participação mais que especial fica por conta de César Guerra-Peixe. Zélia nos presenteia com uma letra engenhosa escrita para uma composição do maestro. "Diz Nos Meus Olhos (Inclemência)" é uma canção que parece ter saído do trabalho que a cantora lançou um ano antes, Eu Me Transformo em Outras, mas se encaixa bem no disco.

Destaque para a música "Quisera Eu", parceria com Lulu Santos, um samba novo, com frescor que deixa um "ar" de coisa nova, mas com algumas referências ao passado. E para o dueto com Frejat em "Mãos Atadas", de Simone Saback, música de uma inspiração tamanha, coisa rara no cenário atual, o que ajuda para uma interpretação emocionante. O resultado é formidável.

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