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O PRÍNCIPE

Por Fabio Gomes

 

Ugo Giorgetti, o brilhante diretor das comédias Festa (1989), Sábado (1995) e Boleiros – Era uma Vez o Futebol (1998), propôs-se um desafio: realizar um drama, no caso o filme O Príncipe (São Paulo, 2002), com Eduardo Tornaghi, Bruna Lombardi, Otávio Augusto, Ricardo Blat, Ewerton de Castro, Adriano Stuart e, numa rápida aparição, o maestro Júlio Medaglia. A partir da história de Gustavo (Tornaghi), que viveu na França por 20 anos, e de seu contato com seus amigos da juventude, seria traçado um panorama crítico do Brasil atual. Giorgetti não se saiu bem do desafio. Há bons momentos em O Príncipe , mas são poucos.

Para começo de conversa, em nenhum momento o espectador é informado do que, afinal, Gustavo fez por tanto tempo em Paris. A sinopse do filme informa que ele é um “intelectual”. Mas nada na fita confirma. Na verdade, Gustavo nem parece importar muito para o próprio filme. Sintomática é a cena em que, num restaurante, ele encontra seu amigo Renato (Otávio Augusto), que ficou paraplégico. Renato pergunta como Gustavo está, em seguida se corrigindo: “Bem, isso não importa, eu quero mesmo é saber como vai seu irmão”.

Ah, sim: o irmão de Gustavo (vivido por Ricardo Blat), professor de História numa escola particular, resolve pregar que o Brasil tem um passado medíocre e que devemos criar (sic) uma nova História para nosso país, inventando fatos grandiosos. A direção da escola manda interná-lo num sanatório, e é por esse motivo que Gustavo volta ao Brasil. A loucura do irmão é resolvida num lance que poderia ser melhor explorado, pois da forma como aparece fica banal e termina por não justificar a importância que recebeu na trama.

E os bons momentos? Cito o melhor deles: num coquetel, Gustavo é apresentado duas vezes a um maestro (Júlio Medaglia), que diz sempre: “É um prazer, um amigo de Fulano de Tal é nosso amigo também”. Hilariante ainda a cena em que Medaglia e Ewerton de Castro afirmam a importância de aproveitar a presença ali de um ministro para dar um “jeitinho” em determinado projeto, mostrando a que ponto pode chegar a idéia de que o mercado pode regular tudo na área cultural.

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