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Retrofoguetes, ativar!

23 Marco 2010

Banda baiana é destaque na nova safra do instrumental brasileiro

Por Fabio Gomes em Curtissom

Um dos momentos mais felizes da minha carreira de jornalista cultural foi entrevistar o flautista Altamiro Carrilho, em 2003, para o site Brasileirinho. Uma das coisas que ele disse que mais me marcaram foi, ao lembrar as caravanas que nos anos 1950-60 divulgavam a música brasileira no exterior: “O sucesso das caravanas foi enorme, porque nós tocávamos 90% de música instrumental. Sem barreiras de idioma. O idioma é uma barreira enorme fora do Brasil. Elis Regina chegou a ir numa das últimas caravanas. Com todo o sucesso que ela conseguia no Brasil, lá fora ela perdia para meus instrumentistas. Por causa do idioma. Agora, instrumental era sempre sucesso garantido.”

O espaço para a música instrumental no Brasil era realmente maior naquela época, depois uma série de interesses da indústria fonográfica “decretou” que só música cantada (de preferência, com refrão pegajoso) podia fazer sucesso - e o que não se encaixava nisso era tratado como algo à parte. Aos poucos, com o declínio das majors e a articulação da cena independente, isso foi mudando, graças a Deus. Lembro da minha alegria ao constatar que, entre os melhores shows do Festival Varadouro, em Rio Branco, Acre, em 2008, em que naturalmente predominavam na programação bandas que cantavam, vários dos shows de destaque eram instrumentais: Pata de Elefante (RS), La Pupuña (PA) e os peruanos do Bareto, que “fizeram aquele que foi para mim o grande show do Varadouro 2008. Não só para mim, com certeza, afinal foi este o único show que fez as pessoas dançarem na segunda noite”, escrevi no site Jornalismo Cultural.

Foi por meio dos paraenses da Pupuña que vim a conhecer o som dos Retrofoguetes. Este grupo baiano - formado por Morotó Slim (guitarra), CH (baixo) e Rex (bateria) - convidou seus amigos nortistas para tocarem este ano no Trio Foguetão, no carnaval de Salvador. O trio da banda integra o projeto Retrofolia, que visa resgatar antigas tradições carnavalescas, e que neste ano contou com um baile de salão e dois desfiles, um no Barra-Ondina e outro no Pelourinho, sem haver cordas separando as pessoas, nem abadás vendidos a preços exorbitantes. O próprio fato de sair sem cantor no carnaval já é por si só um resgate: nenhum trio elétrico tinha cantor até que Moraes Moreira letrou “Double Morse”, de Dodô e Osmar (rebatizando a música como “Pombo Correio”), e saiu no trio deles, em 1976 – o resto da história você já sabe.

Já o som dos Retrofoguetes, com certeza, de tradicional não tem nada! Associados com a surf music desde o primeiro disco – Ativar Retrofoguetes! (2003) –, hoje sua alquimia sonora funde ingredientes tão diversos quanto o rockabilly, o tango, jazz, funk, soul, polca e… mambo, como vamos ouvir em seguida, em “Maldito Mambo!”, faixa do CD Chachachá (Indústrias Karzov, 2009). O disco coleciona reconhecimentos: para a revista Rolling Stone Brasil, foi um dos 25 melhores nacionais de 2009; para o jornal A Tarde (Salvador), ficou em 3º lugar; e para a revista e portal Rockpress, ele foi o melhor e ponto. Curte o som!

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