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“NA RODA DO CHORO” COMEÇA BEM

Por Fabio Gomes

 

Teve início na terça, 4 de novembro de 2002, a série Na Roda do Choro, que até 17 de dezembro vai levar à Discoteca Pública Natho Henn da Casa de Cultura Mário Quintana os grupos Camerata Brasileira e Reminiscências, além de convidados. Em torno de 60 a 70 pessoas (como o espetáculo é grátis, houve muita renovação do público o tempo todo) de idades bem variadas prestigiou a apresentação.

Os grupos estão de parabéns, primeiro, pela iniciativa. Em segundo lugar, por fugir à tentação de tocar um repertório “fácil” (ou seja, apenas choros já conhecidos do grande público, em versões parecidas com as dos discos). Em casos de peça conhecida, notava-se a preocupação de fazer um arranjo original, como toques de sino na abertura de “Pedacinhos do Céu” (Waldir Azevedo). Também “Bachianas Brasileiras nº 5” (o primeiro movimento) teve um arranjo interessante, com bom solo de bandolim. Que dizer, então, da levada flamenca de “Santa Morena” (Jacob do Bandolim)? Até aqui, falei da Camerata Brasileira, mas o mesmo se aplica ao Reminiscências. Não é todo dia que os amantes do choro em Porto Alegre podem ouvir músicas de Anacleto de Medeiros e Geraldo Vespar. Mesmo quando se trata de compositor conhecido, as escolhas do Reminiscências privilegiam peças não “batidas”, como “Marilene” (Pixinguinha). As execuções dos dois grupos são muito boas. Na Camerata, o bandolim de Rafael (ex-Chorando Cedo) se destaca, enquanto no Reminiscências Tiago faz algo difícil de se encontrar hoje em dia: centro de cavaquinho, o que dá uma sonoridade bem característica ao grupo.

Os convidados do primeiro dia, acompanhados pelo Reminiscências, foram os flautistas Tito e João (este acompanhado ainda por Tiaraju no violão de 7 cordas e Jairo no cavaquinho). Uma característica curiosa do Reminiscências é que, ao acompanhar um convidado, este entra momentaneamente no lugar de alguém do grupo. Por exemplo, quando tocaram com Tito, o bandolinista retirou-se do palco, permanecendo um total de 4 músicos.

Então, já sabem: terças, às 19h, é a hora do choro na CCMQ. Esperemos que os percalços da estréia (zumbido constante na caixa de som e escolha de um local estranho para os músicos atuarem, quando eles poderiam ficar junto à platéia) sejam logo superados. E, óbvio: que o projeto não fique só nestas sete edições, possa prosseguir em 2003, 2004, 2005, 2006..

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