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TIAGO PICCOLI NA RODA DO CHORO

Por Fabio Gomes

 

A edição de agosto de 2003 da série Na Roda do Choro, na terça, dia 5 (Casa de Cultura Mário Quintana – Porto Alegre) contou com a presença do violonista Tiago Piccoli na abertura. Ele apresentou peças do seu recital anterior, na Casa Coletânea, em junho, como o “Estudo nº 5” (Radamés Gnattali) e duas de Dilermando Reis, “Tempo de Criança” e “Uma Valsa e Dois Amores” (as duas de Dilermando, a meu ver, foram o ponto alto de sua participação nessa noite). Tiago aproveitou para estrear também outros dois números: “Sinal dos Tempos” (Garoto) e, de Radamés, o “Choro (3º movimento da Brasiliana nº 13 para violão solo)”. Choro é repertório bom.

Tiago demonstrou estar evoluindo como instrumentista, exibindo um desempenho mais seguro, reforçando as qualidades que já são do conhecimento de nossos leitores. Choro é estudo.

Na segunda parte, a Camerata Brasileira apresentou-se com o repertório que vem exibindo em suas apresentações mais recentes, com ênfase para choros de seus integrantes. Choro é companheirismo.

O novo arranjo de Rafael Ferrari para “Carinhoso” (Pixinguinha – João de Barro), estreado na Roda de Choro do Fome Zero, foi tocado pela primeira vez na Casa de Cultura, impressionando a platéia por sua equilibrada mistura de tradição e modernidade (Tiago classificou-o como “arranjo música contemporânea”). Choro é talento.

Aqui e ali, algumas surpresas, como a citação a “Isto Aqui o que É” (Ary Barroso) no início de “Um a Zero”, com o qual o bandolinista Ferrari quase desnorteia o grupo – em grande parte porque a citação era em outro tom. Choro é desafio.

Também chamou a atenção Luís Barcelos mexendo o ombro esquerdo ao compasso de “Minha Vida” (Rafael Ferrari), no melhor estilo Yamandú Costa. Choro é expressão corporal.

Já em “Santa Morena”, Ferrari iniciou com mais ênfase na melodia, numa interpretação mais sutil, que aos poucos evoluiu para a levada flamenca habitual, com “olé” e o bandolim tocado como banjo. Ferrari me assegurou que o arranjo é o mesmo. Choro é forma de tocar.

Para a edição de 2 de setembro, devem se apresentar, além da Camerata, o violonista Maurício Marques e os alunos de Rafael Mallmith. Choro é gente nova.

Após o espetáculo, os dois Rafaéis (Ferrari e Mallmith) ouviram um artesão tocando “Carinhoso” numa flauta doce de madeira, em plena Praça da Alfândega. Ferrari aprovou o flautista. O choro é livre.

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