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SOCIEDADE DO CHORO, ALEGRIA NO JAJABAR

Por Fabio Gomes

 

O grupo paulista Sociedade do Choro é o responsável pela animação da roda de choro das segundas no Jajabar - Via Cultural (São Paulo). Criado há aproximadamente um ano, o regional reúne cinco excelentes músicos - Carlinhos Amaral (violão de 7), Rafael Brides (violão de 6), Renato Vidal (percussão) e Murilo Cabral e Marcel Ricardo (cavaquinhos) - que vêm conseguindo bons espaços para apresentar seu trabalho de alta qualidade ao público (acompanhe a agenda do grupo pelas nossas Dicas).

Estive na roda do Jajabar no dia 3 de novembro de 2003. O lugar e o clima são muito agradáveis, a receptividade é total. Qualquer pessoa presente pode chegar com seu instrumento e tomar parte na roda, tocando junto com a Sociedade. Nesse dia, eles receberam a visita de dois integrantes do grupo Língua Brasileira, Martín (sax tenor) e André (clarinete). Juntos, brilharam em choros como "Um a Zero" e "Naquele Tempo" (Pixinguinha), "Gaúcho" (Chiquinha Gonzaga) e "Santa Morena" (Jacob do Bandolim), sem contar o sarro que foram as brincadeiras em torno de "André de Sapato Novo" (André V. Corrêa), que incluíram até o "Batman Theme" (Neal Hefti). "Brasileirinho" (Waldir Azevedo) também recebeu um tratamento especial do grupo, reforçado pela presença do dono do Jajabar, Wagner, ao tamborim. André apresentou o tema ao clarinete, com resposta imediata de Wagner e Renato na percussão e arpejos de Marcel ao cavaco; em seguida, Murilo fez o centro, sustentado pela baixaria de Rafael, que evoluiu para um solo. Também solaram Marcel e Carlinhos, após o que os percussionistas cadenciaram o acompanhamento aos cavaquinhos, no trecho que corresponde aos versos "Brasileirinho abafou". Murilo, mantendo aqui e ali um belo diálogo com o violão de Rafael, assumiu o solo, que foi acelerando cada vez mais, encerrando com grande brilho numa citação dos compassos finais da "Aquarela do Brasil" (Ary Barroso).

Também esteve presente o cantor Lineu Cezar, que canta no Jajabar todas as terças. Com a parceria da Sociedade, o seresteiro apresentou pérolas de Ary Barroso ("Pra Machucar Meu Coração"), Cartola sozinho ("As Rosas não Falam", com bom tremolo de Murilo), Cartola com Dalmo Castello ("Corra e Olhe o Céu"), Geraldo Pereira e Nelson Trigueiro ("Sem Compromisso") e a dupla Pixinguinha - João de Barro ("Carinhoso").

Pixinguinha, aliás, bem poderia ser o patrono da Sociedade. Além de tocar os temas de Pixinga presentes em todas as rodas de choro - além das já citadas, "Lamento" e "Proezas do Sólon" -, o grupo apresentou nesse dia o pouco conhecido "Joaquim Virou Padre", em que a boa execução da seqüência de acordes da parte central chegou próxima ao sublime. Jacob também não poderia faltar, com "Doce de Coco" e, num dos grandes momentos da roda, "Noites Cariocas". Carlinhos apresentou dois choros de sua autoria, "Vertiginoso" (em parceria com Neto Araújo) e "Desconcertos".

A principal característica que define a Sociedade do Choro é a alegria de tocar que seus integrantes demonstram o tempo inteiro. Os dois cavaquinistas, Marcel e Murilo, fazem centro e solam. É interessante a preocupação que eles têm de, embora com o mesmo instrumento, diferenciar-se na sua execução, pois não teria sentido um dobrar o que o outro estivesse tocando. Uma curiosidade no som do grupo é que geralmente quem faz a baixaria é Rafael, no violão de 6, e não Carlinhos no violão de 7 como seria de se esperar.

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