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WAGNER TISO E VICTOR BIGLIONE

Por Fabio Gomes

 

O compositor, pianista e arranjador Wagner Tiso e o violonista Victor Biglione reuniram várias músicas - alguns clássicos, outras composições do próprio Tiso -, para as quais fizeram arranjos com grande dose de liberdade em relação aos originais. Foi este espetáculo que a dupla apresentou no Santander Cultural (Porto Alegre - RS) em 19 de outubro de 2003.

Na maior parte das músicas, o piano faz a base, no estilo "muitas notas" de Tiso, para o vôo solo do violão. Foi assim em "Vera Cruz" (Milton Nascimento) e em "Nave Cigana" (Wagner Tiso) - se bem que, neste, havia ainda um longo solo de piano, quase uma cadência de música de concerto, numa execução que arrancou muitos aplausos do público.

O grande momento do fim de tarde foi com "Samba de uma Nota Só" (Tom Jobim - Newton Mendonça), que começou com uma introdução bem alegre, seguindo-se vários compassos em que Tiso tocou o tema como se fosse uma peça jazzística dos anos 1950, enquanto Biglione fazia a base tocando os bordões do violão de baixo para cima. Em seguida, Tiso sustentou o solo de Biglione, até que os dois iniciaram uma levada caribenha. Após breve pausa, voltou-se rapidamente à introdução e fechou-se caribenhamente, em número novamente muito aplaudido.

Também devo destacar "Sonho de um Carnaval" (Chico Buarque), que começou bastante semelhante ao arranjo original, com o violão e o piano em oitavas, evoluindo depois para uma fantasia, com piano na base e violão no solo, depois se invertendo essa relação. O final foi em oitavas novamente. Uma bela peça.

Algumas músicas passaram por uma transformação completa, como "Na Cadência do Samba" (Ataulfo Alves - Paulo Gesta), tocada como peça vanguardística, e "Procissão" (Gilberto Gil), que recebeu um arranjo "jazz-junino", com solo (jazz) do piano e comentários (juninos) do violão aqui e ali. Houve outras passagens em que cada integrante da dupla trazia uma influência diferente para a música interpretada. Foi assim com "Sete Tempos" (Wagner Tiso), em que Biglione imprimiu uma levada pop, enquanto Tiso mostrou seu virtuosismo. Já em "Vento Bravo" (Edu Lobo), Biglione tocou o violão como se fosse um baixo, enquanto Tiso percorria quase toda a escala musical, fixando-se depois nos graves.

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