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TRIO BRASIL BEM SOADO

Por Fabio Gomes

 

O Trio Brasil Bem Soado (Eldade Chapper – clarinete, Johannes Doll – saxofone soprano, Pedro Homero – violão), que se dedica ao resgate da produção instrumental da primeira metade do século passado, apresentou-se três noites seguidas no Fellini Piano Bar (Porto Alegre) – 21, 22 e 23 de novembro de 2002.

Na noite de 23, o trio iniciou seu espetáculo com músicas de Octávio Dutra (1884-1937), o compositor porto-alegrense mais importante das décadas de 1910 e 1920 (para saber mais sobre o criador do Terror dos Facões, recomendamos o livro Octávio Dutra na História da Música de Porto Alegre, de Hardy Vedana, Porto Alegre: edição do autor, 2000). Através de choros, polcas e maxixes como “Mulher Fingida” e “Celina”, o público pôde conhecer o que se ouvia na capital gaúcha há 80 anos, antes do advento do rádio. A primeira parte do espetáculo se encerrou com músicas de um aluno aplicado de Octávio, o flautista Dante Santoro (1904-1969): “Gilka” e “Quando Minha Flauta Chora”. A propósito, Eldade desfia uma tese interessante: Octávio Dutra foi genial pela quantidade de músicas que compôs, não pela qualidade delas (embora haja muitas realmente muito boas).

Na seqüência, o trio brindou a platéia com clássicos do choro, como “Odeon” (Ernesto Nazareth), “Pedacinhos do Céu” (Waldir Azevedo) e “Ingênuo” (Pixinguinha), no qual o clarinete de Eldade imita uma cuíca nos últimos compassos.

De modo geral, a interpretação do Brasil Bem Soado equilibra-se entre o dolente e o alegre. O clarinete e o sax, muitas vezes, unem seus timbres em belos uníssonos. Quem julga que faltaria um instrumento de percussão para “fechar” o som do grupo, engana-se: Pedro Homero, no violão, dá conta tanto da parte harmônica quanto da rítmica. Como, por sinal, demonstrou após o final da apresentação do trio, quando solou vários temas flamencos ao lado de arranjos originais para “Luar do Sertão” (João Pernambuco – Catulo da Paixão Cearense) e “O Barquinho” (Roberto Menescal – Ronaldo Bôscoli).

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