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VIVA SÃO JOÃO!

Por Fabio Gomes

 

Depois do ciclo de músicas para a festa de São João compostas e gravadas no Rio de Janeiro nos anos 1930 (e do qual falamos no Mistura e Manda nº 3), o repertório junino ganhou novo impulso no Nordeste a partir da década de 1950, tendo como principais intérpretes Jackson do Pandeiro e Luiz Gonzaga.

Os principais êxitos de Jackson no gênero foram reunidos em 1980 no LP São João Autêntico. O disco, que não saiu em CD, trazia algumas músicas de outros autores - "Canoeiro Novo" (João Silva - Raimundo Evangelista), "Sanfoneiro de Vocês" (J. Nilo - Carlos Diniz), "Dá Eu pra Ela" (Venâncio - Corumba, 1961), "Vamos Chegar pra Lá" (Almira Castilho), "São João no Brejo" (Zé Catraca) -, mas a maioria era do próprio Jackson - três em parceria com Maruim ("Três Pedidos", de 1961, "Acenderam a Fogueira" e "Véspera e Dia de São João") e uma cada com Buco do Pandeiro ("Viva São João"), Rosil Cavalcanti ("Na Base da Chinela", 1962) e Antônio Barros ("São João na Roça"). Este também contribuía com "O Navio Tá Bom na Marcha".

Antônio Barros, compositor e contrabaixista paraibano (autor de grandes sucessos como "Homem com H"), também colaborou com "A Noite é de São João" para o repertório junino de Luiz Gonzaga, que a lançou no LP Sertão 70 (1970). No mesmo disco, o Rei do Baião incluiu "Santo Antônio Nunca Casou", parceria sua com João Silva. Gonzagão só voltou a cantar este santo mais uma vez, em "Festa de Santo Antônio", de Alcymar Monteiro e João Paulo Jr., no LP De Fia Pavi (1987). De seu parceiro João Silva interpretaria ainda "São João sem Futrica" (feita com Zé Mocó), no LP Danado de Bom (1984), e a marcha junina "Piriri" (parceria com Albuquerque), no disco Quadrilhas e Marchas Juninas (1965).

Como o nome indica, este disco é todo dedicado ao período de São João - a exemplo de São João na Roça (1962)(onde lançou o arrasta-pé "Festa no Céu", de Zeca do Pandeiro e Edgard Nunes), São João do Araripe (1968) e São João Quente (1972)(incluindo "Dia de São João", de Rildo Hora). A diferença em relação aos demais é o caráter instrumental de Quadrilhas e Marchas Juninas. Nele conta o único registro de "Polca Fogueteira" (1957) pelo próprio autor. Outras polcas eram "Fim de Festa" (Zito Borborema), "Fogo sem Fuzil" e "Quero Chá" (as duas últimas, classificadas como "polquinhas", parcerias de Gonzaga com José Marcolino). Outro parceiro do sanfoneiro maior neste disco era o próprio filho: Gonzagão e Gonzaguinha assinavam juntos "Matuto de Opinião" e "Boi Bumbá" (esta, sobre motivo popular). As parcerias de pai & filho eram duas "marchinhas" - mesmo gênero apontado para "O Maior Tocador", de Luiz Guimarães.

Também instrumental era a "continuação" desse disco, o LP Quadrilhas e Marchinhas vol. 2 (1979), com 24 músicas do repertório de Luiz Gonzaga. Não deixava de ser uma volta às origens, pois o artista começou a carreira fonográfica como sanfoneiro em 1941 (levou quatro anos para conseguir que o deixassem gravar cantando - eles não sabiam o que estavam perdendo!). E sabem qual foi a composição que Gonzaga gravou em sua estréia? A mazurca "Véspera de São João", que compusera com F. Reis.

Tirando a famosa comparação da terra ardendo sob a seca com uma fogueira de São João no clássico "Asa Branca" (parceria com Humberto Teixeira, 1947), uma década se passou até que Gonzagão voltasse a cantar a festa. Sua primeira música classificada pela RCA como "marcha junina" foi "Olha pro Céu" (parceria com José Fernandes), em 1951. Receberam o mesmo rótulo "São João na Roça" (Luiz Gonzaga - Zé Dantas, 1952) e "São João no Arraiá" (Zé Dantas, 1960). Também com Zé Dantas, Gonzaga compôs os baiões "Lenda de São João" (1956) e "São João Antigo" (1957). Com outros parceiros, escreveu "São João nas Capitá" (com Luiz Ramalho)(do LP Capim Novo, 1976), os baiões "São João do Carneirinho" (com Guio de Morais, 1952), "São João Chegou" (com Mariza Coelho, 1953) e a marcha "Fogueira de São João" (com Carmelina, 1959). Esta relação não ficaria completa sem o baião "Pedido a São João", de José Marcolino, incluída por Gonzaga no LP Pisa no Pilão (Festa do Milho), de 1963.

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