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TRIBUTO A WALDIR AZEVEDO

Por João Randolfo Pontes

 

Um dos amigos do peito pediu-me para que eu pudesse falar um pouco sobre o show de 22 de outubro de 2002 no Teatro Garagem do Sesc Brasília, Tributo a Waldir Azevedo. Este meu amigo lembrou a oportunidade de fazer tais observações no ambiente inerente ao mundo cavaquinista. Pois bem, vejamos como trazer o aspecto visual, humano e instrumental para o mundo dos bandolinistas.

A idéia era prestar uma justa homenagem a este grande espírito, escol da MPB. Waldir Azevedo veio ao mundo para nos ajudar a desenvolver nossa percepção sobre a música instrumental. Sua experiência por aqui foi marcada por dificuldades, mas também por grandes alegrias. Conquistou amigos, aprimorou o caráter e deixou exemplos de respeito, confiança, ética, amor e de muita dedicação. Em cada parte de sua casa, havia um cavaquinho e a cada momento tirava um acorde, uma nota, uma nova posição e, ao mesmo tempo, vinha inspiração divina. O conjunto de sua obra está repleto de belíssimas composições, algumas mais simples e outras complexas. Mas o que ressalta mesmo é a qualidade, o bom gosto, a inovação e o valor que isso representa para a história do choro brasileiro como um estilo próprio, um modo especial de ser, uma forma diferente de compor, um traço de infinita luz no complexo mundo da música. Para alguns, o choro constitui o último estágio de um músico, mas para outros, apenas o começo de uma estrada sem limites e fim.

O Teatro SESC é de bom gosto. Tem uma forma especial de arena, interessante e aconchegante. Nesse sentido, deveríamos ter vários desses pelo Brasil afora. Uma sala capaz de receber e aproximar pessoas com um mesmo objetivo. O show foi bem organizado e sua base estava centralizada no grupo de amigos de WA: Carlinhos (violão de 7), Hamilton de Holanda (violão), Eli (cavaco) e Pernambuco (pandeiro). Esses senhores deram mostras do que são capazes ainda de fazer pela MPB. Ressalto aqui o toque especial do Eli. Viver junto e ao lado do Mestre dá condições de aquilatar coisas mais refinadas. Parabéns, Eli. Sua estatura não revela toda a dimensão de seu espírito.

Os convidados Léon, Marcinho, Valerinho, Evandro e Vinicius fizeram uma belíssima apresentação. Certamente, são representantes de uma nova geração de chorões e de virtuoses. O Brasil tem dessas coisas, existe uma gama imensa de virtuoses. As músicas do WA são belas e de uma lucidez profissional extrema. "Choro Novo em Dó" e "Choro Doido" são provas evidentes. Claro, faltaram outras criadas pelo Mestre, como o caso do "Cinema Mudo" (parceria com Klécius Caldas). Tudo bem, teremos outras oportunidades de apreciar este gigantesco quadro de competências que o País oferece. Valeu, turma. Parabéns pelo brilhantismo e dedicação. O resultado de tudo isso é fruto do esforço pessoal. DEUS nos dá a oportunidade, mas a conquista depende de nosso esforço pessoal.

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