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CLUBE DO CHORO TOTALMENTE ACÚSTICO NO SANTANDER

Por Fabio Gomes

 

O Clube do Choro de Porto Alegre fez um excelente espetáculo dentro da série Seis e Meia no Sábado do Santander Cultural, no dia 27 de setembro de 2003. Apresentando-se com uma formação reduzida (Arthur Sampaio – violão, Ênio Casanova – bandolim, cavaquinho e 2ª voz na seresta “Última Estrofe”, de Cândido das Neves, Cebolinha – cavaquinho, Runi Corrêa – surdo e André Rocha – pandeiro, além de Myriam Sampaio – voz, na seresta citada), o grupo surpreendeu pelo bom resultado sonoro obtido sem usar nenhum microfone.

Já a qualidade musical do grupo não é surpresa para ninguém. Cebolinha conseguiu lembrar, tocando cavaquinho, o que Jacob do Bandolim fazia no bandolim (perdão pela redundância), em “Noites Cariocas”, num arranjo que ficava sempre mais acelerado. O violão de Sampaio fez uma ótima base aqui, aliás, foi uma presença marcante em todo o espetáculo, destacando-se novamente em “Flamengo” (Bonfiglio de Oliveira). Também foi muito aplaudido o solo de Cebolinha em “Minhas Mãos, Meu Cavaquinho” (Waldir Azevedo) que só pode merecer um adjetivo: sublime. Nesse número, todos os outros músicos limitaram-se a fazer a base para o brilho dos trêmolos do cavaquinista. Cebolinha solou muito bem ainda no número de bis, “Pedacinhos do Céu” (Waldir Azevedo), novamente com boa presença de Sampaio. Este choro foi tocado atendendo a pedido de um espectador.

Marcante também a atuação de Ênio, ora no cavaquinho (como em “Brasileirinho”, de Waldir Azevedo, outra excelente execução, ou em “Samba de Morro”), ora no bandolim (ótimo no “Flor Amorosa”, de Callado). Neste, seu solo foi sustentado por um bom diálogo entre o cavaquinho e a baixaria do violão. Em “Murmurando” (Fon-Fon), a receita inverteu-se um pouco, ali o violão e o bandolim conversaram sobre a base do cavaquinho – me impressionou bastante a ralentada da 3ª parte. Ênio brilhou ainda no solo de “Curare” (Bororó), tocado de mansinho pelo Clube do Choro.

O arranjo do grupo para “Wave” (Tom Jobim) também chamou a atenção: Ênio começou de leve no cavaco, seguido por Sampaio, mansinho no violão, e o pandeiro de André, só marcando, na seqüência Ênio apresenta o tema; nesse momento, o surdo de Runi e o cavaco de Cebolinha somam-se aos outros, fazendo todos uma levada de samba. Ênio e André sustentam o solo de Sampaio, findo o qual Cebolinha executa trêmolos, o ritmo de todos os músicos vai num crescendo, até ralentar para o final. Lindo!

O público manifestou-se muito ainda após a execução de “Alvorada” (Jacob do Bandolim).

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