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AMILTON GODOY E O NOVO ZIMBO TRIO

Por Fabio Gomes

 

Entrevista realizada no SESC Vila Mariana, São Paulo, em 6 de novembro de 2003

FABIO GOMES - Amilton Godoy, nós estamos nos preparando para a comemoração, no mês de março de 2004, dos 40 anos do Zimbo Trio. Uma marca invejável, acho que poucas vezes atingida por um grupo brasileiro, seja instrumental, vocal ou de qualquer outro gênero. Hoje, em 2003, os ideais que nortearam a fundação do Zimbo Trio continuam válidos, na sua visão?

AMILTON GODOY - Olha, continuam sim, eu acho que esse é o motivo pelo qual a gente ainda trabalha dentro dessa linha. É um tipo de caminho que não tem fim, eu acho, porque se você tiver se atualizando, se você tiver esperto com relação às coisas que vão acontecendo ao seu redor, você também vai agregando ao seu trabalho situações mais modernas. Cada vez que você grava um disco você deve retratar aquilo que é seu momento atual, e cada momento desses é enriquecido com conhecimentos novos, com composições novas, com gente nova, então eu acho que ainda o Zimbo Trio não cumpriu toda a missão dele não. Uma boa parte ele já fez, mas acho que ele ainda tem condições de fazer mais.

F - Talvez mais 40 anos, ou mais?

A - Não sei, né? (risos) Acho difícil, a média de idade do grupo abaixou bastante com a entrada do (baixista) Itamar Collaço, que ele é bem mais jovem. Mas eu e o Rubinho (o baterista Rubens Barsotti) já dobramos o cabo da Boa Esperança. (risos)

F - Em relação ao Itamar Collaço, desde quando e como é que foi que se deu o ingresso dele no Zimbo Trio?

A - Com a saída do (contrabaixista) Luís (Chaves), por livre e espontânea vontade, ele que decidiu parar, eu conversei com o Rubinho, o que que ele queria fazer, se ele queria continuar ou ia desistir. Ele disse que ia continuar. Então nós procuramos um novo contrabaixista, já conhecíamos o Itamar, um músico muito bom e além disso uma pessoa também muito legal, se entrosou muito bem no trio. Isso aconteceu há três anos atrás. Com ele nós já tivemos na Europa, na América Latina, já fizemos concerto com sinfônica. Agregou uma coisa nova no trio, porque toca também baixo elétrico, baixo acústico e aquele baixo sem traste. Acho que nós ganhamos aí um novo som dentro do grupo, sabe, e tamos muito bem com ele, muito felizes. O primeiro trabalho desse novo Zimbo Trio em disco é o Espantaxim e o Castelinho Mágico, que é um trabalho que a (cantora e compositora) Dulce Auriemo desenvolveu, com 14 canções, um trabalho infantil. Dessas canções ela criou os personagens, as historinhas e jogos, para que as crianças desenvolvam suas capacidades de coordenação motora. Mas o mais importante desse trabalho é a qualidade, eu acho, do disco em si. Os músicos que tocaram, incluindo o Zimbo Trio, a participação da Dulce cantando as músicas, e a parte literária também. Muito capricho, muito bem feito. Esse trabalho tá tendo uma receptividade bastante grande da crítica especializada, está sendo muito elogiado. Participa também o coral infantil da nossa escola (CLAM), o percussionista André Magalhães, e a flautista Débora de Aquino, que é professora no CLAM também, e o disco ficou ótimo.

F - Gostaria de saber sobre o disco que vocês estão preparando para lançar em breve, o Tributo a Elis Regina.

A - Esse disco saiu essa semana, mas ainda ontem eu resolvi devolver o disco. Tinha erros gráficos, meu nome saiu com H, tava faltando ficha técnica. Alguém bobeou aí. E a gente pretende que seja um disco de série, porque com dois, três anos de Zimbo Trio, a gente se uniu com a Elis Regina no programa O Fino da Bossa, que era um programa muito importante na época. Antes disso a Elis já tinha ido conosco pro Peru, como crooner, como una cantante. Ela ainda não era conhecida do público, mas ela já era conhecida da gente, já cantava bem. E naquela primeira fase da Elis a gente fazia os arranjos pra ela, ela cantava com o Zimbo Trio como convidada. Então eu tive até o cuidado de em alguns dos arranjos pegar uma gravação que a gente fez na época pra Rádio Nacional do Peru e ouvir como era a estrutura do arranjo pra tocar da forma que lembrasse o suíngue, as pulsações que a gente fazia com a Elis, naturalmente improvisando e colocando alguma coisa moderna, mais recente, que é a nossa nova forma, que também evoluiu, de tocar. Então acho que saiu um disco bastante representativo, as músicas pra quem vivenciou aquela época, "Menino das Laranjas" (Théo de Barros), "Esse Mundo é Meu" (Sérgio Ricardo - Ruy Guerra), "Tempo Feliz" (Baden Powell - Vinicius de Moraes), "Arrastão" (Edu Lobo - Vinicius de Moraes), até a fase nova dela, que ela canta "Atrás da Porta" (Francis Hime - Chico Buarque), "Romaria" (Renato Teixeira). Nós fizemos tudo instrumental, em "Romaria" tem o coro do público, que resolveu cantar junto com a gente. Ficou muito bacana, muito simpático. Esse disco foi gravado ao vivo aqui no Supremo Musical, que é uma casa de música de São Paulo onde duas vezes por mês, uma sexta e um sábado, a gente se apresenta. Isso tem feito com que a gente se entusiasme em fazer novos arranjos. É um lugar bom pra música. Quem gravou foi o próprio Itamar Collaço, que tem um equipamento bastante moderno, e o resultado de som, pra ser gravado ao vivo, ficou muito bom. Então acho que é uma forma do Zimbo Trio renovar-se, pegando temas conhecidos, tocando duma forma bastante atual. Vamos ver se esse disco também tem vida longa como o trio, também.

F - Com certeza! Gostaria de agradecer, muito obrigado, Amilton e... sucesso sempre!

A - Obrigado Fabio, e um abraço pra você e todos seus leitores.

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