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CINCO PERGUNTAS PARA DANUZIO LIMA
(DO CLUBE DO CHORO DE MIAMI)

Por Fabio Gomes

 

Entrevista realizada via e-mail em 7/2/2004

BRASILEIRINHO - Sua trajetória parece ser bastante peculiar: um maranhaense que conseguiu seu lugar no sol nos Estados Unidos. Como foi que aconteceu essa transição?

DANUZIO LIMA - Na verdade não foi a música que me trouxe aos Estados Unidos. Eu sou engenheiro civil formado no Maranhão e com cursos de pós-graduação na França. Trabalhei como urbanista na Prefeitura de Chicago e hoje trabalho para a Prefeitura de North Miami, uma cidade, como o nome diz, localizada ao norte de Miami. Essa relação entre choro e serviço público parece ser verdadeira até mesmo no exterior…

B - Como surgiu a idéia de criar o Clube do Choro de Miami?

D - Há mais ou menos uns sete anos, uma rapaziada vem se juntando para tocar choro aqui em Miami. Primeiro meio de brincadeira, depois em um grupo organizado, o Aquarela: o Bill (cavaquinho), o Victor (bandolim), o Ferretti (7 cordas), o Nóbrega (violão), o Serginho (flauta), o Felipe (pandeiro) e outros mais vêm carregando a bola há um certo tempo. Eu na verdade sou o mais novo do grupo. Quando o Serginho voltou para o Brasil, o Bill começou a falar comigo para aprender os choros e tocar com o grupo. Nessa época eu tocava mais bossa nova e um pouco de jazz. Eu sempre tive muito interesse em choro. Sempre que ia a São Luís me encontrava com o pessoal do grupo de choro Tira-Teima e a gente fazia uns saraus intermináveis, (aliás os saraus continuam até hoje. Da última ver que fui lá, no ano passado, tocamos 12 horas sem parar...), eles tocavam choro e eu tocava bossa. O convite do Bill foi a grande oportunidade que tive para me enveredar pelo caminho do choro. Comecei a juntar as partituras e aprender o repertório do grupo. Nessa mesma época nós resolvemos também mudar o nome do grupo. Aliás, mais do que isso, em vez de um grupo, resolvemos fundar um movimento chamado Clube do Choro de Miami. O Clube do Choro é o nosso grupo, é a roda de choro que fazemos todas as quarta-feiras no Gil's Café e todos os projetos que sonhamos em realizar: intercâmbio com musicos brasileiros, oficinas de choros etc. Um desses sonhos na verdade já se tornou realidade: ano passado abrimos o show do Jorge Benjor aqui em Miami e contamos com a participação especial do Paulo Trabulsi, cavaquinhista do Tira-Teima e presidente do Clube do Choro do Maranhão.

B - Gostaria que você falasse sobre sua experiência de participar da Roda de Choro do Café dos Açorianos, com o Grupo Bem Brasil.

D - Foi uma experiência maravilhosa. Minha mulher é gaucha e vez por outra estamos em Porto Alegre. Quando você me falou do Café dos Açorianos eu tive que dar um pulo lá. O lugar é maravilhoso, a música muito boa, a cerveja gelada e a proprietária (Nara Martins Dombkowitscch), de uma simpatia enorme. Fiquei radiante em encontrar jovens talentosos tocando choro. Jovens mesmo, entre 18 e 25! Foi uma noitada maravilhosa. Fechamos o Café lá pela madrugada. Pena que minha passagem por Porto Alegre foi curta. Mas voltarei em breve pra tocar com a garotada. Tenho também de ir ver o mestre Plauto Cruz tocar na Cia Sanduíches.

B - Você já tinha contato anterior com a cena musical porto-alegrense?

D - Essa foi a segunda ver que fui a Porto Alegre. Da outra vez fui na Cia Sanduíches pra ver o mestre Plauto, mas ele estava no hospital se recuperando de um acidente (ver Homenagem a Plauto Cruz). O Luizinho Santos, excelente músico, estava tocando lá nesse dia e tocamos juntos uns choros e umas bossas. O lugar é maravilhoso. Precisamos mais de lugares como a Cia Sanduíches e o Café dos Açorianos; lugares que prestigiem a nossa música. Sei que há uma fascinação do brasileiro com o exterior, com o que vem de fora, especialmente com os Estados Unidos; entretanto, acredite em mim, na experiência de quem vive fora há muito tempo, quase 30 anos entre a Europa e os Estados Unidos: não há nada, nada como a nossa música! O nosso maior subdesenvolvimento é o brasileiro que pensa que no Brasil nada presta. Quem tem choro, samba, bossa, frevo etc., não precisa ouvir pop-aguado de segunda categoria só porque é "made-lá-fora". Desculpe o sermão!

B - Já de volta aos EUA, quais são seus planos para 2004?

D - Chorar, antes de tudo! A nossa roda-de-choro acontece religiosamente às quartas. Temos também algumas apresentações marcadas, festas particulares e até um casamento! Vai ser um barato tocar choro num casamento. Estou até tentando ver se aprendo o choro "Lágrimas de Virgem" para essa ocasião. Também comecei a escrever umas coisas. Escrevi um choro chamado "Meu Brasil" que o grande flautista Sérgio Morais, de Brasília, vai gravar pra mim e mandar para o Festival de Choro de Curitiba, e com o Bill acabamos de fazer "Juju", um choro pra filha dele.

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