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RÁDIO ESMERALDA

Por Fabio Gomes

Ouça a entrevista

 

Adriana Marques e Simone Rasslan contam o nascimento do espetáculo (2000)

ADRIANA – Dentro da Rádio Esmeralda, acontece o programa “Amor de Parceria” que era já um projeto meu e da Simone, onde nós falávamos um pouco do universo feminino, do nosso próprio universo, e dos relacionamentos da mulher ao longo da sua vida. E caiu como uma luva dentro da Rádio Esmeralda, porque o programa “Amor de Parceria” é dedicado às mulheres.

SIMONE – O Amor de Parceria era um show com repertório vasto, com várias músicas, essencialmente brasileiras, mas que todas tinham no seu discurso interno a fala feminina e aí foi muito legal, porque a gente pegou esse repertório, que já existia, e grudamos, enquadramos na programação da Rádio Esmeralda.

FABIO – É, inclusive no Amor de Parceria, o show, havia uma parte em que vocês tinham uma secretária eletrônica com gravações, e eu identifico uma correspondência disso nos telefonemas que vocês recebem.

A - É, exatamente.

S – É, e isso foi sem querer, no fim. Porque a gente fez o Amor de Parceria e o Hique (Gomes) não tinha visto nunca aquilo lá. A gente fez uma vez, sem ele saber que a gente tava fazendo aquilo ali. Depois ele nos convidou para fazer uma apresentação no Tangos e Tragédias, e a gente fez, e a partir daquela apresentação ele se ofereceu pra fazer a direção do que a gente já tinha em mãos, que era o Amor de Parceria, que era esse show que já tinha uma secretária eletrônica no palco, tinha toda uma história de recados...

A – Foi um casamento. Na verdade, a impressão que se tem é que nosso pensamento já tava meio sintonizado. Ele tinha uma boa idéia, nós tínhamos já um projeto em andamento, que casou muito bem.

F – É interessante notar que a base do repertório da Rádio Esmeralda é constituída não dos grandes sucessos ou dos clássicos da MPB. Vocês pegaram o que seria...o que eu poderia chamar “o lado B” da cultura.

S - É, pois, você vê, o programa tá ambientado dentro de um rádio AM, vamos dizer, entre aspas, “bagaceira”, mas o repertório é um repertório que eu acho que foge até das FMs.

A – É, foge do rádio em geral, assim, né? É um repertório que não tá na rádio. Não é convencional, assim.

S - Quando a gente tava confeccionando o show, fazendo, criando...

A – Bordando o show.

S - ... foi muito legal, assim, porque a gente riu muito!

A – Demais!

S – A gente se divertiu muito, e continua. Cada show é um divertimento. E a gente tem um cuidado também nos arranjos. Não é bagaceiro. A gente tem o maior respeito por essas músicas.

A - Não é uma sátira. Que isso fique bem claro. Nós não satirizando o repertório, apesar de cenicamente, nós termos uma postura assim... Não somos nós, nós somos duas personagens, né? Então cenicamente a gente tem movimentos, trejeitos, que podem até confundir...

S – Que vêm um pouco pro humor.

A – Pro humor, mas não é um deboche.

S – Nós pensamos muito seriamente nos arranjos, e as músicas que a gente colocou no repertório tratam de momentos muito especiais da nossa vida também. (...) Eu tive aula em cátedra, escola, universidade e sinceramente, assim, pra gente aprender a fazer música é fazendo música.

A – Fazendo música.

S - Não é na sala de aula.

A – É como qualquer outra coisa na vida.

F – Total.

A – Construtivismo.

S - Eu acho que o músico é quem toca, é quem tá na ativa. Aquele que está lá na sala de aula, fazendo de conta que tá fazendo alguma coisa...

A – Teorizando...

S - ... não é músico.

A – É claro que a teoria é fundamental, né? Também não vamos desmerecer porque o conhecimento... Mas acontece não adianta ter o conhecimento e não praticar.

S – A música é uma ciência prática. Ela tem que ser realizada pras pessoas poderem ouvir, admirar, trabalhar, analisar, projetar...

A – Reproduzir.

S - Se não fizer, não tá acontecendo música. Tá só no papel e aí não é música.

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