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CINCO PERGUNTAS PARA MAURÍCIO MARQUES

Por Fabio Gomes

 

Entrevista realizada por e-mail em 21 de março de 2005

BRASILEIRINHO – Sendo um violonista gaúcho que se dedica a um repertório com marcada influência do folclore do nosso Estado, como recebes a seleção para o projeto Rumos Música Itaú Cultural?

MAURÍCIO MARQUES - O projeto Rumos é um dos maiores projetos de cultura do Brasil, pois engloba várias áreas da cultura, como artes plásticas, educação, música. No projeto passado, o público atingido foi cerca de um milhão de pessoas e este ano deve ser pelo menos o dobro, pois está mais bem estruturado do que antes. Então, voltando ao ponto em questão, recebi a notícia de uma maneira muito positiva e com muito entusiasmo. Depois que vi a lista dos classificados, fiquei mais animado ainda, pois lá estavam pessoas de todo o território nacional, com culturas muito diversas, instrumentos diversos, artes inusitadas, enfim, o Brasil. Pessoas como Antonio Vieira, um senhor com seus 84 anos e muito brilhante, a Maria da Inglaterra, o Pedro Tagliani, o Barbatuques... gente que eu sempre admirei e de repente estávamos no mesmo palco, recebendo o mesmo tratamento e representando nossas aldeias. Isto é o máximo!! Logo vai sair um disco com duas músicas gravadas por mim entre muitos outros artistas que participaram e um DVD gravado ao vivo neste projeto. Parece que vai pra todo o Brasil. Bota bom nisso!!!!!!!!!!!

B – Gostaríamos que tu comentasses a apresentação no Itaú Cultural, em São Paulo, no começo de março.

MM - Toquei dois dias, 5 e 7 de março. No dia 5, toquei 40 minutos e enfoquei a música aqui do sul, o regionalismo gaúcho, representado ali com composições e arranjos meus. Abri o show homenageando (Tom) Jobim com "Luiza" e Jacob do Bandolim com "O Vôo da Mosca". Depois toquei "Felicidade" do Lupi (Lupicínio Rodrigues) e todos cantaram junto com o solo do violão, depois toquei direto o "Xote Laranjeira" do folclore do Rio Grande do Sul com arranjo meu e o pessoal enlouqueceu !!!! Em seguida, toquei a "Sétima no Pontal" do (Renato) Borghetti e do Veco Marques, com arranjo pro (violão) 8 cordas, o ar parou!!! Depois disso toquei uma zamba minha (ritmo argentino aculturado por aqui) chamada "Serena", seguida por um chamamé, "Novos Tempos" (meu também), uma chamarra, um vaneirão chamado "Violão de Fole" (ambos de minha autoria) para acabar. Terminei aplaudido de pé e chamei o próximo, o Sr. Antônio Vieira, com um trabalho maravilhoso, voltado ao samba e ao folclore do Maranhão. Com um grupo de choro maravilhoso, quebrou tudo, e com 84 anos, parecia um guri!!!! No dia 7 foi uma apresentação voltada ao pessoal da mídia e artes plásticas, pois foi o lançamento da etapa das artes plásticas. Foi muito legal.

B - Já havias participado de outros shows em São Paulo, no ano passado?

MM - Em Sampa, eu havia tocado no prêmio Visa em julho de 2004, também em formato solo, e depois estive lá gravando o projeto Violões do Brasil, coordenado pela Myrian Taubkim, ao lado do Duo Assad, Paulo Bellinatti, Badi Assad, Marco Pereira, entre tantos outros. Fui escolhido para representar o Rio Grande do Sul e gravei duas músicas: "Violão de Fole" (composta por mim para violão de 8 cordas) e "Dança Brasileira", uma peça magnífica do Radamés Gnatalli que eu adaptei para este violão que uso.

B – Como está a carreira do teu primeiro CD, Cordas ao Sul?

MM - Bem, o Cordas ao Sul é um CD muito legal, que me trouxe e me traz muitas coisas boas, como a participação no projeto Violões do Brasil, o prêmio Açorianos de Música com 3 indicações e a conquista do troféu de melhor instrumentista regional, entre outras coisas. A carreira está muito legal, pois parece que passei a existir depois do CD. Isto é maluco, você estuda e toca anos a fio, grava com muitos, vai a todos os festivais (eu já fui a todos e já devo ter umas boas 300 gravações) mas você só existe se tiver um disco. Eta coisa difícil!!! Mas não me queixo. Tenho trabalhado legal. Para conseguir meu CD Cordas ao Sul é só me passar um e-mail para [email protected] e a gente conversa.

B - Estás preparando um novo CD?

MM - Estou gravando um novo CD, desta vez com o violão de 8 cordas, mas este vai ser totalmente autoral. Quero mostrar o que é meu e o que tenho a dizer sobre a música do Sul. Nosso estado é uma babilônia cultural. Temos muita milonga, mas o grande elo de ligação com o resto do Brasil é o choro. Este gênero é uma coisa só em todo o país e vou gravar também. Misturo choro e milonga, chamamé, samba e zamba e acho que soa legal. O negócio é ser gaúcho mas com autenticidade. Sou gaúcho de apartamento e pronto. Tenho minhas raízes no campo, mas vivo entre o céu e o cimento. Tenho que dizer isto ao mundo pra não soar falso. Não posso dizer que sou domador e agarro touro a unha se mal conheço as lides de campo, só pra fazer o gênero. Eu particularmente conheço muito do campo, tive uma infância neste mundo, mas me fiz na cidade e minha música é um reflexo destas experiências. O novo CD leva o nome de Violão de Fole e tem participação do Ernesto Fagundes, do Luiz Carlos Borges, do Daniel Zanottelli no sax e flauta, Marcellinho Freitas na bateria e percussão. Tem muito violão e muito ritmo. Creio que vai ser legal. Tenho feito alguns projetos junto ao Geraldo Flach, também com o Celau Moreira, que toca um violoncelo muito descontraído e inteligente, com Carlito Magallanes (um super bandoneonista), com o cantor Maurício Barcellos (que ainda vai dar muito o que falar), com Luiz Carlos Borges, enfim, acho que tudo vai bem. Também parece que vai sair um disco como Henry Lentino (do Tira Poeira), com um bandolim muito "medonho". Vamos gravar coisas bem regionais.

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