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OSCAR BOLÃO

Por Fabio Gomes

 

O baterista fala de suas principais influências, do livro Batuque é um Privilégio e de projetos em andamento

Entrevista gravada em Porto Alegre, em 18 de fevereiro de 2004

FABIO GOMES - Oscar Bolão, fale um pouco para o público do site Brasileirinho sobre o seu livro Batuque é um Privilégio.

OSCAR BOLÃO - O privilégio no momento é estar falando pro pessoal do site. O meu livro fala da percussão na música do Rio de Janeiro. Ou seja, lá eu mostro o samba, o choro, o maxixe, a polca, a marchinha e a valsa brasileira - aquele repertório de regional. Ele é para percussão - tem a primeira parte do samba, por exemplo, a percussão tradicional do samba, com surdo, pandeiro, agogô, tamborim e cuíca, tem a parte do pagode com tantã e o repique de mão, tem o repique de anel, aquela criação do Dodô, e tudo isso adaptado à bateria. Também inclui algumas novidades que eu procurei fazer, por exemplo, tocar o bumbo com pedal duplo, algumas coisas assim...

F - O projeto é inovador, porque pegar essa percussão que já existe distribuída por todo um instrumental que vem se formando ao longo de séculos e passar pra bateria, uma coisa mais moderna, é algo inédito.

O - Tem também o instrumental da escola de samba, até porque a minha preocupação é, primeiro, com o pouco material que tem nesse sentido, e o pouco material que tem às vezes não tá muito bem escrito, às vezes não é bem aquilo. Então, por procurar discutir (essa dificuldade) com o meu grande mestre Luciano Perrone, surgiu essa idéia de fazer uma coisa, mas com o suíngue, quer dizer, suíngue é uma palavra horrível, mas com o...

F - Balanço.

O - É, com o sentimento, com o balanço adequado, como é feito pelos caras que fazem.

F - O Luciano Perrone, pra mim, é o "inventor" da bateria no Brasil, ao lado do Walfrido Silva.

O - É verdade, praticamente ele (Luciano) pode ser considerado o pai. Eu ouvi muito o Luciano, agora tô prestando atenção no Walfrido Silva. Foi bom você falar nele. Hoje eu tô ouvindo muito Walfrido Silva, porque eu pretendo fazer um trabalho com Leandro Braga, pianista, em cima de uma dupla que tinha que era Gadé e Walfrido Silva, Gadé era o pianista e Walfrido era o baterista. Eles têm coisas fantásticas, o estilo é samba-choro, que não se faz mais. O Walfrido é um baterista maravilhoso. Ele tocava com a mão, cara. Eu já percebi isso, ele tirava a esteira da caixa, e batucava com a mão, ficava uma coisa muito gostosa.

F - Ele não usava prato, né?

O - Não, antigamente não. O prato era usado mais só como finalização, um efeito.

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