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ZUENIR VENTURA FALA DE PAULINHO DA VIOLA

Por Fabio Gomes

 

O jornalista, autor do roteiro do filme Paulinho da Viola - Meu Tempo é Hoje, dirigido por Izabel Jaguaribe, concedeu esta entrevista ao Brasileirinho na Sala P. F. Gastal (Porto Alegre) em 7/10/2003

BRASILEIRINHO - Há quanto tempo o senhor é amigo do Paulinho da Viola?

ZUENIR VENTURA - Uma velha ligação, uma amizade eu acho que de 40 anos. Foi (nos) anos 60. Me lembro de ver o Paulinho no Zicartola, quando ele apareceu, novinho, garotinho. Uma amiga minha, Teresa Aragão, mulher do Ferreira Gullar, (me) disse: "Olha tem um garoto aí ótimo, garoto fantástico, tá surgindo agora: Paulinho da Viola". Eu acho que quem (nos) aproximou foi o Leon Hirzsman, cineasta (já falecido), que era muito amigo do Paulinho e muito amigo meu. Ele ia lá em casa, ele quando se separava morava lá em casa... Nós jogávamos sinuca juntos, todos eles gostavam muito de sinuca e foi daí, dos anos 60, que ficou essa amizade muito sólida, a gente até não se freqüenta muito por problema de tempo, compositor tem outros horários, né? O tempo...

B - Sempre o tempo!

Z - Sempre o tempo. A oportunidade de fazer esse filme foi pra mim um reencontro, a oportunidade de ficar meses e meses e meses curtindo o Paulinho foi muito legal.

B - Quando surgiu a idéia na Videofilmes de fazer um filme sobre Paulinho da Viola, o senhor foi chamado? Ou foi o contrário, o senhor estava no projeto e sugeriu Paulinho da Viola?

Z - Não, foi o seguinte, na verdade nós tínhamos feito um filme juntos, a Izabel e eu. Chamava-se Um Dia Qualquer, roteiro e argumento dos dois.

B - Um documentário.

Z - Documentário, com cinco personagens do Rio. E aí o João (Moreira) Salles (um dos sócios da Videofilmes) tava fazendo o (filme) Nelson Freire mas ele queria que fosse uma série. Pelo menos que tivesse mais um de mestres da música - Nelson Freire, música erudita, e aí então precisava de um compositor popular. Aí ele chamou a Izabel pra trabalhar, a Izabel me chamou, ela é fã do Paulinho e (se) chegou ao Paulinho muito facilmente. Então foi uma coisa muito espontânea, uma escolha muito natural.

B - O senhor resistiu à vaidade de aparecer no filme?

Z - Não, se fosse pelo homenageado e pela Izabel aparecia muito mais. Eu é que censurei, eu disse: "Esse filme é do Paulinho, não é meu". Eu aparecia em muitas cenas, mas em muitas cenas, aí chegamos à conclusão que tinha que cortar, ficava complicado. Então consegui tirar as cenas que eu apareço, mas era uma quantidade de cenas imensa, que ela me botava lá, entrevistando ele.

(Foram mantidas duas cenas com Zuenir, uma logo no início do filme, outra na roda de samba no sítio de Zeca Pagodinho em Xerém.)

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