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Mistura e Manda

Nº 187 - 21/1/2009

Larissa Maciel, uma grande Maysa

Na minissérie Maysa - Quando Fala o Coração, que a TV Globo exibiu de 5 a 16 de janeiro, a atriz gaúcha Larissa Maciel deu o tom exato na interpretação de cada cena - irônica quando tinha que ser, arrebatada quando a cena exigia, e até conseguindo se mostrar irritada sem cair na histeria, algo pouco comum na televisão brasileira. Curiosamente, boa parte dos elogios que ouvi sobre Larissa nesse papel remetiam à semelhança física que ela teria com Maysa - e que as fotos originais da cantora, exibidas no final do último capítulo, mostraram ser um equívoco. A semelhança esteve na persona que Larissa compôs, a partir do roteiro e de sua pesquisa sobre a cantora, e que traduziram à perfeição a trajetória de vida e de carreira da autora de "Ouça".

A qualidade do trabalho de Larissa não foi surpresa para mim, pois a conheço desde 1998, quando a vi numa ponta que fez como uma jornalista em O Barão nas Árvores, peça dirigida por Roberto Oliveira a partir da obra de Ítalo Calvino, e que era feita literalmente nas árvores do Parque da Redenção. No ano seguinte, ela chamou a atenção do meio teatral porto-alegrense ao interpretar a Juju em O Menino Maluquinho 2000, peça infantil adaptada do livro de Ziraldo com direção de Adriane Mottola, e que assisti várias vezes (inclusive numa sessão especial para que Ziraldo conhecesse a montagem, durante a Feira do Livro de Porto Alegre, em novembro de 1999). Viver Maysa certamente foi a abertura para o mercado nacional que Larissa já merecia há tempo.

O que me surpreendeu mesmo em Maysa foi a qualidade do texto de Manoel Carlos! Não havia nas cenas de Maysa nem sombra da forma como quase sempre encerravam as cenas de novelas suas como Páginas da Vida (2006-07), sempre com alguém gritando com ou batendo em alguém (claro, havia brigas e gritos em Maysa, mas só quando necessário) - o que recheia os capítulos da histeria da qual felizmente Larissa nem cogitou. Talvez Manoel devesse se dedicar mais às histórias curtas; sua minissérie anterior, Presença de Anita (2001), também foi bem acima da média de suas novelas. Uma excelente opção foi não seguir totalmente uma cronologia: as cenas se sucediam por associações de lembranças, e os dois primeiros capítulos, em especial, foram muito soltos nesse aspecto (até com um certo exagero no segundo); do terceiro em diante, reconhecia-se uma "âncora temporal" fixa (iniciada por volta de 1960, com a crise no casamento da cantora, e avançando até sua morte), com a diminuição das "viagens no tempo". Mas, mesmo assim, uma ousadia em narração de TV aberta; as oscilações temporais do primeiro capítulo são raras até em cinema experimental!

Creio que parte da qualidade do texto veio do fato de Ângela Chaves co-escrever o roteiro com Manoel Carlos. Se Manoel conviveu com Maysa na TV Record nos anos 1950, Ângela foi a organizadora, junto com Luís Carlos Maciel, do livro Eles e Eu, escrito a partir de depoimentos de Ronaldo Bôscoli e lançado uma semana antes de sua morte, em 1994. Embora não houvesse crédito a Eles e Eu nos letreiros finais da minissérie, frases e até seqüências inteiras da "fase Ronaldo" da história saíram de suas páginas (e também de Chega de Saudade, de Ruy Castro).

Na parte musical, louvo a opção de usar as gravações originais, e também o empenho de Larissa em dar a interpretação mais adequada possível, mesmo nas canções em língua estrangeira. Na primeira semana, porém, por maior que fosse o apuro técnico, algo não me convencia nas cenas com Maysa cantando, o que cheguei a atribur ao fato de eu já conhecer Larissa; já na segunda semana, estas cenas também estiveram soberbas.

O restante do elenco também esteve muito bem, com destaque a Mateus Solano como Ronaldo Bôscoli. O ponto fraco foi, a meu ver, a idéia de usar os filhos do diretor Jayme Monjardim (André e Jayme Matarazzo), fazendo o papel do próprio pai. Admiro a coragem de Monjardim em centrar boa parte da narrativa na relação conflituada que teve com Maysa, sua mãe - certamente isso não ocorreria a nenhum outro diretor que não fosse filho da cantora, e com certeza contribuiu para enriquecer o resultado final. Mas se o papel era tão importante, por que não escalar atores para vivê-lo?

(Fabio Gomes)

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Maysa por Juliana Sinimbú

Em Belém, Maysa - Quando Fala o Coração teve um prólogo muito especial. As Organizações Romulo Maiorana (ORM), que retransmitem a programação da Globo no Pará, aproveitaram a estréia da minissérie, na segunda, 5 de janeiro, para realizar um evento voltado ao mercado publicitário local, na Assembléia Paraense, tendo como grande atração o show em que Juliana Sinimbú cantou vários clássicos de Maysa, como "Ouça", "Meu Mundo Caiu" (ambas da própria Maysa), "Demais" (Tom Jobim - Aloysio de Oliveira) e até surpresas como "Ne me Quites Pas" (Jacques Brel) (sim, em francês!) e um clássico da MPB que Maysa não gravou, só interpretou num especial de TV: "Último Desejo" (Noel Rosa). Ao final do show, o primeiro capítulo de Maysa foi exibido num telão. O evento em Belém era exclusivo para convidados. Eu acompanhei o show, em Porto Alegre, na transmissão pelo site da ORM. Como nesse sistema o áudio oscila muito, seria injusto destacar este ou aquele momento da apresentação.

Juliana volta a cantar músicas de Maysa no Boulevard Café nas próximas quartas, 21 e 28/1, às 22h. Aliás, na mesma noite de 28, Juliana divide com Aíla Magalhães a partir das 20h o palco do Teatro Margarida Schivasappa, no show Intimidade, que abre oficialmente a programação do Fórum Social Mundial.

Enquanto não temos vídeo de Juliana cantando Maysa, aproveite para (re)vê-la na TV Brasileirinho, mandando muito bem em "Black is Beatiful", dos irmãos Marcos e Paulo Sérgio Valle, como convidada no show de outra grande intérprete paraense, Ângela Carlos.

(F.G.)

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O Vilarejo Íntimo de Ângela Carlos

No sábado, 24 de janeiro, a cantora Ângela Carlos coloca voz em praticamente todas as faixas do seu segundo CD, Vilarejo Íntimo, com lançamento previsto para março em Belém e chegada às lojas em abril. A faixa final será gravada no começo de março no Rio de Janeiro, com a presença da Velha Guarda da Mangueira. Outras participações especiais já estão confirmadas: o cantor Celso Viáfora e o violonista Roberto Menescal.

Com este CD, seu segundo (o primeiro, Na Cabeça das Pessoas, foi lançado em 2006), Ângela comemora 10 anos de carreira. Por isso, fez questão de selecionar um repertório constituído de músicas que lhe são muito especiais, como "A Vizinha do Lado" (Dorival Caymmi), "Água de Beber" (Tom Jobim - Vinicius de Moraes), "Onde a Dor não tem Razão" (Paulinho da Viola - Elton Medeiros), "Sonho Meu" (Dona Ivone Lara - Délcio Carvalho) e "Fita Amarela" (Noel Rosa). Aliás, Noel tem sido presença constante nos shows de Ângela, que além do samba já citado canta sempre "Três Apitos" e "Conversa de Botequim" (Noel -Vadico).

(F.G.)

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Manifesto pela cultura brasileira

Ficaria imensamente agradecida se vocês puderem me avisar quando o curso Panorama Histórico da Música Brasileira tiver realização prevista aqui na cidade de São Paulo.

É muito complicado ver como nós colocamos a cultura nacional em último plano aqui no Brasil. Eu me interesso imensamente pela música brasileira, eu acho nossas manifestações culturais fantásticas e sinto vontade de aprender mais; mas não achei nenhum curso freqüente de história da música brasileira e isso é terrível!

Caroline de Carvalho Vicentini, São Paulo

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