Brasileirinho - Noel Rosa - Poemas

Brasileirinho - PrincipalVoltar ao Menu

 

Poemas de Noel Rosa

DESILUSÃO (1924)

Quando começou
A nossa amizade,
Eu só te pedia
Sinceridade.

Poderás te esquecer
Do meu sofrer;
Pra fugir ao tormento,
Eu prefiro morrer.

Agora, tudo desfeito
Pela tua ingratidão,
Somente guardo no peito
Mais uma desilusão.

Se meu padecer
Te trouxer venturas,
Serei venturoso
Entre amarguras.

***

O QUE É UM VIOLÃO (1930)

O violão, meu amigo e companheiro
Que sempre partilhou de minha dor
Na serenata sempre foi bom companheiro
Numa modinha, o meu melhor inspirador,

Nem bandolim nem violino bem tocado
Nem mesmo um cavaquinho em boa mão
Me fizeram ficar tão inspirado
Quanto fiquei com o som de meu violão

Ele, quem me ditou o canto e a rima
Ele quem a vibrar se acostumou
Soluça no bordão, geme na prima...

É ele quem me anima e me seduz.
Juro deixar o mundo alegremente,
Desde que eu tenha um violão por cruz.

***

OUTROS POEMAS

Quem não conhece um mestre rabugento
Urso de membros atrofiados
Professor e conselheiro do São Bento
Que julga ter modos educados

Chapéu preto, roupa preta, sempre a mesma
Chapéu que na cabeça mal lhe assenta
Roupa suja e pegajosa como a lesma
Bigode a cair-lhe pela venta.

(In: O Mamão, jornal escolar manuscrito, 1925)

***

O caralho é o pai de todos os mortais
Consolador de pombas e bocetas
Alma dos cus e coração das gretas...

(...)

Foi com quem sua mãe sempre se viu
Ele é meu pai, seu pai, pai do soneto
Pai da puta que o pariu!

(1926)

***

Jocelyn, Jocelyn,
Jocelyn da Encarnação,
Severo amigo,
Mais que amigo, irmão.

(1936)