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MÚSICA BRASILEIRA

Por Olavo Bilac

Ouça o soneto




Tens, às vezes, o fogo soberano
Do amor: encerras na cadência, acesa
Em requebros e encantos de impureza,
Todo o feitiço do pecado humano.

Mas, sobre essa volúpia, erra a tristeza
Dos desertos, das matas e do oceano:
Bárbara poracé, banzo africano,
E soluços de trova portuguesa.

És samba e jongo, xiba e fado, cujos
Acordes são desejos e orfandades
De selvagens, cativos e marujos:

E em nostalgias e paixões consistes,
Lasciva dor, beijo de três saudades,
Flor amorosa de três raças tristes.


Olavo Bilac nasceu no Rio de Janeiro em 1865 e morreu na mesma cidade em 1918. Este soneto foi publicado no livro Tarde, lançado em 1919. De acordo com o site Panorama Poesia e Crônica, do Itaú Cultural, "Vários sonetos que integram Tarde foram publicados na revista Careta, ilustrados por J. Carlos, a partir de 1913".

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