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SARAU 2007 - PURIFICAR O SUBAÉ

Estes poemas, escritos por estudantes das turmas 1002, 2008 e 12 do Colégio Estadual Vicente Jannuzzi (Rio de Janeiro) a partir da música "Purificar o Subaé" (Caetano Veloso), gravada por Maria Bethânia no CD Brasileirinho, foram apresentados no evento Brasileirinho: Sarau de Filosofia e Poesia no Bosque, realizado no bosque da Barra da Tijuca, na tarde de 4 de setembro de 2007, dentro da continuidade ao Projeto Brasileirinho - Os Tons da Aquarela Cultural de nosso País.

5

Purificar o Rio Subaé

(Augusto César de Melo,
Emilly Dias e
Gabrielle Meirelles)

O que pra muitos é um rio?
Um grande extensão de água que corta uma floresta, estados e cidades, uma enorme poça que impede as pessoas de atravessarem de uma margem à outra,
uma piscina gigante.
Por isso, pra muitos, jogar poluentes, produtos químicos em um rio, não é nada demais! Afinal de contas, com tanta água, não é possível que só um pouquinho de chumbo vá fazer efeito!!
Então, o "pouquinho" foi jogado, significativas 500 mil toneladas de escória com 3% de concentração de chumbo.
Então matar o gado, os cavalos e toda uma população que sobrevivia do rio,
não era tão ruim assim!?
E assim foi, usinas criadas para "melhorar" toda uma vida, toda uma cidade,
foram as mesmas que conseguiram acabar com a vida em um rio.
"Purificar o Subaé, mandar os malditos embora"
Malditos que prometeram a vida, e deram a morte!
Que tiraram a pureza do lar da mãe d'água.
Não era pra ser assim, e não é pra ser assim.
Como toda uma vida pode ser tirada por pessoas que nem sabem a sua
importância, o seu significado?
Depois da promessa de vida, de melhoria eu posso dizer pra vocês.
Santo Amaro nunca mais foi a mesma.
O Subaé não é mais o mesmo!

6

Rio Mãe e Filho

(Jhenifer Corrêa e
Fernanda Melo)

Rio Subaé, rio, mãe e filho que na correnteza carrega em seu ventre a tristeza do descaso!
Oh! Rio tão puro, sua tristeza reflete em nós e nos atordoa!
Pessoas ambiciosas não sabem o mal que te fazem, destruindo a beleza que suas margens nos oferecem.
Vida, alegria, humor, bem-estar, tudo isso se vai porque não sabemos aproveitar o que nos ofereces com tanto amor de Deus!
Rio Subaé! Desde a nascente és belo!
No seu leito calmo e aconchegante eu me deito e descanso.
Rio! Grande Rio! Sua trajetória de luz e brilho me deixa eufórica e
ao mesmo tempo triste quando vejo teu abandono...
O que seremos sem você?
Oh! Subaé, quem é o teu dono?
Quem te possui, polui e mata?
Perdoa! Eles não sabem o que fazem...

7

Recordações

(Bianca Martins)

Ainda me lembro,
de um belo espelho d'água
lembrança que o homem
não pode destruir.
Saudades daquele lindo rio,
que a tanta ambição,
não pôde resistir.
Águas que banharam minha infância,
me encheram de alegria e esperança.
me sentia privilegiado,
sentia que Deus estava ao meu lado.
Rio que meus bisnetos,
com certeza não verão,
fonte farta de água que eles não beberão.
Água que matava minha sede.
Espelho d'água conseguira me ver.
Nosso estado calor a todo ano,
onde se refugiar se a vida se tornou engano?
Esquecemos que sem a natureza não
podemos desfrutar de qualquer riqueza.

8

Versos Estampados

(Rodrigo Correia Silva)

Neste poema natural deixo
expressa minha fé
e falo sobre o Rio Subaé.

Nestes versos estampados
que se separam de mim,
deixo minha solidariedade
ao Amparo do Sergimirim,

Rezo o rosário da dor
Filtros da Aquária, os malditos
continuam a poluir a fonte.
Fonte primária que encanta,
fascina, beleza extraordinária.

O progresso vazio que mata o rio e sua
beleza...
O horror sombrio que causa morte e
tanta tristeza...

1

Um sonho de rio

(Felipe da Silva Soares,
Franklin Cristianes da S. Tavares,
João Gabriel Costa Figueiredo,
Paula Ferreira de Oliveira e
Wellington Batista dos Santos)

Um dia eu tive um sonho,
sonhei que estava em um rio
o rio era limpo, puro e as águas eram
cristalinas. Tudo era muito lindo.
Então acordei e vi que era apenas um sonho,
um lindo sonho.
E quando eu passei perto do rio
encontrei um monte de homens
que só pensavam em dinheiro,
aos poucos poluíram o rio,
e não respeitavam os outros.
Não pensavam nas possíveis vidas
que dentro daquelas águas existiam.
Então aprendi que quando a gente
não conta um sonho, ele se realiza.
E segui direitinho tal ditado popular,
depois também descobri o que
eu já sabia, conhecia de cor,
O único jeito para mudar a realidade
é nos unirmos na diferença
na certeza de um mundo melhor.

2

Subaé! Subaé!

(Jéssica Soares,
Carla Monique e
Jakeline Oliveira)

Subaé! Subaé!
Quantas noites derramei-lhe sonhos
me vendo conhecer tua nascente
como quem navega para as esperanças
de um dia vê-lo contente!

Subaé! Subaé!
Tu és mais forte que eu,
suas margens violentas
represam o meu pranto
e não há por encanto
que eu possa assaltar,
teu gosto doce, teu jeito,
aquilo de que és feito.
Fiz-lhe esse poema
e alguém já lhe fez uma canção
o rito redime da tua purificação.

Te transformei em tantos rios
e hoje te sinto pai,
espelho, alma dessa gente,
morena, serena que espera em ti
o que espero em nós
e não estamos sós.
Estamos em outro rio
o Rio de Janeiro
rio que espera enfim
ser o mar que te abraça
e te arrasta para junto de mim.

3

Nascente de Luz

(Vinícius de Melo Martins)

Nascente de luz
Transparência que seduz
No fundo uma ilusão
Que parte o coração.

Bate nas pedras uma água corrente,
Escorre uma gota cristalina, transparente
Que brota da mais pura fonte
E a esperança renasce entre a gente.

Natureza primária, impureza secundária,
Lágrimas escorrem nos Filtros da Aquária,
Morrem peixes, morrem mariscos,
Só não morre a esperança,
Mas até essa está em risco.

4

O Futuro Chora

(Marcella Porto,
Thamara Albuquerque,
Thayná de Mello,
Juliana Sales e
Diana Soares)

Eu choro
Tu choras
Ele chora
Nós choramos
Vós chorais
Eles choram.

Todos nós choramos,
pois a natureza morre.

Mas por quê?
Uma natureza tão forte,
tão linda,
tão valiosa.

Hoje a natureza chora,
por fatos,
por atos.

E ela faz e fará muitos chorarem
simplesmente com a sua ausência.
Não por escolha própria,
mas sim por consequências.

A ganância
o dinheiro,
a cobiça,
fazem com que essa natureza
perca seu valor.

Capitalismo,
diferença social.

O valor do ser, hoje,
se encontra em seus bens.

Para isso sacrificado será aquele
que nos dá a vida.

Sabedoria,
tecnologia,
avanço ou progresso?

Como pode o homem avançar?
Ele vende a vida,
ele vende a beleza natural
por míseros centavos.

Do que vale ter o mundo nas mãos?
Esse mundo está se "esfarelando".
esse mundo está acabando
por conseqüência.

Consequências dos atos contrários
ação de tecnologia e sabedoria
misturada à ganância, dinheiro, poder.

Hoje o homem vive disto
mas não sei se amanhã a vida vai
simplesmente existir.